Havia um homem que lia sempre o mesmo jornal. Todos os dias, à mesma hora, lá se sentava ele no mesmo café para ler um velho e amarelado jornal que levava dobrado no bolso do casaco. Aquele hábito mantinha-se havia muitos anos, mas nenhum dos empregados do café ousava perguntar-lhe nada que fosse sobre o assunto, apesar de terem à-vontade quanto bastasse com ele por ser frequentador habitual. Quase toda a gente que ia ao café sabia o nome dele, mas era normalmente apelidado de 'o senhor do jornal'. O jornal, porém, ninguém lhe conhecia a data de edição, sendo algo que intrigava bastante quem o conhecia. Contava-se até que eram já dezenas ou centenas as apostas que havia em curso para se descobrir tal informação. Mas as letras eram pequenas e quando alguém de soslaio tentava finalmente deslindar esse pormenor, o homem reparava e pousava o jornal num repente, evidenciando por vezes uma feição de desagrado. Aquele jornal era só dele só por si podia ser lido. Sabia-se porém que o jornal teria pelo menos uns vinte anos. O café era agora gerido pelo filho do antigo dono que se reformara e este lembrava-se de ver o homem e o jornal desde a sua infância. Um dia, o filho deste, um pequenote com cinco anos que por vezes andava por ali a cirandar, aproximou-se do homem e, com a ingenuidade e curiosidade inteligente características das crianças, perguntou-lhe:
— Por que é que lês sempre esse jornal velho?
No café fez-se um silêncio comprometedor. O pai do garoto apressou-se a sair do balcão, a pegar no filho ao colo e a pedir desculpa ao senhor do jornal.
— Não lhe ligue, não lhe ligue. E tu não incomodes mais o senhor.
O senhor do jornal interveio:
— Não ralhe ao pequenino, por favor. A pergunta dele não me incomoda de todo. Mas compreendo que nunca ninguém ma tenha ousado fazer. Toda a gente que aqui me vê pensa que sou apenas um pobre louco. As pessoas podem ser incrivelmente cruéis.
O senhor do jornal fez então uma pequena carícia ao rapazito, e disse:
— Sabes, pequenino, a pessoa que eu mais amava no mundo era a minha mulher. Nós nunca pudemos ter filhos bonitos como tu e também não tínhamos família, éramos apenas os dois. Ela morreu porque estava muito doente e eu fiquei sozinho. No dia seguinte a ela ter sido enterrada, comprei este jornal num quiosque. Foi o primeiro jornal que comprei na vida que não trazia desastres e tragédias, muito pelo contrário, pois só trazia boas notícias. Gosto de pensar que foi feito de propósito para me alegrar o possível nesse dia e por isso nunca mais comprei outro jornal, leio este todos os dias. Mas olha, agora que perguntas, acho que já passou tempo a mais, se calhar já podia comprar outro. E agora que penso, não quero guardar mais este mas também não o quero deitar para o lixo. Ajudas-me a resolver este problema?
O miúdo abanou a cabeça indicando prontamente que sim. O senhor do jornal perguntou ao seu pai se permitia que este se sentasse cinco minutos na sua mesa. Primeiro renitente, lá acedeu a que o miúdo ficasse ali um pouco, pois ele também estaria por perto. O senhor do jornal passou então o resto da tarde a ensinar-lhe a fazer aviões e barcos de papel. No dia seguinte voltou com um novo jornal e um esboço de um sorriso na face.
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
A senhora velhinha
Enquanto eu esperava, uma senhora velhinha começa aos gritos no átrio do hospital. Na casa dos setenta anos e sem saber ler nem escrever, como constatei depois. Uma velhinha simples, da aldeia. Tinha vindo de táxi para ver o marido que estava internado. Ao chegar, alguém lhe disse que o marido tinha falecido. E pronto, ali a deixaram, sozinha e desamparada. Ninguém no hospital lhe perguntou se estava acompanhada, se precisava de ajuda, se precisava chamar alguém, nada, zero, a mais absoluta indiferença e insensibilidade. Sei isto porque fui a única pessoa que se dirigiu a ela e não me estou a gabar, acho que seria o mínimo que qualquer pessoa deveria fazer, profissional ou utente do hospital. A senhora pediu-me para ligar à filha. Deu-me o número, apontado num gasto bloco de notas. Na secretaria expliquei a necessidade de se fazer um telefonema para a filha da senhora. Foi-me recusado o acesso a um telefone para o efeito. 'Não temos autorização'. Apeteceu-me ser mal-educado, mas até para isso perdi a vontade perante tamanha frieza. Usei o meu telemóvel para chamar a filha da senhora, que chegou passado uma meia-hora que gastei a dar-lhe o consolo possível. Nunca mais vi a senhora nem a filha.
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Aventuras de hospital
Em 2002 fui submetido a uma cirurgia para remoção de um pequeno abcesso mas que ainda assim implicou anestesia geral. Vou-vos falar sobre a odisseia que implicou o internamento e do médico que me operou, uma das maiores bestas arrogantes que já tive o desprazer de conhecer. Após uma semana de infecção incontrolável e de um desconforto incapacitante, foi determinado em consulta externa que tinha que ser operado. Em consequência da simplicidade e urgência do procedimento, durante a manhã recebi a guia para me dirigir ao internamento, seria operado no fim do dia. No atendimento do hospital deram entrada do meu processo e disseram-me para esperar, note-se, no átrio destinado a todos os utentes. Após uma ou duas horas de espera, dirigi-me de novo à secretaria pois ainda não tinha sido chamado. Ia ser operado esse dia mas sem sequer ser recebido por um médico. Para minha grande surpresa, um segurança dirige-se a mim na sala de espera e diz-me: agora não pode sair daqui nem comer nem beber nada até à hora da operação. Deveras irritado, perguntei ironicamente ao segurança se também era ele que me ia operar, visto estar-me a dar indicações clínicas que deviam ser dada por um médico ou um enfermeiro. Fartei-me da brincadeira e pedi para ser recebido pelo médico. O segurança consultou-o e trouxe-me o recado que não podia ver-me. Perguntei a que horas poderia então. Novo recado a dizer que não sabia. Disse então que teria que me ausentar do hospital para ir buscar os meus objectos pessoais (roupa e higiene). Novo recado: o Sr. Doutor mandou dizer que se saísse do hospital não me operava. A minha reacção foi em conformidade: disse ao segurança para informar o médico que me poderia encontrar na secretaria, onde iria fazer queixa formal do seu comportamento e pedir o livro de reclamações do serviço. Passado 5 minutos, o médico apareceu.
— O senhor pensa que é o único doente deste hospital?
— Não. Mas se o senhor pensa que pode dar consultas via recados do segurança e tratar os doentes como lhe apetece, engana-se.
Perante a minha reacção indignada, a coisa acalmou. Lá me explicou então, ainda que no corredor, o que se ia passar e o que eu tinha de fazer. Disse-lhe então que iria a casa buscar alguns objectos pessoais, ao que ele acedeu sem colocar entraves. No trajecto, ainda pensei: agora o marmelo vai pisar um tubo sem ninguém ver durante a cirurgia e já me manda desta para melhor que é para não me armar ao pingarelho. Mas não, lá correu tudo bem. O tratamento que tive no pós-operatório foi impecável e o doutor idiota nunca mais o vi. É por estas e por outras que eu não generalizo sobre classes: há bons e maus médicos, como há bons e maus profissionais em todas as áreas. No que à área da saúde toca, lamento porém que não raras vezes os utentes sejam tratados ao pontapé e sem um pingo de sensibilidade, como foi o caso que relatarei no post seguinte e que presenciei no mesmo dia.
— O senhor pensa que é o único doente deste hospital?
— Não. Mas se o senhor pensa que pode dar consultas via recados do segurança e tratar os doentes como lhe apetece, engana-se.
Perante a minha reacção indignada, a coisa acalmou. Lá me explicou então, ainda que no corredor, o que se ia passar e o que eu tinha de fazer. Disse-lhe então que iria a casa buscar alguns objectos pessoais, ao que ele acedeu sem colocar entraves. No trajecto, ainda pensei: agora o marmelo vai pisar um tubo sem ninguém ver durante a cirurgia e já me manda desta para melhor que é para não me armar ao pingarelho. Mas não, lá correu tudo bem. O tratamento que tive no pós-operatório foi impecável e o doutor idiota nunca mais o vi. É por estas e por outras que eu não generalizo sobre classes: há bons e maus médicos, como há bons e maus profissionais em todas as áreas. No que à área da saúde toca, lamento porém que não raras vezes os utentes sejam tratados ao pontapé e sem um pingo de sensibilidade, como foi o caso que relatarei no post seguinte e que presenciei no mesmo dia.
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Zero
Tenho zero confiança em quem dirige o país, ministros e deputados incluídos. Tenho zero esperança de que os políticos portugueses consigam mudar de alguma forma o estado das coisas. Tenho zero expectativa de assistir ao fim da corrupção e do tráfico de influências, ao fim dos compadrios políticos e ao vislumbre de um país mais justo, sobretudo para com os jovens, os idosos e, em suma, os mais necessitados. Assistimos à indecência todos os dias e não é com este sistema que as coisas mudarão, seria necessário um novo paradigma de governação que implicasse efectivamente todos os cidadãos. Estamos fartos de ser enganados. Vão todos bardamerda!
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Grande Colheita Facebook de Curral 2011 - Setembro a Dezembro
'Ainda bem que se foi embora, não queremos cá ladroagem deste calibre', foram as declarações de outros reclusos da cadeia da PJ de Lisboa a propósito da libertação de Isaltino Morais.
October 1, 2011
---
Tal como uma família que visita o Andar Modelo, o Ti Isaltino também já visitou a Cela Modelo, aguardando agora que sejam reunidas as condições para a poder habitar em permanência.
October 1, 2011
---
Os casamentos dos amigos são para mim momentos de incontida felicidade. Há sempre uma fonte inesgotável de Martini e Beirão...
October 1, 2011
---
Em alguns cursos de Arquitectura fazia falta a seguinte cadeira: Projecto de WC para Café que salvaguarde o cliente de ver uma pila enquanto toma a bica sentado numa mesa.
October 5, 2011
---
Há homens que só pensam em vinho e mulheres nuas. Eu sou um deles.
October 5, 2011
---
As fãs que me desculpem, mas há mitos que têm que ser desfeitos: o Pac Man não é um gajo bonito.
October 6, 2011
---
Conheci em tempos a mulher dos meus sonhos. Chamava-se Miss Giselle e cobrou-me 25 euros por uma private dance.
October 6, 2011
---
Era uma gata muito respeitada na empresa porque andava há muitos anos com o CEO.
October 8, 2011
---
Algo de muito errado se passa numa cidade quando a esta hora, na única discoteca existente, há uma actuação da Romana, a cantora pimba.
October 9, 2011
---
Gostava que a Humanidade de unisse de vez para superar os terríveis flagelos que a assolam: as guerras, a fome, as doenças incuráveis, o desemprego e o karaoke.
October 15, 2011
---
Nos anos do curso andei muitas vezes à procura duma máquina Multibanco que tivesse notas de mil paus, porque o saldo já só dava para uma.
October 16, 2011
---
Ao matricular-me no décimo ano, saído de um colégio de padres, a minha mãe ainda me obrigou a pôr no papel da matrícula o x em Religião e Moral. Na primeira aula fui expulso com outro gajo, que me disse que aquilo não era obrigatório. Fomos beber um fino e essa foi também a última aula.
October 18, 2011
---
"Jovens que iniciam a sua vida sexual a partir dos 11 anos"?!? Que betinhos…
October 21, 2011
---
Sobre um dos reality-shows que estão a passar na televisão portuguesa, devo dizer o seguinte: faz-me pena ver aquelas pessoas disformes ali metidas, sobretudo sabendo que a maioria delas, mesmo que se esforce muito, nunca será gente normal. Falo, obviamente, da Casa dos Segredos.
October 21, 2011
---
A minha esperança na Humanidade desvanece por completo quando um gajo da minha idade e solteiro como eu diz sem reservas numa mesa de café que 'adora' James Blunt…
October 22, 2011
---
José Manuel Coelho e a filha, experiente activista política eleita também deputada ao Parlamento da Madeira, combaterão agora juntos o tachismo, o favoritismo e sobretudo o nepotismo do tiranete Jardim e seus amigos.
October 24, 2011
---
Os nutricionistas dizem que quanto mais variadamente colorida for uma refeição, mais saudável é. Mas e se for um prato de Smarties?
October 25, 2011
---
Segundo o relatório hoje divulgado, a malograda Amy Winehouse morreu devido a ter ingerido 3 garrafas de vodka, a mesma quantidade a que Boris Yeltsin chamava de 'shot'.
October 26, 2011
---
Tenho pena da Amy Winehouse, mas a verdade é que quem bebe três garrafas de vodka numa só noite e em casa está mesmo a esticar a corda. Qualquer pessoa normal optaria por apenas duas…
October 27, 2011
---
Como hoje é o Dia Mundial da Poupança, não vou comprar o cachecol Boss que vi ontem numa montra pela módica quantia de 195€. Bem sei que é uma pechincha, um cachecol por quase metade de um salário mínimo, mas os tempos são de crise e é preciso cortar mesmo nestas pequenas despesas.
October 31, 2011
---
Num parque onde costumo correr, dirijo-me ao vigilante.
— Amigo, está ali em baixo um cavalo solto e sem dono por perto.
— Eu sei. É dum cigano que volta e meia o deixa por aí.
— Ai sabe? Então e parece-lhe bem que ande um cavalo solto num parque onde há crianças a brincar sozinhas?
— Ah, não se preocupe, que ele não se assusta com os garotos…
November 1, 2011
---
Ia escrever uma piada sobre o Duarte Lima mas desisti, pois com coisas sérias não se brinca. Ninguém merece ser tão careca aos 55 anos…
November 1, 2011
---
'Vou, com a boa vontade possível, desvalorizar o facto de o seu trabalho ser manuscrito e entregue numa folha solta perfurada, sem capa e sem encadernação, o que muito me surpreende vindo dum aluno do 4º ano de uma licenciatura em Design. Mas pelo amor de Deus, ponha ao menos o seu nome, pois isto que me entregou não está identificado…'
November 3, 2011
---
O 'melhor' negócio que fiz na vida foi dar para troca um LP duplo dos Pink Floyd por um LP normal do Vanilla Ice.
November 4, 2011
---
Uma jornalista pergunta a um transeunte em Lisboa o que vai fazer com os 13 euros mensais que vai pagar a menos na prestação da casa. A resposta que eu daria seria 'comprar um Ferrari'…
November 4, 2011
---
Estranho. Segunda-feira começa no CCB o Ciclo Andrei Tarkovsky mas na Dica da Semana não vinha lá nada…
November 4, 2011
---
Muito bem visto. Os Portugueses vão para fora cá dentro. E o Duarte Lima, se vai para fora, vai dentro.
November 6, 2011
---
Como era mais do que previsível, condenaram o médico que durante anos tratou o cadáver de Michael Jackson.
November 8, 2011
---
Um amigo meu, sem que nada o justifique, sem qualquer razão aparente, disse-me hoje que deixou de beber há já algumas semanas. Estou deveras preocupado com ele.
November 8, 2011
---
A Ordem dos Advogados abriu um inquérito para averiguar se Duarte Lima teve algum comportamento 'pouco ético' para com a sua cliente, Rosalina Ribeiro. Tirando o pormenor de lhe ter limpado o sebo, acredito que o advogado se tenha pautado por um comportamento eticamente irrepreensível.
November 9, 2011
---
Aos Bósnios, esses grandes filhos da puta que até apontaram um laser aos olhos do Ronaldo nos treinos, respondemos com todo o nosso civismo, apontando um laser aos olhos do seu guarda-redes no jogo…
November 16, 2011
---
Afinal o Duarte Lima também vai para dentro cá dentro.
November 17, 2011
---
— Diga o nome de dois assassinos famosos que só foram presos porque eram também ladrões.
— Al Capone e Duarte Lima.
November 18, 2011
---
Agora a sério: tenho pena do Duarte Lima. É triste ver um ladrão que nem sequer pode fugir para o Brasil…
November 18, 2011
---
Será que o Zapatero também vai ser caloiro de Filosofia na Sorbonne?
November 20, 2011
---
Ninguém é feliz só com álcool e sexo na vida. Também é preciso um bom carro.
November 22, 2011
---
Acho piada aos anúncios de Natal das operadoras móveis. Até parece que ser chulado à grande é a melhor coisa do mundo.
November 22, 2011
---
Querido Pai Natal: este ano não quero prendas, só quero que o Estado não me assalte mais.
November 22, 2011
---
Após o sucesso da candidatura do Fado a Património Mundial, o Governo de Angola prepara já a candidatura do Kuduro.
November 27, 2011
---
Os adeptos do Sporting que ficaram indignados com a rede de contenção colocada no Estádio da Luz para prevenir o arremesso de objectos demonstraram no final do jogo que tal não era necessária pois eles só incendeiam cadeiras.
November 28, 2011
---
A subida do I.V.A. para 23% na restauração deixa-me deveras preocupado com alguns restaurantes como o D.O.P., no Porto, o Arcadas da Capela, em Coimbra, ou o Eleven, em Lisboa. É que agora, em vez de uns 80€ por refeição, passa-se a pagar uns 90€, e estas casas arriscam-se a perder clientela a rodos…
November 29, 2011
---
Em 2001 deu-se o 11 de Setembro mas também acabou o Big Show Sic. A natureza é sempre sensata a equilibrar os acontecimentos.
December 1, 2011
---
Eu gosto da Igreja 'Caravela', do arquitecto Troufa Real. Por um lado, aprecio arquitectura inquietante e com ousadia. Por outro, se um dia a Igreja Católica falir, sempre se pode fazer daquilo uma boa discoteca.
December 1, 2011
---
Agora a sério: acho que os pescadores resgatados de Caxinas são de facto uns heróis. Não é qualquer pescador que se aguenta a mais de 48 horas sem álcool.
December 3, 2011
---
Um dos tipos que ainda está na Casa dos Segredos revelou ter sido vítima de violência doméstica. Segundo contou o rapaz, a namorada zupava-lhe bem o pêlo. Ainda bem que o desgraçado já foi vice-campeão nacional de Muay Thai, senão tinha apanhado muito mais…
December 13, 2011
---
Ice T, Ice Cube, Fifty Cent, Jay-Z, Snoop Dogg, Xzibit, LL Cool J, Timbaland, Puff Daddy… mas que problema terão estes tipos com os nomes de gente?
December 15, 2011
---
Eu votaria de bom grado nas votações da Casa dos Segredos se também houvesse um número para expulsar de vez da televisão a Teresa Guilherme.
December 19, 2011
---
Estou sinceramente convencido de que todos os Norte-Coreanos juntos não são capazes de chorar tanto como o Roberto Leal sozinho...
December 20, 2011
---
Eu também acho escandaloso. Andar a 200 num A6 é um insulto às capacidades do carro…
December 22, 2011
---
Se o Pai Natal é um pote gordo que entra e sai pela chaminé, alguém me explique como é que nunca aparece todo farrusco de fuligem.
December 25, 2011
---
Parece-me altamente acertada a escolha do Pedro Granger para ser a cara de uma campanha sobre um apagão nacional da TV.
December 29, 2011
---
Uma das minhas grandes decisões para 2012 é desistir de explicar aos funcionários do pavilhão desportivo que de nada vale a única antena da aparelhagem do ginásio estar bem alta e esticadinha visto ser uma antena AM e o pessoal ouvir sempre a rádio em FM.
December 30, 2011
October 1, 2011
---
Tal como uma família que visita o Andar Modelo, o Ti Isaltino também já visitou a Cela Modelo, aguardando agora que sejam reunidas as condições para a poder habitar em permanência.
October 1, 2011
---
Os casamentos dos amigos são para mim momentos de incontida felicidade. Há sempre uma fonte inesgotável de Martini e Beirão...
October 1, 2011
---
Em alguns cursos de Arquitectura fazia falta a seguinte cadeira: Projecto de WC para Café que salvaguarde o cliente de ver uma pila enquanto toma a bica sentado numa mesa.
October 5, 2011
---
Há homens que só pensam em vinho e mulheres nuas. Eu sou um deles.
October 5, 2011
---
As fãs que me desculpem, mas há mitos que têm que ser desfeitos: o Pac Man não é um gajo bonito.
October 6, 2011
---
Conheci em tempos a mulher dos meus sonhos. Chamava-se Miss Giselle e cobrou-me 25 euros por uma private dance.
October 6, 2011
---
Era uma gata muito respeitada na empresa porque andava há muitos anos com o CEO.
October 8, 2011
---
Algo de muito errado se passa numa cidade quando a esta hora, na única discoteca existente, há uma actuação da Romana, a cantora pimba.
October 9, 2011
---
Gostava que a Humanidade de unisse de vez para superar os terríveis flagelos que a assolam: as guerras, a fome, as doenças incuráveis, o desemprego e o karaoke.
October 15, 2011
---
Nos anos do curso andei muitas vezes à procura duma máquina Multibanco que tivesse notas de mil paus, porque o saldo já só dava para uma.
October 16, 2011
---
Ao matricular-me no décimo ano, saído de um colégio de padres, a minha mãe ainda me obrigou a pôr no papel da matrícula o x em Religião e Moral. Na primeira aula fui expulso com outro gajo, que me disse que aquilo não era obrigatório. Fomos beber um fino e essa foi também a última aula.
October 18, 2011
---
"Jovens que iniciam a sua vida sexual a partir dos 11 anos"?!? Que betinhos…
October 21, 2011
---
Sobre um dos reality-shows que estão a passar na televisão portuguesa, devo dizer o seguinte: faz-me pena ver aquelas pessoas disformes ali metidas, sobretudo sabendo que a maioria delas, mesmo que se esforce muito, nunca será gente normal. Falo, obviamente, da Casa dos Segredos.
October 21, 2011
---
A minha esperança na Humanidade desvanece por completo quando um gajo da minha idade e solteiro como eu diz sem reservas numa mesa de café que 'adora' James Blunt…
October 22, 2011
---
José Manuel Coelho e a filha, experiente activista política eleita também deputada ao Parlamento da Madeira, combaterão agora juntos o tachismo, o favoritismo e sobretudo o nepotismo do tiranete Jardim e seus amigos.
October 24, 2011
---
Os nutricionistas dizem que quanto mais variadamente colorida for uma refeição, mais saudável é. Mas e se for um prato de Smarties?
October 25, 2011
---
Segundo o relatório hoje divulgado, a malograda Amy Winehouse morreu devido a ter ingerido 3 garrafas de vodka, a mesma quantidade a que Boris Yeltsin chamava de 'shot'.
October 26, 2011
---
Tenho pena da Amy Winehouse, mas a verdade é que quem bebe três garrafas de vodka numa só noite e em casa está mesmo a esticar a corda. Qualquer pessoa normal optaria por apenas duas…
October 27, 2011
---
Como hoje é o Dia Mundial da Poupança, não vou comprar o cachecol Boss que vi ontem numa montra pela módica quantia de 195€. Bem sei que é uma pechincha, um cachecol por quase metade de um salário mínimo, mas os tempos são de crise e é preciso cortar mesmo nestas pequenas despesas.
October 31, 2011
---
Num parque onde costumo correr, dirijo-me ao vigilante.
— Amigo, está ali em baixo um cavalo solto e sem dono por perto.
— Eu sei. É dum cigano que volta e meia o deixa por aí.
— Ai sabe? Então e parece-lhe bem que ande um cavalo solto num parque onde há crianças a brincar sozinhas?
— Ah, não se preocupe, que ele não se assusta com os garotos…
November 1, 2011
---
Ia escrever uma piada sobre o Duarte Lima mas desisti, pois com coisas sérias não se brinca. Ninguém merece ser tão careca aos 55 anos…
November 1, 2011
---
'Vou, com a boa vontade possível, desvalorizar o facto de o seu trabalho ser manuscrito e entregue numa folha solta perfurada, sem capa e sem encadernação, o que muito me surpreende vindo dum aluno do 4º ano de uma licenciatura em Design. Mas pelo amor de Deus, ponha ao menos o seu nome, pois isto que me entregou não está identificado…'
November 3, 2011
---
O 'melhor' negócio que fiz na vida foi dar para troca um LP duplo dos Pink Floyd por um LP normal do Vanilla Ice.
November 4, 2011
---
Uma jornalista pergunta a um transeunte em Lisboa o que vai fazer com os 13 euros mensais que vai pagar a menos na prestação da casa. A resposta que eu daria seria 'comprar um Ferrari'…
November 4, 2011
---
Estranho. Segunda-feira começa no CCB o Ciclo Andrei Tarkovsky mas na Dica da Semana não vinha lá nada…
November 4, 2011
---
Muito bem visto. Os Portugueses vão para fora cá dentro. E o Duarte Lima, se vai para fora, vai dentro.
November 6, 2011
---
Como era mais do que previsível, condenaram o médico que durante anos tratou o cadáver de Michael Jackson.
November 8, 2011
---
Um amigo meu, sem que nada o justifique, sem qualquer razão aparente, disse-me hoje que deixou de beber há já algumas semanas. Estou deveras preocupado com ele.
November 8, 2011
---
A Ordem dos Advogados abriu um inquérito para averiguar se Duarte Lima teve algum comportamento 'pouco ético' para com a sua cliente, Rosalina Ribeiro. Tirando o pormenor de lhe ter limpado o sebo, acredito que o advogado se tenha pautado por um comportamento eticamente irrepreensível.
November 9, 2011
---
Aos Bósnios, esses grandes filhos da puta que até apontaram um laser aos olhos do Ronaldo nos treinos, respondemos com todo o nosso civismo, apontando um laser aos olhos do seu guarda-redes no jogo…
November 16, 2011
---
Afinal o Duarte Lima também vai para dentro cá dentro.
November 17, 2011
---
— Diga o nome de dois assassinos famosos que só foram presos porque eram também ladrões.
— Al Capone e Duarte Lima.
November 18, 2011
---
Agora a sério: tenho pena do Duarte Lima. É triste ver um ladrão que nem sequer pode fugir para o Brasil…
November 18, 2011
---
Será que o Zapatero também vai ser caloiro de Filosofia na Sorbonne?
November 20, 2011
---
Ninguém é feliz só com álcool e sexo na vida. Também é preciso um bom carro.
November 22, 2011
---
Acho piada aos anúncios de Natal das operadoras móveis. Até parece que ser chulado à grande é a melhor coisa do mundo.
November 22, 2011
---
Querido Pai Natal: este ano não quero prendas, só quero que o Estado não me assalte mais.
November 22, 2011
---
Após o sucesso da candidatura do Fado a Património Mundial, o Governo de Angola prepara já a candidatura do Kuduro.
November 27, 2011
---
Os adeptos do Sporting que ficaram indignados com a rede de contenção colocada no Estádio da Luz para prevenir o arremesso de objectos demonstraram no final do jogo que tal não era necessária pois eles só incendeiam cadeiras.
November 28, 2011
---
A subida do I.V.A. para 23% na restauração deixa-me deveras preocupado com alguns restaurantes como o D.O.P., no Porto, o Arcadas da Capela, em Coimbra, ou o Eleven, em Lisboa. É que agora, em vez de uns 80€ por refeição, passa-se a pagar uns 90€, e estas casas arriscam-se a perder clientela a rodos…
November 29, 2011
---
Em 2001 deu-se o 11 de Setembro mas também acabou o Big Show Sic. A natureza é sempre sensata a equilibrar os acontecimentos.
December 1, 2011
---
Eu gosto da Igreja 'Caravela', do arquitecto Troufa Real. Por um lado, aprecio arquitectura inquietante e com ousadia. Por outro, se um dia a Igreja Católica falir, sempre se pode fazer daquilo uma boa discoteca.
December 1, 2011
---
Agora a sério: acho que os pescadores resgatados de Caxinas são de facto uns heróis. Não é qualquer pescador que se aguenta a mais de 48 horas sem álcool.
December 3, 2011
---
Um dos tipos que ainda está na Casa dos Segredos revelou ter sido vítima de violência doméstica. Segundo contou o rapaz, a namorada zupava-lhe bem o pêlo. Ainda bem que o desgraçado já foi vice-campeão nacional de Muay Thai, senão tinha apanhado muito mais…
December 13, 2011
---
Ice T, Ice Cube, Fifty Cent, Jay-Z, Snoop Dogg, Xzibit, LL Cool J, Timbaland, Puff Daddy… mas que problema terão estes tipos com os nomes de gente?
December 15, 2011
---
Eu votaria de bom grado nas votações da Casa dos Segredos se também houvesse um número para expulsar de vez da televisão a Teresa Guilherme.
December 19, 2011
---
Estou sinceramente convencido de que todos os Norte-Coreanos juntos não são capazes de chorar tanto como o Roberto Leal sozinho...
December 20, 2011
---
Eu também acho escandaloso. Andar a 200 num A6 é um insulto às capacidades do carro…
December 22, 2011
---
Se o Pai Natal é um pote gordo que entra e sai pela chaminé, alguém me explique como é que nunca aparece todo farrusco de fuligem.
December 25, 2011
---
Parece-me altamente acertada a escolha do Pedro Granger para ser a cara de uma campanha sobre um apagão nacional da TV.
December 29, 2011
---
Uma das minhas grandes decisões para 2012 é desistir de explicar aos funcionários do pavilhão desportivo que de nada vale a única antena da aparelhagem do ginásio estar bem alta e esticadinha visto ser uma antena AM e o pessoal ouvir sempre a rádio em FM.
December 30, 2011
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
Breve reflexão sobre os vendilhões
Hoje, os vendilhões que nos governam entregaram um quinto de uma das empresas portuguesas de referência não a outra empresa mas a um Estado ditatorial, caracterizado pela opressão do povo, que persegue os que defendem a Liberdade e que ainda pratica a pena de morte, inclusivamente com fuzilamentos públicos. Um governo com espinha dorsal nenhum negócio faria com a China, muito menos este. Hoje, como Português, como cidadão livre e defensor dos direitos humanos, sinto-me envergonhado.
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Um conto de Natal
O Pedrito tinha oito anos e fazia parte de uma família muito pobre. Era um bom menino e já por várias vezes tinha pedido uma bicicleta aos pais mas estes não tinham mesmo dinheiro para lha comprar e, com muita tristeza, recusavam-lha, uma e outra vez. Lembrou-se então de escrever uma carta ao Pai Natal, pedindo-lhe a bicicleta que tanto queria, explicando que se portava bem e estudava muito mas os seus pais eram pessoas pobres. Um dia, sem os pais saberem, entregou a carta ao carteiro e pediu-lhe que a levasse e a entregasse ao Pai Natal, explicando-lhe também que tinha a certeza que o Pai Natal lhe ia dar a prenda que ele pedia. O carteiro levou consigo a carta e, chegado aos correios, chamou o Chefe da Estação e explicou-lhe a situação. O chefe, sensibilizado, disse que o melhor era abrir a carta e ver o que o miúdo pedia. Abriu-a de seguida e leu então o pedido da bicicleta. Organizou uma colecta por entre os funcionários da estação. Compraram-na e foi entregue ao miúdo numa enorme caixa, num transporte especial. Então, o funcionário que tinha levado a carta denunciou o chefe às autoridades por violação de correspondência, vingando-se assim de um processo disciplinar que este lhe havia instaurado uns anos antes por distribuir as cartas embriagado. Por ser Chefe dos Correios e tendo-se provado que violou correspondência, foi condenado a seis meses de prisão efectiva, durante os quais foi brutal e continuadamente agredido e sodomizado por outros reclusos. Para o Pedrito, esse foi um Natal muito, muito feliz.
Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
O jornal I e o dia seguinte à bola





No dia seguinte ao Portugal-Bósnia, as primeiras páginas dos jornais espelhavam a histeria nacional em torno da bola. Portugal qualificou-se para o Euro 2012 e com uma goleada, facto que é digno de nota e de um certo júbilo, mas o tratamento noticioso dado pelos jornais ao acontecimento tem muito que se lhe diga.
O assunto foi o destaque de primeira página em quatro dos cinco jornais diários. O jornal I foi a honrosa excepção. Nos mesmos quatro jornais, as páginas imediatamente seguintes foram-lhe também dedicadas, com torrentes de tinta a jorrar do filão da polémica entre Paulo Bento e Ricardo Carvalho e Bosingwa. O I foi novamente excepção: tudo foi tratado nas páginas do desporto e sem alterar a sua localização no alinhamento do jornal.
Eu pergunto: que valor como notícia tem algo que já toda a gente sabe? Será que o apuramento era assim um tão grande desígnio nacional? E de que nos serve o raio da bola perante o actual estado do país? Reconheço que a opção do jornal I pode ser controversa, pois também não custava nada por uma notazita na primeira página. Porém, entre o espalhafato dos restantes jornais e a forma como o I tratou a coisa, eu prefiro a segunda opção. Há assuntos mais importantes para a vida de todos nós do que o raio da bola. E é preciso trazê-los todos os dias à baila, não se pode dar um segundo de descanso a quem tem responsabilidades governativas e de gestão do bem público.
Eu gosto realmente do jornal I e compro-o regularmente. Acho que é o melhor e o mais independente jornal diário português. Trata os assuntos com sensatez, tem conteúdos editoriais muito interessantes, a selecção das notícias é muito pertinente e tudo quanto é escrita para encher chouriço por norma não tem lugar na edição impressa. Isto, para além de ser tão simplesmente o jornal com melhor Design do mundo, galardão que por si só o deveria colocar ao lado dos restantes títulos nas vendas. Porém, o I continua a ser dos cinco o que menos vende, mas isso para mim é também outro sinal de como muito boa gente anda alheada daquilo que realmente interessa.
Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
Pedagogia de ponta
Um dia, estava eu numa aula prática de Pós-produção Gráfica, num Laboratório onde havia momentos de aula mais descontraídos, nos quais o pessoal trabalhava à vontade, e eis que entra por ali adentro um tipo de outro curso e que começa a entregar uns folhetos à malta. O meu professor, apercebendo-se, interpelou-o.
— Quem é o senhor e o que faz aqui?
— Vim só entregar umas informações sobre…
(o professor interrompe-o)
— Pare, você fez tudo mal. O meu amigo vai fazer o seguinte: sai desta sala e fecha a porta. Depois, bate à porta. Quando eu lhe der licença para entrar, entra. Cumprimenta-me a mim primeiro, e a todos os presentes logo a seguir. E diz então ao que vem. Tente lá.
(entre sorrisos murmurados, o tipo procedeu em conformidade)
"Toc toc toc!"
— Entre.
— Boa tarde, professor.
— Boa tarde para si também.
— Boa tarde a todos.
(todos em coro: — Boa taaarde…)
— Então a que vem o meu caro?
— Sou da Associação de Estudantes e vinha trazer uns folhetos duma festa. Posso?
— Não. Estamos em aula. Volte mais tarde…
— Quem é o senhor e o que faz aqui?
— Vim só entregar umas informações sobre…
(o professor interrompe-o)
— Pare, você fez tudo mal. O meu amigo vai fazer o seguinte: sai desta sala e fecha a porta. Depois, bate à porta. Quando eu lhe der licença para entrar, entra. Cumprimenta-me a mim primeiro, e a todos os presentes logo a seguir. E diz então ao que vem. Tente lá.
(entre sorrisos murmurados, o tipo procedeu em conformidade)
"Toc toc toc!"
— Entre.
— Boa tarde, professor.
— Boa tarde para si também.
— Boa tarde a todos.
(todos em coro: — Boa taaarde…)
— Então a que vem o meu caro?
— Sou da Associação de Estudantes e vinha trazer uns folhetos duma festa. Posso?
— Não. Estamos em aula. Volte mais tarde…
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
Breves apontamentos sobre a Nabodapucarologia (I)
Um vez li uma uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a Nabodapucarologia, uma ciência que só existe em Portugal e que tem a ver com a imensa habilidade que os portugueses demonstram na hora de tirar os nabos da púcara, ou seja, quase sempre que estão com alguém. Apesar de gostar muito pouco desse desporto nacional bastante mais popular que a malha ou a sueca, a mim a alcovitice das alcoviteiras de bairro nem me chateia muito, o que me chateia deveras é a indústria da alcovitice, é o facto de haver toda uma audiência para as revistas e os programas de televisão que vivem diariamente dos mexericos e do diz-que-disse, sem o mínimo respeito pela privacidade individual e não raras vezes pela conduta deontológica que rege ou deveria reger a comunicação social, seja ela cor-de-rosa, cor-de-burro-a-fugir ou outra cor qualquer.
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
No Inverno é Verão no Brasil, e na Suécia suicidam-se aos mil.
Agora que te vais embora, queria agradecer-te. Obrigado, Verão. Trataste-me muito bem, este ano. A todos os que têm passado por estas bandas de vez em quando, obrigado pela paciência. Amanhã volto à escrita aqui no blog. Abraços a todos.
Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
Breve história de um rapaz comum que gosta de praticar desporto
Este gajo nesta foto sou eu. Este Verão, a minha aventura desportiva foi ir de bike da Guarda à Figueira da Foz. Foram dez horas de expedição, oito horas e meia a pedalar, 206 quilómetros da porta da minha casa à esplanada do Tubarão. Só tenho bike de estrada desde Abril, não sabia muito bem se me aguentava à bronca, mas a coisa não foi nada de complicado. Quando cheguei soube que pedalaria garantidamente pelo menos mais uns 50 quilómetros. As mentes mais preconceituosas pensarão: olha aqui este caraças a armar-se ao pingarelho. Mas não é nada disso. Isto que eu fiz não é grande coisa para muita malta mas é, isso sim, uma grande coisa para mim. Passo a explicar. Tenho amigos que são capazes de fazer isto em muito menos tempo e sem pôr um pé no chão. Tenho amigos que são capazes de ir de bike da Guarda até Portimão em 24 horas. Um tio meu que só começou a andar de bike quase quando já tinha duas filhas adultas dá-me capote sem se chatear muito. O desporto é sobretudo uma conquista pessoal, até porque, apesar de não conhecer estatísticas que o comprovem, é minha convicção que a maioria dos desportistas em todo o mundo são amadores, apenas uma reduzida e afortunada percentagem de pessoas têm o desporto como actividade profissional e, portanto, sustento das suas vidas. Eu comecei a fazer desporto pela via errada, comecei apenas porque não queria ser gordo. Quando era puto era assim gordito (não era gordo, era só assim gordito), e até aos meus 20 anos estive sempre longe de ser craque a qualquer coisa relacionada com a actividade física. Porém, a culpa não era só minha: as aulas de Educação Física que tive sempre foram uma anedota, e nos vários níveis de ensino. No colégio de padres onde fiz o Ciclo e o Secundário, jogava-se à bola e pouco mais. No Complementar, tive uma aproximaçãozita a algo que se podia chamar Educação Física apenas uma vez por semana e apenas no 10º ano. Por incrível que pareça, o Politécnico onde estudei não tinha quaisquer instalações desportivas e o único desporto promovido pela Associação de Estudantes era o levantamento do copo. Aos 20 anos comecei a correr. Depois, a nadar. Depois, a andar de bike. Depois, a praticar Judo. Aprendi a jogar à bola em adulto e não jogo tão mal como isso (desde que seja futebol de salão, pois futebol de 11 é outra história). E entretanto, tomei o gosto ao desporto. Já fiz 120 km de BTT numa só tirada, já corri dezenas de meias-maratonas e cinco maratonas, duas delas fora do país, tudo coisas que há uns anos nem nos meus sonhos mais eróticos pensava que seria um dia capaz de fazer. Tenho, porém, uma genética algo ingrata. Não sou de comer muito nem de me enfrascar muito, mas nunca consegui ser um gajo rigorosamente magro, daqueles a quem as gajas na praia podem contar os abdominais, logo antes de desmaiar. Para o ser, teria que passar fome durante uns tempos e sofrer muito a treinar, ou então meter-me na coca, e a verdade é que acho não estou para isso. Nas últimas análises que fiz, o médico disse-me que os números estão todos OK e que o meu coração está como o aço, apesar de alguns desgostos de amor por que já passou. Posso, como toda a gente, vir a ter problemas de saúde, mas para já está tudo na afinação e isso é uma sorte, um privilégio. O desporto faz parte da minha vida e deveria fazer parte da vida de toda a gente, desde cedo. Pelo desporto ensina-se e aprende-se a importância da cooperação, do trabalho em equipa, da entreajuda, a competir justamente, a passar de um objectivo para outro, a saborear as vitórias e a superar as derrotas. Foi a praticar desporto que consegui os meus melhores momentos de superação pessoal, daqueles que nos dão satisfação e que nos ensinam que vale a pena perseguir objectivos, daqueles em que se puxa pelo físico e se aprende para a vida. Mas mais do que isso, fiz bons amigos a praticar desporto, gente com quem não me relacionaria hoje se não andasse nestas andanças. Alguns são mais próximos, outros menos, mas todos bons amigos, malta porreira. Enquanto tiver saúde, hei-de praticar desporto. Fazê-lo é, realmente, investir em qualidade de vida. E nunca é tarde para começar. Vai uma corridinha?
Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Este é um post sem título. Pensei e pensei e não encontrei um título adequado. A um dos homens mais cultos e letrados que conheci por ter sido meu professor, ouvi um dia esta máxima: a fera mata e dorme, o homem mata e vigia. Porém, no olhar gélido, na expressão cortante deste grande filho da puta, encontro agora, muitos anos depois de ter ouvido essa frase, a grande excepção à regra. Ele, que pensava que seria simplesmente abatido depois da sua sanguinária cruzada, sobreviveu. E regozija com isso. Não se esconde, não se arrepende, nada do que define a humanidade pode ser encontrado neste animal. Ergue a cabeça. Observa. Mas esboça um leve traço de sorriso cínico e está tranquilo. É todo o contrário, a absoluta negação: a fera que mata e vigia, o homem que mata e dorme. No balanço da terrível tragédia, ao menos foi capturado vivo. Ao menos desta vez, o assassino e a sua retorcida mente ficaram para estudo e prevenção futura. Só é pena não haver forma de o condenar ao mais atroz e prolongado sofrimento possível, que era o que merecia, pois foi esse o seu legado para as famílias e os amigos dos que matou. E a esses, paz às suas almas. Ninguém merece morrer assim.
Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Post número oitocentos
Esta é a octigentésima publicação aqui no Blog. A produção de textos tem andado algo em baixo, mas o blog continua activo, sendo o principal motivo o facto de o autor ter andado mais virado para mandar uns bitaites no Facebook do que para escrever a sério, o que obriga a um maior gasto de tempo e também a pensar. E como ando com a cabeça ocupada a pensar noutras coisas, tenho utilizado os tempos livres para a merecida tarefa de não pensar em nada ou no mínimo de coisas possível. Enfim, são fases. Quando me passar a preguiça mental, logo volto a escrever como manda o figurino. Entretanto, e como está aí a época de banhos, aqui ficam os votos de boas férias para todos os leitores e amigos. Muita atenção aos peixes-aranha e ao vinho de má qualidade.
Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Morrer é uma chatice
Mudei de ideias sobre o facto de alguém chorar a morte de um seu ídolo. Não foi uma mudança de agora, foi um sentimento que inverti já há uns anos. Quando via alguém chorar compulsivamente pela morte de outra pessoa sua conhecida apenas pela televisão, achava ridículo. Agora, porém, comove-me. Se se pode chorar a morte de um Papa ou a morte de um escritor, por que não se poderia chorar a morte de uma estrela pop ou de um actor? Para se gostar de alguém não é preciso ser familiar ou amigo ou vizinho ou conhecido. Somos livres de expressar apreço ou carinho ou admiração ou simpatia por quem quisermos. Lembro-me de ouvir a Amália Rodrigues dizer numa entrevista algo parecido a "quando eu morrer chorem por mim, chorem muito". Se alguém chora por alguém que morreu, é porque essa vida teve algum sentido.
Este texto não o escrevi só porque ele morreu. Mas tenho realmente muita pena do rapaz, do Angélico. Lamento também a morte do seu amigo e espero que a rapariga recupere. Morrer já deve ser chatice que chegue. E assim, pior ainda.
Este texto não o escrevi só porque ele morreu. Mas tenho realmente muita pena do rapaz, do Angélico. Lamento também a morte do seu amigo e espero que a rapariga recupere. Morrer já deve ser chatice que chegue. E assim, pior ainda.
Sábado, 18 de Junho de 2011
Saramago
Terça-feira, 14 de Junho de 2011
Um post sobre o nojo

O simples facto de alguém poder ganhar dinheiro à custa da tragédia e da dor alheia já me mete nojo quanto baste. Porém, a vertigem da exploração desse grande filão que é a curiosidade sobre os dramas em torno das figuras públicas chegou esta semana a um expoente por mim nunca antes visto em Portugal, e a capa da Flash é o exemplo maior. A actriz Sónia Brazão está, ao que consta, a batalhar pela vida, depois de ter sido vítima de uma violenta explosão em casa. Se recuperar, o que é o meu desejo, ficará provavelmente traumatizada e com marcas de um corpo queimado. Neste momento, o que os seus familiares e amigos necessitariam seria o maior e mais generoso apoio possível, pois nestas coisas temos que ser uns para os outros. E esta gente sem escrúpulos, para vender papel, não se ensaia de escrever na capa, em letras garrafais, "Morte Anunciada". Imagine-se a mãe da actriz a entrar num quiosque e a ler tal título? Mas afinal vale tudo? Não há limites? Não há vergonha?
Sábado, 4 de Junho de 2011
Grande entrevista ao Fantasma da Abstenção

Personagem incontornável dos períodos eleitorais, o Filosofia de Curral entrevistou hoje, véspera de eleições para a Assembleia da República, o Fantasma da Abstenção.
Filosofia de Curral
Fantasma da Abstenção: que é feito de si?
Fantasma da Abstenção
Ora, cá estou novamente. Sempre que há eleições, eu apareço.
FdC
Então e que actividades desenvolve quando não há eleições?
Fantasma da Abstenção
Bom, eu não tenho um emprego normal, só trabalho a sério nas eleições, como as Jotas e mais de metade dos deputados, e portanto quando não há eleições aproveito para viajar.
FdC
Então e por onde tem andado?
Fantasma da Abstenção
Por esse mundo fora. O meu primo Fantasma da Ópera anda sempre em digressão e costuma convidar-me para acompanhá-lo. A companhia paga as despesas e eu dou uma mãozinha nas montagens e desmontagens dos espectáculos. É uma joint-adventure interessante.
FdC
Joint-adventure? Quer dizer joint-venture?
Fantasma da Abstenção
Não, não. Joint-venture é uma parceria, eu sei. Mas isto é mesmo uma joint-adventure, é sempre a cacimbar. É joints uns atrás dos outros.
FdC
Refere-se a charros, droga?
Fantasma da Abstenção
Epá, não me obrigue a ser tão explícito. Mas sim, é isso. Sabe que esta malta da cultura curte uns berlaites, não é? Eles e o pessoal do Bloco.
FdC
Falando em Bloco, vai votar amanhã?
Fantasma da Abstenção
Mas você é parvo ou quê? Então acha que o Fantasma da Abstenção vota? Tenho uma reputação a defender.
FdC
Sim, tem razão. Queira desculpar. Mas simpatiza com algum partido?
Fantasma da Abstenção
Sim, o do maluco da Madeira.
FdC
Qual deles?
Fantasma da Abstenção
O da vassoura. Tenho uma simpatia natural pelo pessoal das vassouras. Sabe, é que a minha avó era bruxa, andava sempre de vassoura. Mas uma vez apanhou uma cardina valente, caiu duma altura do caraças e foi desta para melhor. Agora só a vejo no além.
FdC
Mas você não vive no além?
Fantasma da Abstenção
Vivo, pois. E vejo-a quase todos os dias. Vou sempre almoçar a casa dela. É que isto agora está mau, acredite. E assim poupo umas massas.
FdC
E a culpa de isto estar mau é dos políticos?
Fantasma da Abstenção
Olhe, minha é que não é. Eu trabalho todos os dias a assustar os políticos e a malta das sondagens e faço o melhor que sei e posso. E agora com sete ou oito sondagens por dia tenho trabalhado a dobrar. Nem durmo nada… o meu médico até já disse que ando muito pálido.
FdC
Mas os fantasmas são assim pró esbranquiçado, não vejo o problema de andar pálido…
Fantasma da Abstenção
Oiça lá, mas você sabe mais que o médico?
FdC
Não, não. Adiante. Quem acha que vai ganhar as eleições?
Fantasma da Abstenção
Pelo amor de deus… mas há dúvidas? Quem ganha é sempre a abstenção, mas depois vão para lá sempre os mesmos mamões. Bom, mas isto ainda vai demorar? É que tenho um jantar em casa do meu primo…
FdC
O Fantasma da Ópera?
Fantasma da Abstenção
Não, o Fantasma da Bancarrota. Você devia entrevistá-lo também, olhe que ele é que anda por aí em grande.
FdC
Vamos pensar nisso. Obrigado pela sugestão. Votos de um bom jantar e obrigado por nos receber.
Fantasma da Abstenção
Ora essa.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
Gonçalo Cadilhe, o viajante
Na próxima Quarta-feira, dia 8 de Junho, pelas 21h30, Gonçalo Cadilhe estará no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda para uma conversa sobre as suas viagens, sendo a mesma dinamizada aqui por este rapaz. Sobre o Gonçalo Cadilhe escrevi, em 2007, este breve post aqui no blog. Haverá livros do autor à venda. A entrada é livre e convido-vos a participar.
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Ainda sobre os 5.800 euros
Já tinha escrito ali para baixo um pequeno post sobre este incrível vídeo, uma intervenção do fiscalista Diogo Leite de Campos na SIC, mas agora apetece-me falar um pouco mais a sério. Por este exemplo podemos pensar na quantidade de políticos e seus amigos que, mesmo num país pequeno como o nosso, pairam numa estratosfera de poder, de lóbis, de influências, de dinheiro, que habitam um microcosmos de gabinetes e tecnocracia muito, mas muito distante dos restantes 99% de seus concidadãos, absolutos desconhecidos para os quais se estão rigorosamente nas tintas. Alguém que afirma à boca cheia, em douta e assertiva pose académica, enquanto escreve num quadro branco, que em Portugal receber 5.800 euros líquidos por mês "não chega sequer para o consumo", é alguém que perdeu totalmente a noção do país em que vive.
Agora pensemos o seguinte: quantos políticos teremos mais que, entre flutes de champanhe e lagostas suadas, entre jogos de golfe e passeios de barco, não terão perdido também a noção do país em que vivem? Quem é que gostaria, por exemplo, de ter este senhor como Ministro ou Secretário de Estado das Finanças? Ou da Economia? Ou da Segurança Social? Que políticas, medidas e reformas empreenderia este senhor numa dessas pastas para melhorar a vida dos, segundo ele, miseráveis que têm mil euros por mês ou dos ultra-miseráveis que têm ainda menos e que não são poucos? Que credibilidade pode ter como político e que confiança pode merecer dos eleitores alguém com esta visão do momento em que vivemos?
Para ajudar a esta reflexão, sugiro ainda a leitura desta crónica.
Agora pensemos o seguinte: quantos políticos teremos mais que, entre flutes de champanhe e lagostas suadas, entre jogos de golfe e passeios de barco, não terão perdido também a noção do país em que vivem? Quem é que gostaria, por exemplo, de ter este senhor como Ministro ou Secretário de Estado das Finanças? Ou da Economia? Ou da Segurança Social? Que políticas, medidas e reformas empreenderia este senhor numa dessas pastas para melhorar a vida dos, segundo ele, miseráveis que têm mil euros por mês ou dos ultra-miseráveis que têm ainda menos e que não são poucos? Que credibilidade pode ter como político e que confiança pode merecer dos eleitores alguém com esta visão do momento em que vivemos?
Para ajudar a esta reflexão, sugiro ainda a leitura desta crónica.
Sábado, 28 de Maio de 2011
Uma bela ajuda, sim senhor
Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
XXXVI Jornadas Portuguesas de Genética

As jornadas são uma organização do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e da Sociedade Portuguesa de Genética. Este post está aqui porque a minha mana Lara integra a organização do encontro e porque o design é aqui do rapaz, pro bono. Aliás, minto: segundo consta, os honorários são um jantar em Coimbra. Mais informações aqui.
Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
A avareza
É bem verdade para o mal não há limites. E que o ser humano pode ser infinitamente avarento. E este aspecto da condição humana intriga-me deveras. O que leva uma campónia que jamais na sua vidinha poderia vir a ter semelhante fortuna como fruto do seu trabalho a reclamar para si apenas quinze milhões de euros resultantes de um boletim registado pelo seu namorado com o dinheiro deste à cabeça? Quão avaro pode ser alguém a ponto de preferir arrastar nos tribunais durante cinco anos a divisão de um bolo de milhões de euros (dinheiro que pode governar várias gerações de uma família), perdendo uma boa parte para os advogados, só para ter o prazer de ver a outra parte ficar sem nada? Como pode um namoro de três anos resultar em tamanho ódio? Há quem mate por muito menos e se eu privasse alguém de receber sete milhões e meio de euros, nunca mais dormiria descansado. Não percebo. Não percebo.
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
50 cabras, ou a imagem de Portugal em Dublin

Quando estive em Dublin encontrei, em St. Sthephens Green, um parque da cidade, uma exposição de fotografia que retratava famílias dos diferentes países do mundo, de quase todos. A organização da exposição era aleatória, pelo que andei entusiasmado de foto em foto (eram centenas), até encontrar a foto da família portuguesa. O retrato não podia ser mais desolador. Uma namorada de Erasmus irlandesa que tive nos velhos tempos disse-me um dia que pensava que vinha para um país em que as estradas ainda eram de terra-batida. Na altura estranhei, mas esta fotografia elucidou-me sobre a imagem de Portugal que muito boa gente de outros países ainda tem na cabeça.
"50 cabras, 20 cavalos, 15 vacas, e vinha à volta da casa. Muito trabalho e pouco dinheiro – comenta o José, de 77 anos de idade, que vive com a sua sobrinha de 50 anos."
(Nota: Hoje vai haver muitos portugueses em Dublin. Quer-me parecer que os que não levaram já daqui a cabra a vão apanhar por lá…)
Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Breaking news

A fotografia da Situation Room tirada aquando do ataque a Bin Laden, na qual estavam presentes o Presidente Obama e a Secretária de Estado Hillary Clinton, foi manipulada em Photoshop antes de ser enviada à imprensa, por razões de segurança. A Casa Branca temeu represálias por parte da imprensa cor-de-rosa por estarem todos a gozar com a Princesa Beatrice.
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Breaking news
Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
Já vais tarde
É minha convicção que a morte de um ser humano nunca deve ser celebrada. Neste caso, porém, abro uma excepção, pois terem limpado o sebo a Bin Laden é uma notícia que me deixa deveras contente. Se vivesse nos EUA teria saído à rua a celebrar. Boa viagem para o além, espero que lá esteja o Alá à tua espera e que te entendas às mil maravilhas com ele. É que daqui, já vais tarde.
Domingo, 1 de Maio de 2011
Dia do trabalhador
À porta de minha casa, um homem originário de uma das ex-colónias aborda-me e pergunta-me onde é o LIDL. Eu avisei-o que o LIDL estava fechado pois, apesar da nova lei, li no jornal que a empresa iria dar o feriado aos funcionários (louvável atitude também seguida por outras cadeias de distribuição). Indico-lhe onde é o Continente e aviso-o que é algo longe. Ofereço-me para lhe dar uma boleia até lá. Ele diz-me que vai comprar dois quilos de arroz. A conversa avança e apercebo-me que a razão por que só vai comprar os dois quilos de arroz é porque só tem três euros no bolso e a conta a zero: o patrão não lhe pagou a tempo, apesar de ele o ter avisado que ia ficar sem dinheiro para comer. Já não jantou ontem, Sábado. Sente-se enganado. Veio trabalhar para alguém que lhe disse que lhe pagaria cinco euros por hora, mas afinal desses cinco euros ainda tem que fazer os descontos. Disse-me que em Portugal há muita gente explorada na construção civil, muita gente enganada, e que assim que puder se vai embora de cá. Tive pena deste homem. Entrei com ele no supermercado e comprei umas quantas coisas: um frango assado, pão, vinho. Combinei com ele que esperasse, pois dar-lhe-ia boleia para onde precisasse. Quando chegámos à sua casa, dei-lhe o saco. Ele agradeceu, contente. Um trabalhador a passar fome no dia 1 de Maio? Anda lindo, este país…
Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
5.800 Euros por mês
De longe, o melhor sketch de humor negro em formato stand-up comedy que encontrei nos últimos tempos. Nem o Sinel de Cordes era capaz disto.
Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
Reflexão breve
Em Portugal, um gajo que nem sequer é licenciado, ocultando esse facto e porque tem um bom padrinho político (ex-sócio, mas por pura coincidência), vai nas calmas para um cargo público de administrador no qual ganha (pasme-se) num ano o dinheiro que muito trabalhador honesto e esforçado não ganha numa vida, dinheiro esse pago pelos contribuintes. Entretanto, há pessoal de topo, com mestrados e doutoramentos, a ter que bazar daqui se não quer ficar toda a vida a recibo verde e em casa dos velhotes. No que toca a estes assuntos, a corrupção grosseira disfarçada de simples "influência" e o deserto de possibilidades para grande parte de uma geração que foi para a Faculdade batalhar por um futuro, tenho neste momento real vergonha do nosso país.
Segunda-feira, 25 de Abril de 2011
Salgueiro Maia (1944-1992)
Domingo, 17 de Abril de 2011
Ah ah ah ah ah ah ah…
PSP Louvor por centros de mesa
O director nacional da PSP, Guedes da Silva, louvou em ordem de serviço um agente daquela força de segurança que, durante 18 anos de serviço nas instalações da Direcção Nacional da Polícia, em Lisboa, "se distinguiu pela forma hábil como fazia centros de mesa, usando flores e verduras colhidas nestas mesmas instalações".
in Correio da Manhã, 13/04/2011
O director nacional da PSP, Guedes da Silva, louvou em ordem de serviço um agente daquela força de segurança que, durante 18 anos de serviço nas instalações da Direcção Nacional da Polícia, em Lisboa, "se distinguiu pela forma hábil como fazia centros de mesa, usando flores e verduras colhidas nestas mesmas instalações".
in Correio da Manhã, 13/04/2011
Domingo, 10 de Abril de 2011
"Este filme só estará disponível no seu país dentro de meio ano. Baixar agora?"

Tropa de Elite 2 estreou a 8 de Outubro no Brasil. Eu até compreendia se estreasse em Portugal um ou dois meses depois, embora ache que até faria sentido que estreasse na mesma data, sendo um filme falado em português e Portugal um país irmão lusófono, talvez aquele com o qual o Brasil tem mais afinidades culturais. Agora… 7 de Abril? Seis meses de diferença? Depois admiram-se que as pessoas deixem de ir ao cinema, que a malta faça o download e que as receitas de bilheteira sejam uma miséria. Por aqui, já muita gente viu o Tropa de Elite 2. Lá para Novembro, em casa.
Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
Micro-cronologia de um pedido de ajuda

6 de Abril - Manhã: Financial Times anuncia um pedido de ajuda de Portugal à UE
6 de Abril - Tarde: o gabinete do Primeiro-Ministro desmente a notícia
6 de Abril - Noite: o Primeiro-Ministro confirma o pedido de ajuda apresentado à UE
Só foi pena o atraso de 5 dias. No dia 1 de Abril, tinha sido na mouche.
Domingo, 3 de Abril de 2011
Rui, o Odioso

Este gajo é o Rui Sinel de Cordes. Neste momento, deve ser o tipo a quem mais portugueses gostariam de partir as ventas. Aos Açores, duvido que lá volte. O Sam The Kid esteve quase para chamar os amigos de Chelas para lhe zuparem o pêlo. E não me admirava nada que mais uma pouca de gente famosa também lá fosse molhar a sopa, se pudesse: Malato, Cláudio Ramos, Rita Pereira, Angélico, Tino de Rans, José Carlos Pereira e vários outros [não foram incluídos nesta lista o Carlos Castro porque está morto, o Renato Seabra porque na choldra lá nos EUA não deve ter SIC Radical, o Humberto Bernardo porque há muito tempo que já não é famoso e o Castelo Branco porque, obviamente, aquilo não é gente]. Videos, aqui. Do melhor. Ganda Rui!
Quinta-feira, 31 de Março de 2011
Faça você mesmo o seu talk-show
Vai precisar de:
Uma secretária horrível, um sofá mais horrível ainda, de preferência com padrões estampados e braços de madeira, uma caneca com o logo do programa que se estiver vazia serve para fingir que bebe, uma fotografia de fundo com a vista de uma cidade com muitos arranha-céus ou uma baía de mar, tirada de noite ou assim ao lusco-fusco, uma banda residente capaz de tocar de olhos fechados um abrangente repertório entre Zé Cabra e John Cage, convidados, público ou gargalhadas gravadas e, obviamente, um gajo que filme, que deverá ele próprio ser filmado pelo menos de cinco em cinco programas.
O alinhamento:
À entrada - começar por dizer "hoje temos um grande programa".
A seguir - contar umas piadolas sobre políticos, gente famosa e acontecimentos idiotas.
Convidados - 50% de actores, 30% de músicos, 10% de políticos, 5% de gente anónima temporariamente famosa por causa de uma estupidez qualquer, 5% de gente famosa mas que ninguém sabe por que razão.
Nas entrevistas aos convidados - falar-lhes de: o novo filme / o novo álbum / o recente casamento / os filhos / o livro / a estupidez que os fez temporariamente famosos / qualquer coisa.
Ao apresentar a banda convidada - fazê-lo com incontrolável entusiasmo se forem uns desgraçados quaisquer altamente promissores mas que daqui a meio ano já andam metidos na droga e ninguém se lembra deles, fazê-lo com relativa normalidade se forem os U2, os Stones ou malta desse calibre.
Na despedida - dar umas pistas sobre o programa seguinte, dizer até amanhã ou até para a semana e fazer uma macacada qualquer.
Uma secretária horrível, um sofá mais horrível ainda, de preferência com padrões estampados e braços de madeira, uma caneca com o logo do programa que se estiver vazia serve para fingir que bebe, uma fotografia de fundo com a vista de uma cidade com muitos arranha-céus ou uma baía de mar, tirada de noite ou assim ao lusco-fusco, uma banda residente capaz de tocar de olhos fechados um abrangente repertório entre Zé Cabra e John Cage, convidados, público ou gargalhadas gravadas e, obviamente, um gajo que filme, que deverá ele próprio ser filmado pelo menos de cinco em cinco programas.
O alinhamento:
À entrada - começar por dizer "hoje temos um grande programa".
A seguir - contar umas piadolas sobre políticos, gente famosa e acontecimentos idiotas.
Convidados - 50% de actores, 30% de músicos, 10% de políticos, 5% de gente anónima temporariamente famosa por causa de uma estupidez qualquer, 5% de gente famosa mas que ninguém sabe por que razão.
Nas entrevistas aos convidados - falar-lhes de: o novo filme / o novo álbum / o recente casamento / os filhos / o livro / a estupidez que os fez temporariamente famosos / qualquer coisa.
Ao apresentar a banda convidada - fazê-lo com incontrolável entusiasmo se forem uns desgraçados quaisquer altamente promissores mas que daqui a meio ano já andam metidos na droga e ninguém se lembra deles, fazê-lo com relativa normalidade se forem os U2, os Stones ou malta desse calibre.
Na despedida - dar umas pistas sobre o programa seguinte, dizer até amanhã ou até para a semana e fazer uma macacada qualquer.
Terça-feira, 22 de Março de 2011
Foram 14 anos de uma busca que terminou agora
Decorria o Ano do Senhor de 1997. O saudoso Made in Portugal brindava-nos semanalmente com o melhor nacional-cançonetismo da cassete pirata. Êxitos como Vem devagar, emigrante, do grande Graciano Saga, faziam as delícias de quem assistia a esse mítico programa de televisão apresentado pelo Carlos Ribeiro, verdadeiro embaixador de uma certa portugalidade de bailarico que passámos a chamar de Música Pimba. Para mim, o mais engraçado era que, todas as semanas, por muito improvável que parecesse, a fasquia ia descendo e descendo: havia sempre um tipo ou uma tipa que conseguia fazer uma coisa ainda mais horrenda. Porém, houve um programa no qual a coisa bateu mesmo na rocha-mãe, era impossível alguém chegar mais fundo sem recorrer a maquinaria pesada. Na altura não havia Youtubes e, apesar de conseguir encontrar a cassete numa bomba de gasolina para poder ir partindo o caco a rir com a malta, nunca me foi possível poder mostrar o quão mau era também o videoclip. Andei 14 anos à procura dele, mas a espera acabou. Por isso, é um privilégio poder agora partilhar convosco a pior música que já ouvi em toda a minha vida: o Toxicodependente Recuperado.
Inquérito aos leitores
Estive a pensar sobre o assunto e gostava de, recorrendo a uma amostra, saber como está a vibração de copos nos dias de hoje. Quem já conseguiu fazer um copo de pé alto, mesmo que de vulgar de vidro, emitir um som induzido por vibração, clique sim. Quem não, clique… não. Muito obrigado a todos os que colaborarem. É que ando mesmo intrigado com isto.
Actualização [03/04/2011]
Neste momento, 13 leitores declararam que conseguem fazer vibrar copos e 4 que não. Segundo esta amostra, cerca de um terço da população mundial consegue fazer copos emitir som. Obrigado a todos os que me ajudaram a esclarecer esta angustiante questão.
| Consegue fazer vibrar copos? | |
|---|---|
| Sim | |
| Não | |
| = see results = | |
Actualização [03/04/2011]
Neste momento, 13 leitores declararam que conseguem fazer vibrar copos e 4 que não. Segundo esta amostra, cerca de um terço da população mundial consegue fazer copos emitir som. Obrigado a todos os que me ajudaram a esclarecer esta angustiante questão.
Terça-feira, 15 de Março de 2011
Uma boa notícia para os entusiastas do Golf (o Volkswagen, note-se)

Isto foi a cena mais engraçada que vi na televisão nos últimos tempos: a RTP, no Jornal da Tarde de hoje, ilustrou com imagens de um Volkswagen Golf um teaser da notícia sobre o IVA de 6% para o golfe. Ao menos, para a Volkswagen e para os potenciais compradores do modelo, uma boa notícia. Vídeo original aqui, clip no Youtube aqui.
Segunda-feira, 14 de Março de 2011
O golfista maltrapilho
Se vir um golfista na rua, ajude-o. Seja generoso, mesmo que os dias também não sejam fáceis para si. Você vive no interior e agora, se não quiser andar em sinuosas e perigosas estradas esburacadas, vai ter que pagar portagens em auto-estradas que deveriam ser sem custos, como alguém em que votou lhe prometeu? Pois, mas uma mensalidade do clube de golfe também não é barata. Você tem filhos na escola e perdeu o abono de família? Tem razão, mas sabe quanto custam hoje em dia uns tacos de golfe de qualidade média? E escolas para os miúdos há em todo o lado, mas campos de golfe não há tantos assim. E ainda por cima estão sempre cheios de turistas ingleses… e esses, coitados, ainda têm que pagar o avião e o hotel. Como vê, a vida de um golfista também é bem difícil. E se nunca viu um golfista maltrapilho, é porque não anda atento, porque há muitos: vestem modestos pólos Berg em vez de Lacoste. Por isso, não olhe só para os seus problemas. Agora que vai ter que entregar o IRS, pode colocar uma cruzinha para que seja feita uma doação ao clube de golfe da sua Freguesia. Ou então, se não quiser ajudar um clube de golfe inteiro, pode ajudar pelo menos um golfista. Em vez de comprar leite com chocolate para o lanche dos seus filhos, dê-lhes antes leite simples, que faz bem melhor e não estraga os dentes. Com o que poupar em IVA durante uns meses, faça feliz um golfista. Compre-lhe aquele putter com que sempre sonhou, ou pague-lhe o caddie durante um dia. Um pequeno gesto fará toda a diferença. Fazer o bem sem olhar a quem, mesmo que seja um jogador de golfe.
Portugal, um país onde jogar golfe é uma necessidade básica e dar de beber leite achocolatado a um filho é um luxo
Produtos ou serviços cujo IVA passou de 6 para 23%
Alimentação
Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados ou enriquecidos; bebidas e sobremesas lácteas; bebidas, iogurtes e sobremesas de soja, incluindo tofu; refrigerantes, sumos e néctares de frutos ou de produtos hortícolas, incluindo os xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos.
Outros
Utensílios e outros equipamentos exclusiva ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios; prática de actividades físicas e desportivas (ginásios).
Produtos ou serviços cujo IVA passou 13 para 23%
Alimentação
Conservas de carne e miudezas comestíveis; conservas de moluscos (ficam de fora as de peixe); conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas; Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas; óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares); margarinas de origem animal e vegetal; aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes; aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais.
Outros
Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas; plantas ornamentais.
Fonte: Jornal de Notícias
Hoje, a comunicação social noticiou que o IVA sobre a prática de Golfe vai baixar de 23% para 6%. Que alguém me explique o que se passa neste país de doidos, por favor. Por muito boa vontade que se tenha, por muito esforço intelectual que se faça… não dá para entender.
Alimentação
Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados ou enriquecidos; bebidas e sobremesas lácteas; bebidas, iogurtes e sobremesas de soja, incluindo tofu; refrigerantes, sumos e néctares de frutos ou de produtos hortícolas, incluindo os xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos.
Outros
Utensílios e outros equipamentos exclusiva ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios; prática de actividades físicas e desportivas (ginásios).
Produtos ou serviços cujo IVA passou 13 para 23%
Alimentação
Conservas de carne e miudezas comestíveis; conservas de moluscos (ficam de fora as de peixe); conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas; Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas; óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares); margarinas de origem animal e vegetal; aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes; aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais.
Outros
Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas; plantas ornamentais.
Fonte: Jornal de Notícias
Hoje, a comunicação social noticiou que o IVA sobre a prática de Golfe vai baixar de 23% para 6%. Que alguém me explique o que se passa neste país de doidos, por favor. Por muito boa vontade que se tenha, por muito esforço intelectual que se faça… não dá para entender.
Domingo, 13 de Março de 2011
Quinze mil, quatrocentos e um quilómetros e cento e setenta e cinco metros… em um ano

Stefaan Engels tem 49 anos, nasceu na Bélgica e a 5 de Fevereiro de 2011 bateu um recorde que desafia as capacidades do corpo humano: correu 365 maratonas em um ano, uma por dia. Sete delas foram corridas em Portugal. Mais sobre o feito na sua página oficial.
Terça-feira, 1 de Março de 2011
O Evereste de 88 andares

A 1 de Setembro de 2009, Alain Robert, também conhecido como o homem-aranha francês, trepou, em menos de duas horas e sem qualquer ajuda ou dispositivo de segurança, ao topo de uma das Petronas Towers, dois dos edifícios mais altos do mundo. A 452 metros acima do solo, ergueu os braços ao alto. Se a fotografia é impressionante, o vídeo da chegada ao topo é de cortar a respiração. Este homem é um gigante.
Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
Mais de cinquenta por cento
Preços dos combustíveis no dia 5 de Novembro de 2010, na Galp da Póvoa do Mileu, na Guarda:
Gasolina 95 > 1.349€
Gasóleo > 1.144€
Preços dos combustíveis hoje, dia 27 de Fevereiro de 2011, na Galp da Póvoa do Mileu, na Guarda (faltam uns dias para terem passado 4 meses):
Gasolina 95 > 1.495€
Gasóleo > 1.349€
Note-se o curioso facto de o que custava um litro de gasolina 95 há cerca de 4 meses atrás ser exactamente o que custa um litro de gasóleo hoje.
Note-se que, a manter-se a tendência desta variação em menos de 4 meses, o preço do gasóleo, em um ano, vai aumentar cerca de 52%, mais de metade.
Porém, ninguém faz nada. Ninguém protesta. Ninguém faz barulho.
Gasolina 95 > 1.349€
Gasóleo > 1.144€
Preços dos combustíveis hoje, dia 27 de Fevereiro de 2011, na Galp da Póvoa do Mileu, na Guarda (faltam uns dias para terem passado 4 meses):
Gasolina 95 > 1.495€
Gasóleo > 1.349€
Note-se o curioso facto de o que custava um litro de gasolina 95 há cerca de 4 meses atrás ser exactamente o que custa um litro de gasóleo hoje.
Note-se que, a manter-se a tendência desta variação em menos de 4 meses, o preço do gasóleo, em um ano, vai aumentar cerca de 52%, mais de metade.
Porém, ninguém faz nada. Ninguém protesta. Ninguém faz barulho.
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
O Campino Coreano

A minha nova produção de filme-legenda.
Ele nasceu na Coreia mas queria ser campino.
Activar as legendas canto inferior direito do vídeo (CC)
Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
Os gajos que fazem isto são mesmo uns fixes

O Bruno Aleixo começou por ser um Ewok do Star Wars que vivia ali em Coimbra e frequentava o café do Aires. Fugiu para o Brasil onde permaneceu incógnito durante uns tempos, e regressou a Portugal com novo look, visto que não podia aparecer na televisão como Ewok, pois o George Lucas podia aparecer por aí a pedir dinheiro, e o homem já tem pouco, coitado. Depois da operação plástica, Bruno Aleixo estreou um programa de televisão na Sic Radical. Sobre o assunto, ver primeiro este vídeo. E depois, este. Que bem jogado.
Os juros e as minhocas
De há uns tempos para cá apareceram uns novos tipos a povoar os noticiários, uns tais de mercados. Agora trouxeram a família, uns tais de juros da dívida. Eu nunca fui grande coisa no que toca a contas de finanças, mas na minha modesta análise, vou pensando sobre o assunto. Um gajo que compra um apartamento T1 sabe ao menos que o juro sobre o que deve pode variar de 3 em 3 meses, de 6 em 6, ou anualmente. Mas o dinheiro que os países, que agora mais parecem empresas, pedem e emprestam uns aos outros, varia de juros diariamente, ou de manhã para a tarde. Por norma, estas notícias sobre os juros da dívida são ilustradas com imagens de uns tipos todos engravatadinhos sentados em frente de seis ou sete monitores com uns gráficos e umas coisas que ninguém percebe, umas riscas que sobem e outras que descem. E eu penso: onde e quando é que se falhou? Alguém acredita ainda nesta coisa insustentável? Como é que o futuro de um país pode andar para cima e para baixo como uma minhoca desorientada, todos os dias, num monitor de um computador?
Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Teoria geral sobre o cagaço de andar de avião
Não quero com este post dar a entender que sou o gajo mais destemido do mundo. Não tenho nenhuma fobia, mas porra, toda a gente tem medo de qualquer coisa, que mais não seja de levar um enxerto de porrada duns lelos ou de ser obrigado a ouvir o álbum completo do José Castelo Branco. Mas a verdade é que nunca tive medo de andar de avião, muito pelo contrário: tenho é pena de não poder andar mais vezes. Não por ser amante de aviões, mas porque andar de avião significa viajar. Claro está que não é a minha atitude descontraída em relação à coisa que vai impedir que aquilo caia. Mas as pessoas escolhem andar de avião ou não andar de avião. Quem escolhe não andar, faz uma escolha legítima e respeitável: tem medo, não anda. Mas quem escolhe andar, a partir do momento em que entra num avião, escusa de se preocupar, porque se o bicho tiver que cair, cai na mesma, quer um gajo esteja preocupado e a roer as unhas, ou a ler o jornal e a beber um cognac, ou a ferrar o galho em sonhos cor-de-rosa. Por isso, mais vale viajar na real cagativa. Na última viagem de avião que fiz, um relâmpago atingiu o aparelho. Um estrondo do caraças. E mesmo assim, não me assustei muito. Ele há coisas.
Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
O Jornal i

O nosso país tem cinco jornais diários dignos desse nome. Um deles não é bem diário, é diário e "fimdessemanário". O i ainda não fez dois anos e há uns tempos chegou-se a falar do seu hipotético encerramento, mas o i lá vai resistindo. Não me sinto habilitado a dizer que é o melhor jornal português em conteúdo informativo, mas posso dizer que nunca comprei ou folheei uma edição do i que fosse um desperdício completo, coisa que já aconteceu muitas vezes com outros jornais. Porém, sinto-me habilitado a dizer que o i é, a léguas de distância, o melhor jornal português no que toca ao seu design. Colorido, fresco, fácil de ler, agradável de folhear, com uma boa relação entre textos e fotografias, com espaços para respirar, sem estar atafulhado, sem excessos, com infografia criativa e interessante. Já comentei isto várias vezes com algumas pessoas. É um luxo encontrar na banca um jornal assim. Mas agora já não sou só eu que o digo: o i ganhou esta semana o prémio para o jornal com melhor design do mundo, o mais importante galardão da especialidade, atribuído pela Society for news design. Note-se: em competição com quase 500 outros títulos de todo o mundo. O jornal Público teve a cortesia de fazer desse prémio notícia, pelo menos na edição online. Os outros, nicles. Dor de cotovelo? Dor de lombada? Na TV, também nada: nicles e picles. Enfim…
Os meus sinceros parabéns ao i. De leitor, primeiro. De designer, logo a seguir.
Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011
Um post sobre um papagaio
No hipermercado E. Leclerc da Figueira da Foz há uma loja de animais. Só pelos aquários vale a pena uma ida lá, pois é tipo o Oceanário de Lisboa só que na Figueira e mais pequeno. Também há lá umas tarântulas e uns lagartões, mas a cena mais porreira da loja é um papagaio. Na gaiola está um aviso: o bicho não é para venda. É um papagaio residente. Deve ser funcionário. E um funcionário e peras, pois fala francês fluentemente, imita vários sons e está sempre bem-disposto. Para ele estar na gaiola não é grande stress. Desde que tenha sementes de girassol e gente a andar por ali ele lá vai mandando uns bitaites e animando a loja. Um gajo porreiro. E por que é que eu escrevi um post sobre o meu amigo papagaio? Por nada. Só que também não tinha grande coisa para escrever e por acaso lembrei-me dele. Bom, não foi bem por acaso. É que ando há dias a partir o caco a rir por causa de outro papagaio, só que, infelizmente, morto. Aqui.
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Whisky
Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Retra(c)tamento
Apesar deste post, vou reactivar o Facebook. Algumas pessoas que me são queridas estão muito longe e Farmvilles e futriquices à parte, é a forma mais prática de saber delas. Mantenho porém a intenção de não alimentar vacas nem enviar fardos de palha…
Apesar deste post, que me causou alguma indignação por causa da forma como foi tratada a notícia da morte de José Saramago, tenho a dizer agora o seguinte: apesar de uma certa veia popularucha, o Correio da Manhã tem sido o jornal que mais frontalmente tem exposto a corrupção, as fraudes e as práticas lesivas do interesse público. Dou por concluído o embargo.
Finalmente, sobre este post: por ter razão no que disse, a TMN ofereceu-me em crédito de chamadas os 35 Euros que custava o bilhete. Foi logo passado uns dias e na sequência de um mail que enviei. Nunca mais me lembrei do assunto mas aqui fica agora nota dessa atitude digna de louvor. Assim é que se tratam os clientes.
Apesar deste post, que me causou alguma indignação por causa da forma como foi tratada a notícia da morte de José Saramago, tenho a dizer agora o seguinte: apesar de uma certa veia popularucha, o Correio da Manhã tem sido o jornal que mais frontalmente tem exposto a corrupção, as fraudes e as práticas lesivas do interesse público. Dou por concluído o embargo.
Finalmente, sobre este post: por ter razão no que disse, a TMN ofereceu-me em crédito de chamadas os 35 Euros que custava o bilhete. Foi logo passado uns dias e na sequência de um mail que enviei. Nunca mais me lembrei do assunto mas aqui fica agora nota dessa atitude digna de louvor. Assim é que se tratam os clientes.
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
Todos os dias
Todos os dias te amo.
Todos os dias penso em ti.
Todos os dias queria abraçar-te.
Todos os dias tenho saudades tuas.
Todos os dias visualizo o teu sorriso.
Todos os dias sonho contigo acordado.
Todos os dias queria dizer-te bom dia ao ouvido.
Todos os dias te imagino a passear junto ao mar.
Todos os dias respiro o teu perfume inventado no ar.
Todos os dias fecho os olhos para me lembrar da cor dos teus.
Todos os dias quero acreditar que hei-de merecer o teu carinho.
Todos os dias preenches a minha alma.
Todos os dias és o meu maior desejo.
Todos os dias me abençoas.
Todos os dias me moves.
Todos os dias.
Todos.
Todos os dias penso em ti.
Todos os dias queria abraçar-te.
Todos os dias tenho saudades tuas.
Todos os dias visualizo o teu sorriso.
Todos os dias sonho contigo acordado.
Todos os dias queria dizer-te bom dia ao ouvido.
Todos os dias te imagino a passear junto ao mar.
Todos os dias respiro o teu perfume inventado no ar.
Todos os dias fecho os olhos para me lembrar da cor dos teus.
Todos os dias quero acreditar que hei-de merecer o teu carinho.
Todos os dias preenches a minha alma.
Todos os dias és o meu maior desejo.
Todos os dias me abençoas.
Todos os dias me moves.
Todos os dias.
Todos.
Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Guia prático para escolha do nome de um filho e 'fun quiz' a propósito e música a propósito
1. Não escolha nomes que podiam ser de um travesti.
Siga estes preciosos conselhos e evite gastar fortunas em psicoterapia no futuro.
Fun quiz:
Dos seguintes nomes, três são de travestis supostamente famosos e um é o de uma inocente menina que nasceu há dias (pasme-se: filha de um casal português). Adivinhe e ganhe fantásticos prémios.
Guida Scarllaty
Belle Dominique
Lyonce Viiktórya
Tatiana Romanova (ou aquela senhora também conhecida como José Castelo Branco)
E aqui fica, para banda sonora do post, esta musiquinha.
Siga estes preciosos conselhos e evite gastar fortunas em psicoterapia no futuro.
Fun quiz:
Dos seguintes nomes, três são de travestis supostamente famosos e um é o de uma inocente menina que nasceu há dias (pasme-se: filha de um casal português). Adivinhe e ganhe fantásticos prémios.
Guida Scarllaty
Belle Dominique
Lyonce Viiktórya
Tatiana Romanova (ou aquela senhora também conhecida como José Castelo Branco)
E aqui fica, para banda sonora do post, esta musiquinha.
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Só por causa da nova imagem ali em cima
Já passei sete vezes a correr debaixo da Ponte da Arrábida. Seis passagens em três Maratonas (duas vezes em cada prova, uma para lá e outra para cá) e outra numa Meia-maratona. Já vi alguns rios bonitos, meia-dúzia em Portugal e dois ou três lá fora. O meu pai ensinou-me a nadar no Mondego. Nadei algumas vezes no Tejo, na barragem do Fratel. E quis atravessar o Douro a nado, perto de Cinfães. Só que afinal não era o Douro, era só a Ribeira de Bestança. O Douro é o rio mais bonito do mundo. E ainda o hei-de atravessar a nado.
Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Saldos, uma viagem desde e até
O mundo seria um sítio melhor se as palavras "desde" e "até" fossem trocadas nos saldos. Começam os saldos e aí estão as montras com gigantescos cinquentas e setentas por cento colados, mas depois está lá um minúsculo "até". No interior das lojas, nas estantes e nos cabides, estão os não menos gigantescos preços de 15€, 25€ e afins, mas com a microscópica palavrinha "desde" por ali perto. "Desde" 15€ pode chegar a mais infinito. "Até" 50% começa em zero. Se oferecerem umas cuecas a alguém, "até" podem pôr lá 100% de saldo na montra, porque "até" fizeram um desconto de 100%. Pena que foi só numas cuecas. E no monte dos "desde" 10€ podia lá estar um Ferrari. Não era melhor falar claro ao consumidor? Saldos de xis por cento. E preço de xis. "Desde" que se fizesse assim, "até" podia haver saldos sem intrujice…
Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Aos amigos e às amigas
Um fulano que também se chama Sérgio e com o qual já tive o privilégio de beber uns valentes copos de tinto canta assim: "é que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há". E tem razão, não há mesmo. Este Natal e esta passagem de ano fiz poucos telefonemas, enviei poucas mensagens SMS, respondi ainda a menos. Uma lástima, eu sei. Mas este post não é para pedir desculpa, é só para explicar muito brevemente o projecto: este ano, vou tentar honrar um pouco melhor a amizade dos meus amigos. E ainda assim, mesmo já com algum atraso… Feliz Ano Novo. Para os amigos primeiro, para os leitores logo a seguir.
Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
Best "off" 2010
Dado que não me sinto musicalmente informado para fazer um best of musical de 2010, aqui fica um modesto e assumidamente desinformado best off.
Internacionais
1. The National - High Violet

2. Arcade Fire - The Suburbs

3. LCD Soundsystem - This is happening

4. Gorillaz - Plastic Beach

5. Janelle Monáe - The Archandroid

E eles que me perdoem mas eu não consigo gostar de Vampire Weekend.
Nacionais / lusófonos
1. Camané - Do amor e dos dias

2. Mão Morta - Pesadelo em Peluche

3. Seu Jorge & Almaz

4. Pop dell'Arte - Contra Mundum

5. Orelha Negra
Internacionais
1. The National - High Violet

2. Arcade Fire - The Suburbs

3. LCD Soundsystem - This is happening

4. Gorillaz - Plastic Beach

5. Janelle Monáe - The Archandroid

E eles que me perdoem mas eu não consigo gostar de Vampire Weekend.
Nacionais / lusófonos
1. Camané - Do amor e dos dias

2. Mão Morta - Pesadelo em Peluche

3. Seu Jorge & Almaz

4. Pop dell'Arte - Contra Mundum

5. Orelha Negra
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Guia prático para jantares de Natal
Até dia 24 de Dezembro vai haver alguns milhões de jantares de Natal e por isso recomendo-vos vivamente a leitura deste guia. Aqui ficam então alguns conselhos práticos.
1. Chegar atrasado. É importantíssimo. Nunca menos de 10 minutos mas também sem ultrapassar a meia hora. Se se chega a horas os restantes convivas pensam que não temos vida própria e que estamos ansiosos para ir conviver para o jantar de Natal.
2. Comer bem mas não encher a mula à labrego. Se um gajo come que nem um alarve no jantar de Natal os restantes convivas vão pensar que andámos a passar fome todo o ano.
3. Beber bem mas não apanhar uma carraspana. Está acumulada a pressão de um ano inteiro e o mais provável é manchar o jantar com uma promessa de porrada a um colega ou ao chefe, ou toda a gente expulsa do restaurante por causa da guerra de pão entre mesas.
4. Tentar aparecer nas fotos de início. Fugir das fotos finais. Nas fotos de início ninguém tem nódoas na roupa nem gravatas na cabeça e afins.
5. No caso de haver troca de prendas, não comprar uma merda qualquer do chinês. Ninguém gosta de receber uma merda qualquer do chinês. Com 3 euros compra-se uma garrafa de vinho decente e até um chinês gostaria mais dela do que duma merda qualquer comprada na loja do primo ou na dele.
6. Recusar a todo o custo fazer qualquer tipo de discurso. Normalmente, a pessoa que faz o discurso faz também figura de urso. E é um jantar, não é um comício.
7. Assim que chegar a altura de pagar, estar na linha da frente. Pagar e desandar. São sempre os últimos a pagar que têm que solidariamente cobrir os vinte e tal whiskies a mais que alguém bebeu mas que ninguém sabe quem foi.
Estes são os conselhos básicos para um jantar de Natal em segurança. Caso os leitores queiram contribuir, este guia irá sendo actualizado até dia 24. E assim sendo… feliz jantar de Natal.
1. Chegar atrasado. É importantíssimo. Nunca menos de 10 minutos mas também sem ultrapassar a meia hora. Se se chega a horas os restantes convivas pensam que não temos vida própria e que estamos ansiosos para ir conviver para o jantar de Natal.
2. Comer bem mas não encher a mula à labrego. Se um gajo come que nem um alarve no jantar de Natal os restantes convivas vão pensar que andámos a passar fome todo o ano.
3. Beber bem mas não apanhar uma carraspana. Está acumulada a pressão de um ano inteiro e o mais provável é manchar o jantar com uma promessa de porrada a um colega ou ao chefe, ou toda a gente expulsa do restaurante por causa da guerra de pão entre mesas.
4. Tentar aparecer nas fotos de início. Fugir das fotos finais. Nas fotos de início ninguém tem nódoas na roupa nem gravatas na cabeça e afins.
5. No caso de haver troca de prendas, não comprar uma merda qualquer do chinês. Ninguém gosta de receber uma merda qualquer do chinês. Com 3 euros compra-se uma garrafa de vinho decente e até um chinês gostaria mais dela do que duma merda qualquer comprada na loja do primo ou na dele.
6. Recusar a todo o custo fazer qualquer tipo de discurso. Normalmente, a pessoa que faz o discurso faz também figura de urso. E é um jantar, não é um comício.
7. Assim que chegar a altura de pagar, estar na linha da frente. Pagar e desandar. São sempre os últimos a pagar que têm que solidariamente cobrir os vinte e tal whiskies a mais que alguém bebeu mas que ninguém sabe quem foi.
Estes são os conselhos básicos para um jantar de Natal em segurança. Caso os leitores queiram contribuir, este guia irá sendo actualizado até dia 24. E assim sendo… feliz jantar de Natal.
Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
Despojos do dia
Tenho um ódio de estimação pelos concursos Reality Show. Acho que são programas idiotas que exploram as debilidades e as expectativas das pessoas que neles participam para daí extrair entretenimento que nem diverte, nem ensina, nem nada, apenas fomenta o voyeurismo e a futriquice. Alguns, porém, vão mesmo muito além do compreensível. Hoje apanhei num zapping um episódio do The Biggest Loser, no qual participam pessoas extremamente obesas que todas as semanas se sujeitam exibir os seus corpos que são para os próprios mote de alguma vergonha ou desconforto enquanto sobem a uma balança que determina se continuam no programa ou se vão para casa, dependendo a decisão da perda de peso que conseguiram. Fazer daquilo um espectáculo é um atentado à dignidade humana. Mas há quem se sujeite, e quem lucre com isso.
Quem quiser, que me chame picuinhas, mas eu sou um gajo que gosta do Português bem escrito e bem falado. Há um problema gravíssimo com a nossa Língua nas escolas e que transita para a sociedade. Dezenas de milhares de Licenciados saem das Faculdades sem saber estruturar um relatório com cabeça, tronco e membros. Só que agora andamos todos muito preocupados com a crise e isso até parece um problema de somenos importância. Se numa entrevista ou debate ou emissão em directo de televisão qualquer pessoa está sujeita a atirar para ali uma calinada, um anúncio televisivo é (ou deveria ser) um produto concebido, gravado, verificado e aprovado por vários profissionais. E por isso, eu fico indignado quando um anúncio de uma cadeia de supermercados, neste caso o Minipreço, nos fala em "quinhentas" gramas. A voz é do Miguel Guilherme. Será que nem ele deu conta?
Hoje apanhei na VH1 o videoclip Lovecats, dos The Cure. Dou por mim a pensar, por uma fracção de segundo: "mas quem é aquele puto?" Claro, era o Robert Smith. No vídeo, tinha 24 anos. E eu, já tenho 35. Nem dei por isso. Que grande merda…
Quem quiser, que me chame picuinhas, mas eu sou um gajo que gosta do Português bem escrito e bem falado. Há um problema gravíssimo com a nossa Língua nas escolas e que transita para a sociedade. Dezenas de milhares de Licenciados saem das Faculdades sem saber estruturar um relatório com cabeça, tronco e membros. Só que agora andamos todos muito preocupados com a crise e isso até parece um problema de somenos importância. Se numa entrevista ou debate ou emissão em directo de televisão qualquer pessoa está sujeita a atirar para ali uma calinada, um anúncio televisivo é (ou deveria ser) um produto concebido, gravado, verificado e aprovado por vários profissionais. E por isso, eu fico indignado quando um anúncio de uma cadeia de supermercados, neste caso o Minipreço, nos fala em "quinhentas" gramas. A voz é do Miguel Guilherme. Será que nem ele deu conta?
Hoje apanhei na VH1 o videoclip Lovecats, dos The Cure. Dou por mim a pensar, por uma fracção de segundo: "mas quem é aquele puto?" Claro, era o Robert Smith. No vídeo, tinha 24 anos. E eu, já tenho 35. Nem dei por isso. Que grande merda…
Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Amigos… brindemos à República!

Algum cansaço e ensaios e não sei quê têm feito que aqui este vosso tenha andado algo alheado da escrita no blog. Subimos ao palco hoje Sexta, Sábado e Domingo. Para Sábado à noite e Domingo à tarde ainda há bilhetes, mas não muitos. Cartaz, da autoria aqui do rapaz. Amigos… brindemos à República!
Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
A educação e a torrada
Muito da educação e da cortesia entre as pessoas pode ser explicado por uma torrada. Uma da mais elementares regras da educação é que a comida, o alimento, é sempre para partilhar, seja em que situação for. E por isso, quando estamos à mesa do restaurante a esquartejar impiedosamente um bom bife e aparece alguém que nos cumprimenta, dizemos sempre, por uma questão de educação, "é servido?", ao que o nosso interlocutor costuma responder "obrigado, bom apetite", ou algo parecido. Claro está que para que tudo isto se passe sem percalços e fiquemos apenas no plano da educação e da cortesia, é necessário que seja aplicado um bom bocadinho de inteligência emocional, pois a pessoa que convida não está propriamente a convidar, está apenas a ser educada, e a pessoa que é convidada não está propriamente a ser convidada, está apenas a receber umas palavras de boa educação, às quais deve corresponder. Isto, na generalidade dos casos, pois há malta que em vez de perguntar se somos servidos, manda logo vir mais um prato e um talher e leva a mal se não almoçarmos outra vez, mesmo que tenhamos acabado de comer uma chanfana. Mas vamos à torrada. Numa situação mais descontraída que um almoço, como um lanche com colegas, alguém pede uma torrada. Obviamente, oferece. E como aceitar um pedaço duma torrada não é algo tão formal como aceitar um almoço ou um jantar, a outra pessoa pode obviamente aceitar. O que não pode é cometer a grosseria de amarfanhar logo a fatia do meio, que é a mais fofinha, a mais desejada, uma espécie de Miss Universo das fatias de pão torrado. Mas o problema é que quem oferece não especifica e, portanto, numa análise meramente pragmática da situação, poder-se-ia atacar a fatia do meio sem problemas. Mas lá está, é preciso a tal inteligência emocional, de quem oferece, e de quem aceita. Se a pessoa que oferece só o faz depois de ter retirado a fatia do meio, não está a ser correcta porque a oferecer, oferece-se primeiro ou enceta-se a torrada pelos lados, sendo que ambas as situações não garantem a integridade da fatia do meio. Mesmo que a pessoa optasse por oferecer depois de retirar primeiro a fatia do meio, uma torrada normal tem dois andares e isso exporia a segunda fatia do meio, a da camada de baixo. E portanto, isto é uma situação muito delicada e que exige muito da educação, da cortesia e da inteligência emocional das pessoas. A verdadeira boa educação reside na combinação da oferta despreocupada de um pedaço de torrada antes desta ser encetada, correspondida por uma retirada de um dos pedaços do lado da mesma. A pessoa que oferece diz implicitamente "já que tenho que partilhar este pedaço de alimento contigo, espero ao menos que não sejas troglodita ao ponto de te atirares à fatia do meio", e a pessoa que aceita diz "vou controlar a minha voraz e animalesca vontade de surripiar indecentemente essa bronzeada fatia do meio porque apesar de não mereceres ainda tenho uma réstia de consideração por ti". Bonito, não é?
Guia prático para a compra de caixas de chocolate

Já no ano passado escrevi aqui no blog sobre o flagelo da roubalheira das caixas de chocolate, e este ano decidi aprofundar o tema, numa linha de serviço público praticada pelo Filosofia de Curral e que é do conhecimento geral dos leitores. Logo a seguir ao flagelo da roubalheira das portagens nas ex-SCUT, a gatunagem das caixas de chocolates constitui o mais vil e grave assalto ao consumidor de que há memória. E por isso, aqui ficam algumas questões a ter em conta no momento de adquirir uma caixa de chocolates:
O peso
A aquisição de uma caixa de chocolates constitui a situação na qual o consumidor deve estar mais atento à questão dos gramas, logo a seguir, claro está, à compra de droga. Um olhar atento ao peso líquido dos chocolates numa caixa é o primeiro passo para não sermos gamados. Vejamos: um chocolate Snickers, que é uma coisa consistente e que alimenta, pesa 57g e pode ser adquirido por uns 0,90€ (isto, claro está, se não for numa estação de serviço, pois nesse caso o seu preço pode aproximar-se do valor da prestação de um T1). Hoje vi no hipermercado uma caixa de chocolates com um peso líquido de 150g (menos do que o peso de três Snickers) e que custava 10€. OK, os chocolates até podem ser de grande qualidade, mas digo eu que não era preciso estarem numa caixa do tamanho de uma resma de folhas A4, o que nos leva à questão seguinte.
O tamanho
Desconfiar das caixas grandes. Quando a esmola é demais, o santo desconfia, e neste caso, estamos a falar de uma relação inversamente proporcional: por norma, quanto maior é a caixa, menor a probabilidade de estar cheia de chocolates. Já numa relação directamente proporcional, quanto maior a caixa, maior a probabilidade de sermos gamados. É que o verdadeiro negócio das caixas de chocolates não é a venda de chocolate, mas sim a venda de papel e pvc ao preço de chocolate, ou mais caros ainda.
As janelas
A maioria das caixas de chocolates assume ao menos a incógnita como via para o roubo, o que até pode ser considerada uma atitude de ladrão honesto. Epá, a caixa tem poucos chocolates, mas também não dá para olhar lá para dentro, e por isso, é um roubo honesto, porque quem compra não sabe quantos chocolates lá estão. Mas outras ardilosas caixas têm uma janelinha de pvc com os chocolatinhos primorosamente acondicionados e a dizer: come-nos… come-nos… deixa-te lá de ginásios e dietas e saladas de rúcula e compra-me e lambuza-te a engolir-nos sofregamente, uns a seguir aos outros… Até aqui, tudo bem. O problema é que a possibilidade de se encontrar uma caixa de chocolates com janela que tenha todos os chocolates à vista é menor que a de José Sócrates de voltar a ser eleito. E a maioria das caixinhas com janela tem chocolatinhos na janelinha e uma moldura de cartão em todo o restante espaço não visível com a caixa fechada. Um mar de cartão para uma pequena ilha de três ou quatro chocolates.
Note porém o leitor que estes conselhos são apenas isso, conselhos, e não representam uma garantia. Se, por circunstâncias da vida, tiver mesmo que correr o risco de comprar uma caixa de chocolates, esteja mais atento do que se andasse sozinho à noite no bairro de S. João de Deus no Porto com uma nota de 500 euros na mão, pois a probabilidade de se ser assaltado ao comprar uma caixa de chocolates é consideravelmente mais elevada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










