quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Sim, camarada. Isto é mesmo uma palhaçada…



Vídeo da palhaçada, aqui.

Sociologia de Natal II - As prendas genéricas

Isto é mais um conselho prático que um ensaio sobre o assunto. Não há gajo que não goste de receber uma garrafa de vinho nem mulher que não aprecie uns bombons de chocolate. E pronto, fico contente por vos ter poupado horas de correria, hesitação, indecisão, paranóia, violência e propensão para o suicídio. Felizes compras, então.

Estudos de mercado I - O gel de banho para gajo e o caso Axe


O melhor gel de banho para gajo é o Axe. Os desodorizantes Axe são horríveis mas os géis de banho são muita bons. Há para aí uma dezena de variedades, aromas, texturas e cores diferentes, e tomar um duche com aquelas gosmas é mesmo porreiro. Até aí tudo bem. Mas os tipos da Unilever não precisavam de tanta tanga para que nós, os gajos, comprássemos a merda do gel de banho. Essa cena das tangas sobre os produtos de higiene, cosméticos e afins é mais para elas. Atenção, meninas, não estou aqui a tentar diminuir a vossa inteligência, acho apenas que as mulheres têm uma relação mais afectiva com as coisas e que essa relação tem que ser sustentada por uma argumentação mais sofisticada. Nós, os gajos, nestas merdas gostamos é de simplicidade e pouca tanga. Analisemos então algumas das variedades do referido gel de banho: Night Attack, Day After, Instinct e Hot Fever. Cada uma traz impressa a "memória descritiva", ou seja, aquilo não é um gel de banho, mas uma poção mágica de esfregar no corpo que nos confere super-poderes, quase todos eles relacionados com essas duas actividades basilares da vida de qualquer gajo: beber copos e engatar miúdas. O Night Attack tem umas propriedades não-sei-quê que se um gajo se eslavatear com aquilo é 100% garantido que engata uma miúda ou duas essa mesma noite, mesmo que esteja a tomar um duche às sete da manhã ou por aí, ainda antes de ir para o trabalho ouvir uns ralhetes do chefe. O Day After é um milagre inexplicável pela ciência, pois segundo o que diz no rótulo, um gajo pode estar completamente arruinado com uma carraspana daquelas à moda antiga, mas se tomar um duchezito com aquela cena verde kryptonite, fica ali logo fino que nem um alho. O Instinct tem a ver com qualquer coisa de cavernícola e com o cheiro a cabedal, que deve ser de Mamute ou outro bicho parecido, e que tem um efeito potenciador da líbido das fêmeas. Em menos de um ai um gajo pode levar uma mocada na pinha e ser arrastado para uma caverna onde uma possante fêmea copulará selvaticamente com ele. E eu agora ando a usar o Hot Fever, de inspiração brasileira. No rótulo diz assim: Axe Hot Fever gets you into the Samba spirit with Brazilian Hot Mud and Red Dragonfruit extract. Axe Hot Fever, get warmed up for action. Red Dragonfruit é uma fruta exótica, a Pitaya vermelha, e é uma pena que não se encontrem cá à venda porque são bem boas, eu comi que me fartei quando estive no Brasil. Já quanto à lama quente, não sei muito bem ao que se referem, mas deve ser uma lama quente. E pronto, é garantido. De manhã, quando estou no chuveiro, todos os dias imagino aquelas beldades cariocas a exibir o corpo bronzeado no Calçadão, oiço os batuques do Sambódromo e sou possuído ali na banheira por uma tal vibração e energia que fico logo prontinho, como eles dizem, para a acção!

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Sociologia de Natal I - A urgência de uma Alta Autoridade para as caixas de chocolates

É uma realidade incontornável: o negócio das caixas de chocolates está em grande parte na mão de mafiosos vigaristas sem escrúpulos, que se servem do espírito natalício para passar a perna a quem quer dar uma prenda com a melhor das intenções. Um gajo compra uma caixa cujo tamanho daria para acondicionar sem problemas um pequeno televisor LCD, e depois se lá estiverem três ou quatro bombons já é uma festa. Num verdadeiro Estado de Direito, o comprador deveria poder inspeccionar a caixa e contar os chocolates, e depois decidir ou não da sua compra. Por isso, aqui fica este importantíssimo alerta: com as caixas de chocolates é um olho no burro e outro no cigano. Alguns dos maiores desastres de toda a história da humanidade deram-se exactamente no momento da abertura de aparentemente inofensivas caixas de chocolates.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

As mais belas


A propósito de um post do Marco sobre as dez mais belas mulheres de sempre no cinema, fiz a minha lista de mulheres a quem venderia a alma ao Diabo bem baratinha, com um desconto à maneira e um vale para meter gasolina. Entretanto, a lista de dez teve que passar para onze, porque me esqueci da Michelle Pfeiffer, e também não ia cometer a indelicadeza de retirar alguma das outras senhoras da lista para a pôr lá a ela. A ordem é aleatória, qualquer uma delas faria de mim um rapaz ainda mais sorridente. Mas se tivesse mesmo mesmo que ter uma ordem, acho que as primeiras rosas iam para a Jennifer Connelly. Sempre que a vejo num filme, vai-me matando lentamente. Bela e encantadora mulher.

A saber, a listinha (das onze):

Angelina Jolie
Monica Bellucci
Salma Hayek
Scarlett Johansson
Uma Thurman
Charlize Theron
Elizabeth Hurley
Nicole Kidman
Jennifer Connelly
Kim Basinger
Michelle Pfeiffer

Eu também não

Eu não quero viver num país em que os editores da Playboy acham que uma entrevista ao Araújo Pereira vende mais que um bom par de mamas…

Pedro Félix, aqui.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Requiem por Ultlambolho, o super-herói

Quando eu era puto, o meu pai comprava, para mim e para os meus irmãos, quilos de livros do Tio Patinhas e companhia limitada. Li centenas de livros e histórias do Patinhas (note-se, as edições brasileiras da Morumbi, porque quando aquilo começou a ser publicado em português de Portugal, metade da piada foi-se). Tenho todas as personagens na cabeça, não há a mínima possibilidade de haver uma que eu não conheça. Tio Patinhas, Donald (identidade civil do Super-Pato) e os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, Margarida e as sobrinhas Lálá, Lélé e Lili, Vovó Donalda e Gansolino, o Brioso, que era o cavalo da Vovó Donalda, e o touro Sultão, o afortunado Gastão, Peninha (identidade civil do Morcego Vermelho) e Biquinho (que, quando fosse grande, queria ser Múmia, mas como o Tadeu escolheu primeiro, teve que se contentar com ser Vampiro), Patacôncio, a Maga Patalógica e a Madame Min (e o Mefistófeles, o seu odioso gato), o Mancha Negra, os Irmãos Metralha, o Vovô Metralha e o Miautralha (que era, obviamente, o gato, e que também tinha uma mascarilha nos olhos), o Mickey e a Minnie, Pateta, Clarabela, Horácio, Boinifácio, Ranulfo, Bafo-de-Onça, Dr. Estigma, Professor Pardal e o seu ajudante Lampadinha. O Zé Carioca (identidade civil do Morcego Verde) originário da Vila Xurupita e a ANACOZECA (A Associação Nacional de Cobradores do Zé Carioca, composta por Arlindo, Asdrubal, Arnaldo e Tadeu), Nestor, Afonsinho, Pedrão, Zé Galo, a namorada Rosinha e o "seu" Rocha Vaz, o pai dela, que não podia ver o Zé Carioca nem pintado. O Urtigão e o seu cão chamado cão, um velho e sonolento ninho de pulgas de quatro patas. Assim sem me esforçar muito ainda escrevia aqui mais uns quantos, uns já mais difíceis como o agente 00-ZÉro e a Pata Hari, ou mesmo dos que só apareceram numa história, como o Ultlambolho, o maior super-herói de todos os tempos. Um dia, a tragédia aconteceu: os livros estavam todos no sótão de casa, e a minha mãe achou que já não líamos aquilo e, sem pré-aviso, ala, reciclagem co'eles. Não vos consigo explicar o quão doloroso foi o momento em que eu e o meu irmão nos apercebemos do triste destino de tão inestimável colecção de livros e revistas. Eu nunca cheguei a recuperar totalmente…

domingo, 29 de Novembro de 2009

Red Bull Air Race: breve crónica de uma usurpação


As Câmaras Municipais do Porto e de Gaia, secundadas por outros organismos e alguns privados, conseguiram trazer a Portugal, desde 2007, a Red Bull Air Race. A confirmar-se que decorrem neste momento negociações do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa com a organização do evento para que a prova seja deslocalizada para a capital, estaremos perante um cenário entre o golpe palaciano e a ultrapassagem manhosa. Já temos o país a saque financeiramente, faltava-nos agora o canibalismo institucional entre cidades.

Isto é uma vergonha.
Faça-se barulho.
Estamos fartos dos pilha-galinhas.


Actualização:
É quase certo que a Red Bull Air Race voou para Lisboa. E por pouco não voou para Espanha. Há muitas lições a retirar daqui. Não é bairrismo, eu nem sequer vivo no Porto. Gosto igualmente de Lisboa e do Porto. Mas isto é uma vergonha. Uma vergonha.

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Manã manã

Hoje de manhã estava por todo o lado esta fantástica paródia marretiana à Bohemian Rhapsody dos Queen, pelo que eu tive que escolher o "Manã manã", que vi há uns tempos projectado num barzeco qualquer. Manã manã… tup-tu piruru…

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Assustador

Volta e meia vem gente parar a este vosso humilde blog por via das pesquisas no Google. A mais comum é "fotos de gajos nus". Senão fazei o teste, escrevei isso mesmo no Google e vêde o que é que aparece em segundo ou terceiro lugar. Às vezes aparecem combinações engraçadas, como "declaração de amor à filosofia". Por que raio andaria alguém à procura de tal declaração? E eu vou espreitando de vez em quando, por mera curiosidade, como é que o pessoal vem aqui parar por via duma aplicaçãozinha ali ao lado, o Feedjit. O problema é que hoje fui lá e pelos vistos alguém escreveu no Google "Sérgio Currais nu". Porra, é assustador. Não o facto de eu poder estar nu, até porque já me vi nu muitas vezes. Agora alguém andar na net à procura de uma foto minha nu? Spooky

Sobre vinho e ocasiões especiais

Todo e qualquer apreciador de vinho que se preze já viu o Sideways, de Alexander Payne. Às páginas tantas do filme, Miles revela a Maya que a sua Jóia da Coroa é uma garrafa de Château Cheval Blanc de 1961, e que está a guardá-la para uma ocasião especial. Maya responde-lhe que não é preciso esperar por essa ocasião especial, pois no dia em que a abrir, essa será a ocasião especial. Um pensamento belo, pois muitas das coisas especiais da vida não têm data marcada. Uma vez ofereceram-me uma garrafa de Quinta de Pancas Touriga Nacional que custava uns 30 Euros. Guardei-a durante mais de um ano e um dia metia-a na mochila porque já não resistia mais, ia abri-la esse fim-de-semana. Ao chegar ao carro, carregado com montes de tralha, a alça da mochila fugiu-me e esta caiu no chão. A garrafa escaqueirou-se. Uma tragédia. Aliás, mais do que uma tragédia, pois o vinho deu cabo também de uns livros e das capas duns CDs dos Dead Can Dance que tinha comprado umas semanas antes. Só me apetecia chorar. Já não sei se vi o Sideways antes ou depois de isto acontecer, mas também pouco importa. Aprendi nesse dia uma valiosa lição. Uma garrafa de vinho nunca se guarda para uma ocasião especial. No dia em que a abrimos, essa é a ocasião especial.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Ia escrever um post

Pois ia. Mas já estava a misturar fé com crimes com justiça com amor com literatura e com astronomia caseira. Queria dizer algo muito simples, mas que depois se complicou. Felizmente, desisti a tempo. É que a utilidade prática desse post ia ser a mesma deste, e por isso, ficamos por aqui. Peço desculpa aos leitores. Saúde e um Queijo da Serra.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Um bode respiratório

Um fumador invertebrado. Uma casa germinada. Um traumatismo ucraniano. Radiação ultra-violenta.

Pelo simples prazer linguístico e humorístico, ando à procura de ligações destas. A quem quiser ajudar, a gerência agradece e oferece flores.

[Actualização]

O abdominável homem das neves. Um toxico-independente. A atenção arterial. Uma faca de dois legumes (© Jaime Pacheco). Um ataque epiléctrico. Quem sai aos seus não é de Genebra. O prometido é de vidro. Lançar um réptil. Uso campeão.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

'Fun quiz' do romeno entalado, ou "Fritzl, estás aí?"

Em que terá pensado o assaltante de Almancil, durante as longas horas em ficou ali preso?

A. Ora foda-se a merda do Yoga.
B. Se aí passa o Taveira estou tramado.
C. E=Mc2

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Viver dentro de uma nuvem

Viver na minha cidade, em dias como o de hoje, é como viver dentro duma nuvem. Bem sei que está um temporal do caraças em todo o país, mas aqui nós estamos a mil metros de altura. Estais a visualizar aquelas nuvens que se atravessam uns vinte ou trinta segundos antes do avião aterrar, um bocadito antes de a pista ficar visível? Imaginai agora que vive lá gente. Aqui é mais ou menos assim. Resumindo e concluindo: está um tempo de merda. Ainda assim, fui correr de manhã. Não vos recomendo a experiência, mas enfim, cada doidinho, feliz com a sua doidice.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Morphine e Mark Sandman


Mark Sandman morreu prematuramente a 3 de Julho de 1999, com um ataque cardíaco em pleno concerto, em Roma. Tinha 47 anos. O último concerto dos Morphine em Portugal foi cerca de um ano antes, na Expo 98. Sei que estive vai não vai para ir a esse concerto, mas depois acabei por não ir, e já não me lembro bem porquê. O mais provável é que tivesse sido por estar sem cheta. Vi alguns anos mais tarde os Twinemen em Coimbra, no Le Son (que não era bem em Coimbra, era na Adémia ou por aí). Billy Conway e o arrepiante saxofone de Dana Colley estavam lá, mas faltava a voz grave de Mark. Tenho muita pena que este homem tenha morrido tão cedo. Quem conhece um pouco da história da banda sabe que amava a música acima de tudo. Os Morphine gravaram cinco álbuns de estúdio. O último, The Night, foi publicado em 2000, quando Mark Sandman já não estava entre nós. Por entre os seguidores, diz-se que os melhores trabalhos são o primeiro e o terceiro: Good, de 92, e Yes, de 95. Eu tenho uma opinião diferente. Gosto, igualmente, de todos eles. Nunca me canso de os ouvir. Morphine é um sonzaço do caralho.

Links para os álbuns:

Good (92)
Cure for pain (93)
Yes (95)
Like swimming (97)
The night (2000)

Dois micro-diálogos

Aluguei o The International, com o Clive Owen e a Naomi Watts. Na cena de abertura do filme, dois homens num carro. Um investigador fala com um envolvido num esquema internacional de tráfico de armas, dinheiro e influências, e que está disposto a chibar-se, pois quer saltar do barco. A certa altura, o investigador diz:

You need to relax. O homem responde: I'm more comfortable tense.

Encontrei um amigo que já não via há uns tempos. Conversámos um pouco. Como sei que uma expressão em Inglês para ele é canja, em vez de me despedir dizendo-lhe Porta-te bem, disse-lhe:

Behave. Ele respondeu sem hesitar: Never!

A Mãe

Casa cheia ontem no "meu" Teatro para ver Rodrigo Leão e o Cinema Ensemble. A Mãe, o último trabalho de Rodrigo Leão, é uma dedicatória à sua mãe, recentemente falecida. De Rodrigo Leão já sabemos que é um dos mais interessantes compositores portugueses da actualidade, como disse Pedro Almodovar. Mas a mim, o que ontem me encantou especialmente, foi a voz de Ana Vieira. É surpreendente como alguém pode cantar assim tão bem, com tanta magia, com tanta perfeição.

Para ouvir, aqui.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Uma história de chouriços

As duas cadeiras mais inúteis que tive durante o curso foram as ligadas à gestão. Uma delas chamava-se Introdução ao Estudo da Empresa, e a outra, Técnicas de Orçamentação. O problema não eram as cadeiras em si, mas a forma como os professores as deram. Numa escola onde havia também Contabilidade, Gestão e Marketing, alguns desses professores pensavam que os alunos de Design, "esse pessoal das artes", tinham um cérebro de aptidões reduzidas para coisas que envolvessem números, podendo apenas processar operações simples como somar dois mais dois, e por isso, falavam-nos de empresas, gestão e orçamentação como quem tenta explicar fusão termonuclear a uma criança de dez anos. O tipo que dava Técnicas de Orçamentação, esse então foi o professor mais inútil que tive em toda a minha vida, e o que a mim me admirava na altura era como é que uma nulidade daquelas podia ser professor no Ensino Superior. Enfim, adiante. Lá para o fim do semestre, para I.E.E. (She loves you, yeah yeah yeah…), davam-nos um trabalho. Tínhamos que ir chatear os tipos de uma empresa qualquer e pedir-lhes que nos fizessem o favor de nos facultarem dados para que pudéssemos traçar uma descrição estrutural, comercial e operacional da empresa (vulgo: quem são estes gajos e o que é que vendem ou fazem). Isto, sem que ninguém da escola se dignasse sequer a fazer um contacto prévio com um pequeno conjunto de empresas, para que não aparecêssemos ali de pára-quedas. Nada. Ainda me lembro do ar pesaroso da recepcionista da empresa à qual eu e os meus colegas nos dirigimos, ao informar o chefe de que estavam ali "outra vez uns estudantes para fazer aquele trabalho do estudo da empresa ou o que era". Devia ser a enésima vez que alguém lá ia chateá-los. Ainda assim, eles colaboraram. E ainda nos ofereceram uns litros de leite. Fomos à Cooperativa Leiteira. Uns tansos, claro. se tivéssemos ido à Adega Cooperativa, em vez de leite tinham vindo umas garrafitas. Quando eu já tinha concluído o curso e trabalhava na escola, um dia estava no laboratório de Edição Electrónica, do qual era uma espécie de responsável, e entra um gajo que nesse ano era o professor de I.E.E., com um grupito de três alunas que iam fazer a apresentação do seu trabalho de estudo da empresa. O fulano não tinha sido meu professor, era outro. E pediu-me se podiam utilizar o laboratório, já que ali não estava a haver aula, e todas as outras salas estavam ocupadas. Sua Excelência sentou o rabinho, e as rapariguinhas lá começaram a fazer a apresentação. Tinham ido chatear uns produtores de fumeiros e enchidos. A empresa fazia transformação de carne alentejana em iguarias de grande qualidade. Fizeram uma apresentação audiovisual toda bonitinha, acompanhada de explicação oral, e eis que no fim estendem numa mesa comprida dezenas de exemplares de cada um dos produtos que a empresa vendia. Chouriços e chouriças, paio, salpicão, farinheiras e alheiras, morcelas, toucinho fumado, presunto fatiado, salame, palaio… enfim, uma visão capaz de comover qualquer vegan que por ali passasse. Eram uns cinquenta ou sessenta produtos diferentes, vendidos em Portugal e exportados. Um lote daqueles de tão deliciosas delícias (a redundância é propositada) custaria, sem margem para grandes erros, perto de quinhentos euros, mas de certeza que teria sido uma oferta às moças pela empresa, pois eram umas miúdas simpáticas. No final da apresentação, o professor disse-lhes que tinha corrido muito bem, e que aguardassem uma boa nota. Só que as raparigas subiram a parada, e tiraram da cartola a engraxadela mais descarada que já vi em toda a minha vida: disseram ao professor que queriam oferecer-lhe os petiscos. O que faria qualquer gajo minimamente decente perante este cenário? Obviamente agradeceria, e recusaria a oferta. Era quase uma questão ética, e ainda podemos juntar-lhe o facto de que se tratava de três miudinhas estudantes, que viviam longe das suas famílias, e a quem aqueles enchidos e fumeiros iriam dar muito jeito para manter uma despensa arranjada durante muito tempo. Mesmo até que o fulano tivesse ficado a salivar a jorros ao olhar para tanta delícia, o que não me admira nada, ainda podia aceitar duas ou três peças, ou dez ou quinze que fossem, deixando-lhes as restantes. E mesmo que não fosse pela via da ética ou do bom-senso, podia ao menos ir pela da inibição, pois eu estava ali, e fiz questão de me aproximar para ver o que é que o tipo ia fazer. Mas não. Nem pestanejou. Disse logo que sim senhor, muito obrigado, toca a meter nos três ou quatro sacos e ala que se faz tarde. Se a atitude das miúdas não foi a melhor, mas ainda assim podia ter sido completamente inocente, e acharam que seria um gesto apreciado oferecer o lote ao professor, a atitude do senhor foi lamentável. Não consigo perceber quão avaro pode ser um gajo destes, ao ponto de se abarbatar assim com todos aqueles enchidos e fumeiros, não deixando um sequer para as miúdas, e sair de uma sala de aula onde tinha acabado de fazer uma avaliação, feliz e contente, com três ou quatro sacos bem carregados nas mãos. Na altura, calei o bico, pois não era nada comigo, e eu não queria problemas por causa de uns sacos de chouriços. Mas quando o encontrava no bar ou nos corredores, pensava sempre cá para comigo: olha, o reles e miserável unhas-de-fome tinhoso e avarento.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Das lições que se aprendem: a comida

Das muitas coisas que os meus pais me ensinaram, uma delas é que nunca se recusa comida a ninguém. O alimento é um bem que se partilha. A refeição serve os que estão presentes. Se só há comida para um e aparecem dois, comem os dois. Se só há comida para um e aparecem três, comem os três. Há milhões e milhões de pessoas no mundo que perecem com fome. No mundo moderno de hoje, já não devia haver. Mas há. No dia-a-dia, poder ter acesso a comida sã, a fruta fresca, a mesa farta, a pão quente, é um privilégio. Se dividir um almoço por dois ou uma laranja por três nos vai deixar assim com uma certa fomeca durante o resto do dia, azar. Volta e meia até é útil para manter a linha. Recusar alimento a quem tem fome? Nunca. Não se faz. É a negação completa do que ainda temos de humano. E este pequeno texto serve de introdução a outro que vou escrever, sobre chouriços. Uma história de chouriços. Brevemente num blog perto de si. E agora vou ao cinema ver o fim do mundo. Epá, esta merda já parece uma actualização de status no Facebook. Vou bazar. Até mais logo.

Uma certa falácia da sabedoria popular

Eu até acho piada aos ditados populares. O problema é que não nos podemos fiar muito neles porque há um ditado popular para quase tudo. Se tivermos que tomar uma qualquer opção na vida, há sempre um ditado popular que secunda essa decisão. Podemos sempre socorrer-nos da sabedoria popular, mas apenas se o fizermos numa fórmula de um para um, ou seja, para um problema, apenas um ditado, porque se nos pomos a pensar muito, voltamos sempre à estaca zero. Homem prevenido, vale por dois. Certo. Mas o seguro morreu de velho. Certo também. A união faz a força. Certo. Mas cada cabeça, sua sentença. Certo também. Quem não tem cão, caça com gato. Certo. Mas gato escaldado, de água fria tem medo. Certo. E quem tem medo, compra um cão. Certo. Ora bolas, então. Voltamos ao cão…

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A promessa

Hoje, que me contaste que a tua vida começou outra vez, prometo-te que vais ser feliz, prometo-te que vais ter tudo o que mereces, prometo-te que o teu sorriso iluminará o mundo, prometo-te que o encanto que irradia de ti te acompanhará sempre, que tocará sempre os que estão contigo, e que o teu brilho se renovará todos os dias.
Prometo-te, porque o sei.

Para a Rute.

Ainda sobre cinema e televisão

Ou melhor, sobre ver um filme no cinema ou vê-lo num televisor. Um dos melhores anúncios que conheço, e que aborda esta questão, vou ter que vo-lo descrever, pois não o consigo encontrar em lado nenhum. Era mais ou menos assim: um ecrã de cinema exibia um filme. Entretanto, chega um pintor, que coloca o seu escadote, saca dum rolo e começa a pintar a tela de preto. Vai pintando, pintando, até que a projecção fica apenas limitada a um pequeno espaço. Depois, tira um pedaço de giz do bolso, e desenha à volta dessa reduzida área os contornos e os comandos de um televisor. E creio até que não tinha nenhuma mensagem escrita, para além do nome da entidade promotora. Qualquer pessoa percebe. Fantástica ideia, não?

Se eu podia não ter ido ao cinema ver o Estado de Guerra depois de o ter visto pirateado em casa e tendo-o até na pen drive que tinha no bolso?


Podia, mas não era a mesma coisa.*

Primeiro, um filme como o The Hurt Locker merece ser visto no cinema.

Segundo, não é todos os dias que temos o privilégio de estar sozinhos numa sala de cinema, como foi o caso.

* E se eu podia não me armar em engraçadinho com esta piadinha de usar o anúncio da Zon como inspiração para escrever um post, como se fosse algo que ainda não foi feito em quase tudo quanto é blog português, e também se o título do post podia ser um nadinha mais curto? "Podia, mas…"

O puto de mota

Ontem de manhã, na sala onde trabalho, passou um puto a acelerar de mota. A mota era imaginária, mas andava que se fartava, e fazia ainda mais barulho. Passou tão depressa que nem a vi, só a ouvi. Ser puto é porreiro. Um gajo pode andar por aí a abrir de mota sem gastar um tusto.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Maratona do Porto 2009


Foto à chegada da 6ª Maratona do Porto. Este aqui ao meu lado é o Tiago Dionísio, o melhor ultra-maratonista português, um gajo porreiro e rijo como o aço. Já correu, por exemplo, várias vezes a Comrades, na África do Sul, e a Western States 100, nos EUA, uma meiga corridinha de 161 quilómetros. Ontem acabei um minutito antes dele, mas de certeza que o homem ia só em modo turístico. No ano passado havia minis à chegada, este ano havia finos. Isto sim, é organização.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Meet sexy girls in Folgosinho

Estamos fartos de saber que não há sexy girls in Folgosinho, nem naked teens in Tortosendo, e que ninguém gets laid tonight in Sernancelhe. Por que raio insistem com os pop-ups? Sim, esses que aparecem nas pesquisas sobre movimentos associativos religiosos e afins…

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

O colete amarelo

Como me farto de correr à noite, comprei dois corta-ventos, um colete e um casaco, ambos amarelos fluorescentes com faixas reflectoras. O efeito nos condutores é muito engraçado. Primeiro, abrandam, pois num olhar mais distante, parece que é a Polícia ou a GNR que ali está a fazer uma operação stop. Depois, quando vêem que afinal é só um doidinho a correr, aceleram de novo. Um peão em corrida pela berma já não justifica uma redução de velocidade.

E isto não tem nada a ver com coletes amarelos, mas hoje cruzei-me no passeio com um tipo que mandou um berro histérico quando passei por ele a correr. Perguntei-lhe se era doido. Ele disse que era. OK, está desculpado.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

E a grande estrela do casting 2009 dos Ídolos é…

Chama-se João Pedro e é um rapaz do Norte. E é pena que o júri do casting dos Ídolos não tenha nível suficiente para conseguir comprendeer a incomensurável dimensão de grandeza do seu infinito talento. E outro atributo do rapaz: a persistência, pois em 2004 o João Pedro também já tinha tentado a sua sorte. Este rapaz sim, é a verdadeira estrela do Norte. E ao menos é um tipo bem-disposto e cheio de confiança, ao contrário de outros, como o pintarolas do bébé-chorão

sábado, 31 de Outubro de 2009

Hitler não vai aos U2 em Coimbra

Legendagem aqui do jovem, baseada em acontecimentos reais. Se as legendas não aparecerem automaticamente, ver no Youtube, aqui, e activar as legendas no canto inferior direito do vídeo.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Não há nada mais bonito do que uma gafe de um político

Se eu tivesse cinco euros por cada pessoa que já vi fazer troça da célebre gafe de António Guterres, a dos seis por cento, podia levar duas namoradas a jantar ao restaurante mais caro do país sem me preocupar muito com a conta. É uma coisa bastante curiosa do comportamento humano: estarmos sempre prontos para troçar de alguém, sem perguntarmos nem por um segundo como seria o resultado se determinada situação nos acontecesse a nós. Esta é uma experiência simples e que vos recomendo: dizer muito rapidamente, de cabeça, sem utilizar calculadora, quanto é seis por cento de três mil milhões. Já está? Quanto? Pois. Toda a gente faz o cálculo num ápice, não é? Só o pobre homem é que não tinha assim muito jeito para contas de cabeça. Logo ele, que acabou o curso de Engenharia no Instituto Superior Técnico com a modesta classificação final de 19 valores.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Sobre bruxos e bruxarias

Não me canso de dizer isto sobre as Mayas, os professores Bambos, os pseudo-bispos brasileiros e toda essa praga de vendedores da banha-da-cobra. Para mim, as pessoas que se aproveitam do sofrimento, da ignorância, da miséria ou da pobreza de espírito dos outros, prometendo-lhes soluções com rezas, mezinhas, sortilégios, ou pela via da utilização de linhas e mensagens telefónicas de custos indecentes, ou qualquer outro esquema, para mim têm um nome: CHARLATÃES. E devia haver leis que protegessem as pessoas dessa corja de malandros que fazem das debilidades alheias o seu sustento.

Invernal de BTT 2009


Para betetistas sem medo ao frio que queiram pedalar da Guarda à Serra da Estrela. O cartaz é assinado aqui pelo jovem. Inscrições na página do Clube de Montanhismo da Guarda.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Começo a fartar-me das idiotices do Facebook

Uma página no Facebook é algo porreiro para nos irmos lembrando dos amigos que estão longe ou que não encontramos tão amiúde, e para irmos recebendo algumas informações mais ou menos importantes. É engraçado ver e partilhar umas fotos, mandar umas mensagens, saber dos aniversários, e tudo o mais. Só que começo a aperceber-me de que o Facebook vai desenvolvendo todo o tipo de idiotices para fazer com que os seus utilizadores passem o mais tempo possível agarrados àquela porcaria. Reconheço ao Facebook alguma utilidade e até piada, mas acho que facilmente se pode tornar numa ferramenta perversamente inútil ou inutilmente perversa (e ora aqui está um trocadilho interessante que poderia ser adaptado para ser colocado no 'status' de alguém). Não me admira nada que haja gente completamente viciada no Facebook, tamanha a parafernália de pintelhices que se podem ir fazendo com a página aberta. Para quê estudar ou mesmo trabalhar se podemos ir enviando uns 'quizs' sobre assuntos importantíssimos ou espiolhar quem é que anda a comentar a vida de quem? Para que conste: eu não quero pertencer à causa de acabar com a música do Pingo Doce, nem de libertar a empregada da Carolina Patrocínio, nem de pedir um terceiro concerto aos U2, nem quero fazer nenhum 'quiz' para saber quantos finos bebo numa noite (até porque costumo aferir dessa capacidade de uma forma mais empírica), nem quem é a estrela de Hollywood com quem eu poderia casar, nem se fui o Napoleão numa vida passada, nem daqui a quantos anos virão à Terra os extra-terrestres, nem o raio que os parta. Também não quero saber quem é que está deprimido, ou quem é que está a tomar o pequeno-almoço, ou quem é que veio agora mesmo do ginásio, ou quem é que vai ter uma reunião, nem ler 'status' com frases sugestivas ou enigmáticas ou atrevidas ou revoltadas ou o raio que as parta, nem receber sugestões para ser amigo de pessoas que não conheço, ou de outras que conheço mas que não quero ser amigo delas. Não quero saber. Não me chateiem a mona. Ide mas é trabalhar, seus malandros. Obrigado.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

A primeira pedra

Algumas reacções ao novo livro de José Saramago, Caim, fazem-me lembrar a perseguição que o Irão moveu a Salman Rushdie. Numa escala menor nas consequências, mas igual na motivação. E Rushdie não é iraniano, mas indiano. Aqui, alguns acham que Saramago nem sequer é digno de ser português. É no mínimo irónico quando os que se dizem seguidores da tolerância pregada no altar são os primeiros a fazer exactamente o contrário.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Breve reflexão sobre a acentuação, ou melhor, a falta dela

Acho que um dos problemas maiores do ensino em Portugal e que tem sido perigosamente desvalorizado nos últimos anos é o da Língua Portuguesa. É alarmante a quantidade de gente que não sabe escrever correctamente. É ainda mais alarmante a quantidade de gente licenciada que não consegue escrever um texto sem graves erros ortográficos e de sintaxe, ou redigir uma simples carta com clareza ou um pequeno relatório devidamente estruturado, com princípio, meio e fim. Eu sou daqueles puristas que até no messenger escreve com pontuação e acentuação, com maiúsculas e minúsculas. E se até os e-mails escritos a despachar me fazem comichão, há uma coisa que me chateia deveras, e que é o desrespeito institucional pela nossa Língua, ou seja, quando os casos mais gritantes nos chegam pela mão de entidades que deveriam ser exemplares neste aspecto. Uma das situações que se vê com mais frequência é o absoluto desprezo pela acentuação, e logo nós, que temos uma Língua com particularidades tão subtis, e na qual a ausência de um modesto acento pode mudar por completo o sentido de uma frase. Eu fico horrorizado quando vejo escarrapachada na fachada de uma instituição de ensino superior a inscrição "Instituto Politecnico de", ou coisas como "Policia" escrito sem acento nos carros, ou "Ambulancia". Como explicar a uma criança que está a aprender a ler que ali devia estar um acento mas que alguém se esqueceu dele ou o desvalorizou? Como é que se justifica que se paguem milhares de euros por um letreiro de vários metros e que ninguém ache importante que lá esteja um acento numa determinada palavra, mais ainda num campus universitário onde são formados… professores? Há países que fazem disso uma questão de honra: mostrar a sua Língua com as suas especificidades, com as particularidades que a diferenciam das outras e que lhe conferem carácter. Em Portugal, andamos a "computorizar" o que se escreve nas fachadas, nos monumentos, na sinalética pública, e ninguém liga pevide.

Nariz vermelho


Num mundo perfeito nenhuma criança sofreria, nenhuma criança adoeceria. Mas como sabemos que o mundo está longe de ser perfeito, algumas causas merecem especial atenção e apoio. Esta é uma delas. Um sorriso para as crianças doentes.

www.narizvermelho.pt

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

A nova investida

A comparticipação do Estado para a compra de uns óculos a um cidadão que desconte para a Segurança Social é indignamente inferior daquela que recebe um cidadão que desconte para a ADSE. Tão indignamente inferior, que pode não chegar um euro. E o motivo por que isto acontece deve-se ao ridículo e preocupante facto de os valores de comparticipação não serem actualizados há quase trinta anos. Sim, trinta: um três e um zero. Foi uma técnica que trabalha na Sub-região de Saúde que me mostrou as folhas com os valores fixos das comparticipações. Por cem escudos que o estado dava de comparticipação há cerca de 30 anos, agora dá meio euro. Sabido é que os óculos sempre custaram uma fortuna, comprar uns óculos pode ser uma despesa pesada até para quem tenha algum dinheiro, quanto mais para quem não tem. Indignado que fiquei com esta situação, escrevi ao Ministério da Saúde, ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, e enviei uma mensagem para a caixa de TODOS os grupos parlamentares de partidos representados na Assembleia da República. Respostas? Zero. Está na hora de fazer uma nova investida: desta vez, vou endereçar as cartas aos novos Ministros, no dia em que souber quem serão, e enviarei também cartas endereçadas aos líderes das bancadas dos partidos. Um deles até foi eleito pela Guarda, pode ser que me ligue alguma coisa.

Os rascas

O Jornal i online publicou uma pequena notícia sobre o facto de os bilhetes para o concerto dos U2 em Coimbra terem esgotado em apenas sete horas. Vai daí, um iluminado qualquer apressou-se a escrever nos comentários o seguinte: "Se fôsse para Mozart, Beethoven ou Mahler, nem lá iam. Rascas…". Entenda-se que nada tenho contra o gosto pela ópera e pela música erudita, clássica ou contemporânea. Mas tamanha arrogância e displicência de quem não tem o menor prurido em chamar rasca a 45.000 pessoas só porque não subscreve os seus gostos e se sente pertencente a uma suposta classe superior, levou-me a deixar-lhe a seguinte a réplica que transcrevo abaixo. Rasca é ele.

Alguns manientos pensam que por irem ao São Carlos e aos concertos da Gulbenkian integram uma suposta elite de iluminados à qual a restante plebe deve prestar tributo e homenagem, por tão magnânima e esplendorosa ser a sua infinita sapiência. No concerto dos U2 vão estar médicos, arquitectos, engenheiros, advogados, juízes, cientistas, investigadores, músicos, actores. E também padeiros, jardineiros, camionistas e canalizadores. As pessoas que se julgam superiores a todos os outros, na maior parte das vezes nem sequer têm a noção da figura ridícula que fazem. E a mim, pessoalmente, metem-me nojo.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Uma música para o Dia Mundial da Alimentação

E porque a couve tem talo
E o bacalhau tem rabo
Se o feijão verde tem fio
Porque não tem talo o nabo?


Leonel Nunes, the one and only, o Quim Barreiros da Beira Alta.

A mala do dinheiro

Um homem encontrou uma mala cheia de dinheiro, num sítio ermo, remoto, num passeio pelo campo. Alguém a tinha escondido ali. A mala não estava identificada. O dinheiro era muito: várias dezenas de milhares de euros, em notas diversas. Algumas novas, outras usadas. Não estava ninguém por perto. O homem podia pegar na mala e ficar com o dinheiro. Nunca ninguém saberia que tinha sido ele. Mas o homem não o fez. Abriu a mala, fechou-a, deixou-a exactamente no mesmo sítio e foi-se embora. Poderia não o ter feito por ser um homem totalmente honesto, e não querer dinheiro que não era dele. Ou talvez por eventual medo de ser perseguido, pois mesmo que ninguém o visse levar a mala consigo, algum dispositivo de detecção poderia denunciá-lo, ou até o número de série das notas, caso houvesse alguma investigação em curso. Mas não. O homem não levou consigo o dinheiro por outra razão, talvez a mais simples mas também a mais importante de todas: o homem sabia que se ficasse com a mala do dinheiro, a sua vida iria mudar de alguma forma. E como ele gostava da vida que tinha, e queria preservá-la assim, nem sequer sentiu tentação. Deixou tudo onde estava e nunca falou a ninguém sobre o achado. E foi à sua vida, a tal vida de que ele tanto gostava, assim como era.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

U2 360º - Comunicado


Há 15 minutos atrás este vosso amigo adquiriu os bilhetes para o concerto. Vêmo-nos em Coimbra daqui a mais ou menos um ano. Magnificent!

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

O inevitável post sobre as autárquicas


Para mim é claro, o grande vencedor do fim-de-semana foi o Luís Pingu. Este gajo andou três meses vestido de pinguim para ganhar uma expedição à Antárctida, que, para quem não sabe, é aquela grande massa gelada no pólo Sul e o único local do mundo habitado por pinguins, exceptuando obviamente alguns jardins zoológicos e oceanários. O concurso, patrocinado pela Quark Expeditions, destinava-se a bloggers de todo o mundo, e o Luís convenceu 16.154 votantes de todo o planeta, mais do dobro dos conseguidos pela segunda classificada. Aqui fica uma grande lição, que gostaria que todos recordásseis: às vezes, para triunfar na vida, o que é preciso é um fato de pinguim. Ah, é verdade, já me ia esquecendo do comentário às autárquicas: ainda bem que já acabaram.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Este blog só tem um anúncio

Não criei este blog para ganhar dinheiro, e quando o criei, pensava que iria ser visitado mais ou menos regularmente apenas por alguns familiares e amigos. Pus aqui um contador pela mera curiosidade de saber quantas pessoas aqui vinham parar diariamente. A média está em cerca de cem visitantes diários, o que me deixa deveras contente, visto que este é um blog pessoal e de interesse duvidoso. Já conheci pessoas e já fiz novos amigos e amigas, em carne e osso ou à distância, por escrever aqui as coisas que escrevo, e isso já é uma compensação bem generosa pelas poucas horas que vou dedicando a esta actividade. Detesto os blogs cheios de anúncios e links e vídeos e playlists e pop-ups e banners e o raio que os parta. Quando encontro um blog assim, vou-me logo embora e nunca mais lá volto. Ando à procura de uma ideia, de preferência legal, que me faça enriquecer rapidamente, mas não é concerteza este blog que vai fazer de mim um rapaz abastado. E o anúncio que está ali ao lado é apenas simbólico: já que tenho um blog na net de uma forma completamente gratuita, deixa lá os gajos do Google anunciarem qualquer coisita nele. Acho que nem pus o meu NIB no formulário de activação do AdSense. Sei é que recebi há uns dias uma carta do Google que me tratava por Ex.mo Sr. Empresário, e que me propunha uma série de soluções para aumentar os meus proveitos (mal eles sabem que é o meu velhote que me prepara as declarações de IRS e que se há coisa que eu nunca poderia ser na vida era empresário). Quando tiver tempo, vou pensar nisso, pode ser que em vez de receber zero euros por ano com este blog, ainda consiga rentabilizá-lo para que dê para pagar ao menos um cafezito ou dois.

Actualização:
O blog passou a ter 5 anúncios AdSense, dos mais simples, apenas com texto, e numa única caixa. Estou a avaliar da potencialidade da coisa. Ainda assim, o espírito deste post mantém-se.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

A minha irmã faz anos hoje

É verdade. A minha irmã, que continuo a tratar por garota, faz hoje 29 anos. Se calhar vai-me bater por expôr assim publicamente a idade dela, pois a uma mulher nunca se pergunta a idade, quanto mais publicá-la. Agora a sério, quase nem me apercebi de que a minha irmã se fez uma mulher. Dos manos Currais, a Lara sempre foi a mais responsável, a mais sensível, a mais trabalhadora, a mais organizada. O exemplo dela reflecte-se agora no meu irmão, que continuo a tratar por puto, mas que é já um homem e que comanda já outros homens, militares como ele. Eu tenho uma sorte do caraças, pois os meus pais e os meus irmãos são os meus melhores amigos. Isto parece uma frase feita, mas sei que não o é porque também sei que nem todas as pessoas têm essa sorte. Fui também afortunado no meu papel de irmão mais velho, por ter tido uma responsabilidade muito passageira. Só quando os meus irmãos ainda eram mesmo garotos é que eu me portava como irmão mais velho. Agora somos todos os irmãos mais velhos e mais novos, consoante os dias que aparecem. Às vezes tenho algumas reservas em falar das coisas que faço, das coisas que consigo, pois tenho também uma certa consciência de que quase nada neste mundo depende apenas de nós próprios. Agora, quem quiser que me desculpe, e quem não quiser, que vá dar uma volta ao bilhar grande, pois nunca hei-de conter nem por um segundo o orgulho que tenho na garota minha irmã e no puto meu irmão. E a ti, mana, que fazes hoje 29 anos, dedico-te a nova versão de uma mensagem que te enviei há já algum tempo:

Em Coimbra, uma estrela nasceu. Na Guarda, essa estrela cresceu.
Coimbra sorri por vê-la brilhar. A Guarda também, ao vê-la voltar.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

O Galo Porno

Cada vez gosto mais das coisas que escreve este gajo (ou este galo).

A Casa das Histórias


Sou um admirador incondicional da obra de Paula Rego. Por isso, aproveitei a expedição de fim-de-semana a Lisboa para um desvio a Cascais e uma visita à recentemente inaugurada Casa das Histórias Paula Rego. A colecção é composta por obra gravada e alguma pintura. O edifício, assinado por Eduardo Souto de Moura é muito belo, e o espaço envolvente deveras airoso. Para grande surpresa minha, a entrada é gratuita. Uma livraria / loja de lembranças e uma cafetaria garantem a obtenção de receitas. Um modelo de gestão que aposta no espaço como forte pólo de atracção cultural e turística, como todos os museus deviam ser. As pessoas eram às centenas, durante o dia devem ter sido milhares. Nas duas primeiras semanas de funcionamento, recebeu o impressionante número de 20 mil visitantes. Ainda alguém duvida de que a cultura, para além de conhecimento, entretenimento, fruição, é também um catalisador económico? Cascais não é propriamente uma cidade pobre, mas este investimento é de um valor inestimável. Recomendo-vos a visita mas, pelo menos nos próximos meses… não num Domingo.

www.casadashistoriaspaularego.com

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Meia-maratona de Portugal 2009


A Meia é sempre uma grande festa. Na foto, da esquerda para a direita, Lúcio (cujo plano de preparação envolveu zero treinos mas que mesmo assim ainda se aguentou à bronca), Nelson (estreante na distância, e com uns bons minutos abaixo das duas horas), e aqui o jovem, atleta 475 à chegada entre 2000 finalistas, com um tempo de 1h40m52s.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Charme não é só pele e osso


Não é uma onda chubby chaser, uma expressão em inglês que define os perseguidores de gordos, ou seja, a malta que gosta de uns rabiosques bem fartos e uns proeminentes pneuzinhos. Não tenho nenhum fetiche por mulheres gordas (a mulher gorda a mim não me convém, etcetera e repetir refrão), mas a verdade é que continuo a achar que Beth Ditto emana charme e sensualidade às toneladas, e que é já um ícone fashion (ora aí está uma palavra que também me faz um bocado de comichão) de fazer muitas Olívias Palito das passerelles por esse mundo fora roerem-se de inveja. É vê-la em todo o seu rockeiro esplendor, no videoclip de Heavy Cross, do último álbum dos The Gossip, Music for men. Que grande som. Que poderosa mulher.

Na foto, Beth na capa de revista Love.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Eu não disse?

O Rio de Janeiro acolherá os Jogos Olímpicos de 2016. A eleição terminou há minutos, mas eu já sabia há muito tempo qual iria ser o resultado, pelos motivos que aqui vos descrevi ontem. Parabéns aos meus amigos e familiares brasileiros. Espero ver-vos antes, mas para 2016 fica já marcado.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Marcar na agenda: Brasil em 2016


1.
Desde 1960, os Jogos Olímpicos têm-se realizado segundo uma sequência de distâncias geográficas consideráveis:
Roma 1960 > Tóquio 64 > Cidade do México 68 > Munique 72 > Montreal 76 > Moscovo 80 > Los Angeles 84 > Seul 88 > Barcelona 92 > Atlanta 96 > Sidney 2000 > Atenas 04 > Pequim 08. Em 2012 serão em Londres.

2.
Nesta sequência, constam já três dos quatro países das cidades candidatas a 2016: Japão, EUA e Espanha. No caso do Japão, a própria cidade candidata já recebeu os Jogos, em 64.

3.
Os últimos Jogos Olímpicos foram em Pequim. Os próximos serão em Londres. Londres e Madrid são muito próximas no planeta, e não só.

4.
Isto não devia ter nada a ver com o desporto, mas tanto o governo do Reino Unido como o de Espanha estiveram na Cimeira dos Açores que originou a segunda invasão do Iraque. O dos EUA também. Estes três países sofreram as retaliações terroristas da ira árabe. Em Nova Iorque, em Madrid e em Londres. Nós não, porque a nós ninguém nos liga.

5.
Nenhuma edição dos J.O. da era moderna teve lugar na América do Sul. O mais perto foi no México, em 1968. Na América do Norte, como na Europa, como na Ásia, várias.

6.
O Brasil tem tido presença nas decisões mundiais. É um dos maiores e mais ricos países do mundo. A cultura brasileira é do conhecimento global: a música, o futebol, o carnaval, a Amazónia. Caetano Veloso, Ayrton Senna, Pelé. O Presidente Lula é já um dos vultos políticos do início deste século. O Rio de Janeiro é talvez o símbolo maior deste conjunto, e a sua 'copacabânica' proximidade do mar não pode ser ignorada.

7.
Depois de Pequim, a arquitectura passou a ter um papel fundamental: o Ninho de Pássaro e o Cubo de Água são marcos inesquecíveis. Nenhuma das candidaturas surpreende neste aspecto, mas o Maracanã como palco Olímpico, mesmo que não das provas, é uma ideia que desiquilibra esta balança.

Em Copenhaga movem-se os esforços finais para decidir aonde irá parar a organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Rei, Primeiros-ministros, Presidentes, todos a exercer as suas influências, secundados por apoios de desportistas e personalidades famosas e influentes de outras áreas. A título de curiosidade, Rosa Mota apoia a candidatura japonesa. Madrid, Chicago, Tóquio ou Rio de Janeiro. A decisão será amanhã, Sexta dia 2.

Eu, não tenho dúvidas. É marcar na agenda uma ida ao Brasil em 2016.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

A verdadeira vergonha nacional

Enquanto grande parte dos portugueses andam preocupados com questiúnculas de somenos importância como a relação do governo com a presidência da república, vamo-nos esquecendo dos verdadeiros problemas que merecem a atenção e a indignação de todos. Um desses problemas, e que grassa já há largos anos, sem que nenhuma medida tenha sido tomada, é o da redução progressiva do tamanho dos copos de cerveja nos festivais e nas feiras. Há uns anos ia-se ao Sudoeste ou à Queima das Fitas de Coimbra, pagava-se uma fortuna, como agora se paga, pelas senhas de fino, mas ao menos o copo era de 0.33 Cl, uma aceitável ração de cerveja que, ainda assim, já seria algo bem frugal para um alemão ou um irlandês. Vai daí, e como quem não quer a coisa, as cervejeiras decidiram reduzir o tamanho do copo para 0.25 Cl e, como se não bastasse, mantendo ou até aumentando o preço, consoante o evento. Chegámos em pouco tempo à generalização da total indecência e falta de escrúpulos que hoje se verifica dos concertos de estádio aos bailes da paróquia: pagar um euro ou dois por 0.20 Cl de cerveja de barril. E isto já com muita sorte, porque um terço do copo pode ser de espuma, e convenhamos que uma barraca de cerveja onde um gajo demora pelo menos dez minutos para conseguir trocar umas senhas por uns finitos, depois de uma épica batalha por entre empurrões, encontrões, cheiro a sovaco e fura-filas, não é propriamente o sítio ideal para se fazer uma reclamação. E mesmo que fosse, a simples ideia de conseguir sair ileso daquele aglomerado em convulsão, diria até em iminente implosão, com uns 0.15 a 0.17 Cl de cerveja intactos, e escapar às investidas das restantes reses sedentas, faz qualquer um desistir à partida de arriscar exigir a justa quantidade do precioso líquido. Isto sim, é uma vergonha nacional.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

A família Zapatero na Casa Branca


O Filosofia de Curral, como blog para toda a família, e que tem uma forte componente pedagógica, vem desta forma motivar as filhas do Presidente do Governo de Espanha para que deixem as más companhias, abandonem o visual gótico soturno, não comam tantas gomas e também para que passem a ir ao ginásio pelo menos duas vezes por semana. Se seguirem à risca estes preciosos conselhos, uma eventual nova foto com os seus papás e o casal Obama na Casa Branca daqui a cinco anos será bem mais parecida com esta que o Filosofia de Curral agora apresenta, e que prova que as meninas poderão na mesma continuar a vestir-se de bruxinhas, mas sem andar por aí a assustar as pessoas. Foto actual aqui.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Votar ou não votar

Amanhã é dia de reflexão e eu tenho que reflectir muito bem sobre o que vou fazer no Domingo em vez de ir votar. Os meus familiares, amigos e colegas dizem que devia ir votar, mesmo que votasse branco ou nulo. O voto nulo considero-o uma patetice, mas ainda assim podia votar em branco, e expressar a minha opinião dizendo que não me revejo em nenhum dos partidos que se apresenta às eleições. Fá-lo-ia, se isso tivesse alguma consequência, que mais não fosse fazer os políticos questionar-se sobre quais os motivos que geram tanta insatisfação nos cidadãos, e por que razão centenas de milhares de pessoas não se sentem representadas por nenhuma força política. O problema é que ninguém liga pevide ao voto em branco, nem os políticos, nem a comunicação social. E por isso eu junto-me aos mais de três milhões de portugueses que se estão nas tintas para o resultado das eleições, até porque já sabemos que o país ou é governado pelo PS, ou é governado pelo PSD, e na prática, o que nos pode trazer cada um destes dois cenários é muito parecido, diria até quase igual. Continuam a propagar-se as desigualdades, as injustiças sociais, o compadrio, o favorecimento, o sucesso apadrinhado dos preguiçosos e dos medíocres, as relações perigosas entre o estado e os privados, os jogos de poder, os lóbis e os grupos ocultos de influência, a desilusão de quem tenta ganhar a vida segundo valores. Há muita gente honesta e trabalhadora que não tem dinheiro para educar os seus filhos, ou para adquirir os medicamentos de que precisa, ou para ter uma vida com um mínimo de dignidade ou até mesmo para comer, e os dirigentes políticos teimam em andar por aí a discutir asfixias e suspensões da democracia e escutas e demissões o raio que os parta. Eu não sou um negativista convicto nem um disseminador da miséria. Estamos todos sujeitos aos altos e baixos do dia-a-dia, mas prezo o que tenho, que consegui com o meu trabalho e com o apoio da família, dos amigos, das pessoas que me ensinaram e que me orientaram. Mas o facto de vivermos num país que até parece que funciona mais ou menos e de estarmos também mais ou menos contentes com o que temos não implica que não nos possamos indignar por saber que outros como nós levam com dias muito mais difíceis, enquanto os governantes olham para o lado e assobiam. É que muitas vezes o que vai valendo são esses apoios que cada um tem na sua rede familiar ou de relações pessoais, porque quem depende apenas de si só e gostaria de poder contar com um governo e um estado que o apoiasse, facilmente se pode ver desamparado ou mesmo feito-ao-bife sem nunca ter feito nada para o merecer. As generalizações tendem a ser injustas e eu acredito que haja alguns políticos verdadeiramente dignos de confiança: trabalhadores, determinados, incorruptíveis e com consciência de que a actividade que escolheram deve servir principalmente o bem comum e não apenas os seus interesses ou só de alguns. O problema é que se torna cada vez mais claro que são uma minoria com tendência a desaparecer. Eu respeito a militância política e acho muito bem que quem se vê representado numa determinada ideologia ou por determinado conjunto de pessoas se associe activamente a esses ideais, ou simplesmente que os subscreva com o seu voto. Mas, por outro lado, lamento que os abstencionistas sejam sempre vistos como os veraneantes que não tiram o pé da praia para ir ali a uma escola pôr uma cruz num papel, uma espécie de grupo proscrito de irresponsáveis que não quer decidir nada e que vive bem ao sabor do vento. Peço desculpa, mas eu não compro essa patranha. Não acredito que mais de três milhões de portugueses não pensem pelas suas próprias cabeças, e se são tantos os que não vão votar, é porque algo está terrivelmente mal. Já era hora de alguém se preocupar com isso.

Actualização
3.678.536 eleitores não compareceram nas urnas, ou seja, 39,40%, mais cerca de 600.000 que nas legislativas de 2005. O partido mais votado teve 36.56%. E já não é tempo de praia. Segundo alguns, estes mais de três milhões e meio de levianos e alheados cidadãos agora têm que ficar quietinhos e caladinhos, pois como não votaram, não têm legitimidade moral para dizer o que quer que seja sobre a governação. Era só o que faltava. Para mim é simples: mais de três milhões e meio de portugueses não acreditam na política que temos, e estão-se nas tintas para as eleições porque, ora com uns, ora com outros, é vira-o-disco-e-toca-o-mesmo.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

As duas boas-novas para 2010


Os U2 actuam a 2 de Outubro de 2010 em Coimbra e o Papa Bento XVI regressará a Portugal para mais uma vindima no Alto Douro vinhateiro, não antes de ir a Fátima por ocasião do 13 de Maio.

Os ratos no labirinto

Num Centro Comercial, a restauração nunca está perto de uma entrada ou saída. Isto, para que o acesso a essa zona, que é normalmente o ponto de maior interesse, nos leve a ter que passar por quase tudo o resto. A arquitectura é sobretudo concêntrica: a ideia é estarmos virados para dentro e não para fora. As janelas são escassas ou inexistentes. Nos raros casos em que há espaços exteriores, como esplanadas ou jardins, não se consegue chegar a estes directamente nem sair deles sem ter que fazer novamente um extenso percurso por corredores de montras. A visibilidade de uns pisos para outros não tem como objectivo principal a airosidade do espaço, mas a canalização do olhar para outras lojas noutros patamares. A colocação dos elevadores não é feita segundo uma maior comodidade dos utentes, mas para potenciar o seu posicionamento. Nenhum elevador nos leva directamente do estacionamento até junto ao cinema. Cada vez gosto menos destes sítios. São truques a mais para um edifício só. Prefiro ir comprar tangerinas e ficar a saber se vai chover amanhã ou não.

Visão cósmica de preparação rápida e satisfação garantida

Em tempos interrogava-me sobre a dimensão do universo. Sobre o espaço e o tempo. Sobre a própria existência. Felizmente, o assunto foi para mim encerrado numa fórmula muito simples:

O céu é muito bonito. De dia tem nuvens, à noite tem estrelas. E nós, cá andamos…

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

O Bruce Banner de Bragança

As campanhas políticas e os jogos de futebol são excelentes oportunidades para o herói. O herói é mais forte do que toda a gente, não tem medo de ninguém, leva-se da breca por dá-cá-aquela-palha e está sempre pronto para andar à porrada, mesmo quando o problema é de simples solução. Só que às vezes aos heróis o tiro sai-lhes pela culatra. O herói de Bragança, que conduz um SUV e tem um rabo de cavalo que lhe fica mesmo a matar, achou que os seus conterrâneos apoiantes de um partido tinham que desandar de imediato da sua frente porque sua excelência queria passar. Vai daí, saiu do carro irado e, qual Bruce Banner, estava pronto a libertar o Hulk que dentro dele vive. Começou por empurrar o primeiro sujeito que viu à frente, e não contente com a investida, fez um passo de kung-fu digno até do próprio Bruce Lee, para deixar bem claro quem é que era ali o mauzão. O problema é que nem todos estavam para essas fitas, e um calmeirão que por ali andava decidiu refrear os ânimos do herói. Primeiro, chegou-lhe o dedo ao nariz em tom de aviso, mas como o herói não se acalmou, assentou-lhe uma solha daquelas que até fazem eco. O herói, depois de dizer que fazia e que acontecia, teve que se enfiar no carro e desandar, antes que levasse mais duas ou três para a viagem. Vídeo do herói, aqui.

domingo, 20 de Setembro de 2009

E Deus criou a mulher


Um blog que faz duvidar até os não-crentes como eu. A partir de hoje, nos links ali ao lado. Para ilustrar a entrada, uma foto de Nicole Scherzinger, vocalista das Pussycat Dolls e, para mim, uma das mulheres mais belas do mundo. Criminosamente bela. Atentadonuclearmente bela.

Das declarações de amor


Peço desculpa pela repetição, mas é quase um serviço público relembrar as orientações deste guia. Na foto, amor e folhas de eucalipto.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

O dia perfeito

Hoje estão 18 graus. Veste-se manga curta e roupa leve, mas não está calor. Sente-se uma suave e refrescante brisa. O Sol irradia e ilumina toda a cidade. O céu bem azul. Hoje é o dia perfeito.

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Um post para os mais novos


Uma leitora do blog fez-me chegar a sua indignação por achar que os dois posts anteriores a este eram de carácter "sexista", só porque eu disse que as meninas da Red Bull Air Race eram uns belos aviões, e por ter publicado uma foto da outra menina que votou pela primeira vez aos dezassete anos, muito bem despida numa passagem de modelos. Muito me entristecem estas injustas críticas, pois o Filosofia de Curral é um blog para toda a família, e a prová-lo aqui fica um post para os mais pequenitos, com o Mickey, a Minnie, e uma cândida menina ainda em idade de usar chupeta.

domingo, 13 de Setembro de 2009

Oh Carolina…


"Desde que idade vota? Votou sempre no Partido Socialista?"

Desde os dezoito anos, ou seja, desde 2005. Para as legislativas votei sempre PS. Em outras eleições não necessariamente, depende dos candidatos...

Carolina Patrocínio, mandatária para a juventude do PS nas próximas legislativas, em entrevista ao Jornal i.


A menina das cerejas sem caroço e das uvas sem grainhas nasceu em 27 de Maio de 1987. As últimas eleições legislativas em Portugal foram a 20 de Fevereiro de 2005, cerca de três meses antes de a menina completar os dezoito aninhos. Das duas uma: ou esta entrevista não foi escrita por ela, ou a menina anda muito esquecida, tão esquecida que até se esqueceu de que nunca votou numas eleições legislativas.

Que belos aviões se vêem na Red Bull Air Race…

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

11-09-2001


Aqui, em vista panorâmica. Nunca esqueceremos.

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

A wonderful life


Encontrei esta foto que tirei em 2007 e fez-me lembrar esta música. Música e foto têm uma diferença de vinte anos, mas acho que estão bem uma para a outra. Tenho que voltar. A Londres.

É isso aí

No ano passado, no Brasil, umas amigas que por lá fiz disseram-me que a Ana Carolina era "sapatona". Eu não sabia o que era "sapatona", mas agora já sei. Sapatona ou não, a rapariga canta que é uma beleza. E esta música, em dueto com o Seu Jorge, é lindíssima. Os brasileiros são danados para as musiquinhas de derreter corações. Aqui.

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Uma conspiração sobre a conspiração

Se eu fosse o manda-chuva da tal empresa espanhola que supostamente silenciou a senhora jornalista de alto gabarito, antes de o fazer, pensaria assim: se agora, a umas semanas das eleições, eu mandar esta gaja para a rua, toda a gente vai pensar que foi o Primeiro-ministro lá dos gajos que mexeu os cordelinhos, o que facilita um bocado a vida à oposição, até porque o senhor andou a chamar travesti à senhora e coiso e tal.

Assim sendo, resta saber qual o dirigente político da oposição que está verdadeiramente por detrás do afastamento da senhora jornalista de alto gabarito do tal noticiário de mais alto gabarito ainda.

Para se avaliar imparcialmente o gabarito de ambos (senhora jornalista e noticiário), basta ver um vídeo da abertura do Jornal Nacional que eu e mais uns milhões de portugueses vimos em directo, às oito horinhas da noite, e que dava ao povão uma trindade em sequência dos acontecimentos que realmente são importantes para as nossas insignificantes vidinhas: Lili Caneças, Big Brother e Benfica. Um mimo.

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Declaração de apoio - Legislativas 2009


À semelhança do que acontece nos Estados Unidos com os jornais, que declaram o seu apoio a partidos ou candidatos, o Filosofia de Curral vem assim tomar posição e esclarecer os leitores, declarando publicamente o seu apoio ao Fantasma da Abstenção nas próximas eleições legislativas. O FdC tentará também entrevistá-lo entre as legislativas e as autárquicas, pois agora o Dr. Fantasma deve andar muito ocupado com as primeiras acções de campanha.

domingo, 6 de Setembro de 2009

Alguém explique a esta menina a diferença entre "todos" e "só alguns"


E só mais uma coisita, a propósito do desporto rei: se o Liédson jogar pela selecção portuguesa, deixo de assistir aos jogos. Não por qualquer espécie de discriminação contra os estrangeiros. Mas gostava que a selecção não fosse constituída por brasileiros naturalizados, e caminhamos para a ausência de portugueses.
Verdade que depois de naturalizados são, para todos os efeitos, portugueses. Mas para efeitos futebolísticos não. Na selecção, não!


Marta Rebelo, Deputada à Assembleia da República, no Blog de Esquerda.

Liédson, cidadão português desde Agosto, jogador do Sporting e agora da Selecção Nacional, marcou ontem o golo que permitiu à Selecção continuar na luta, mesmo que difícil, pelo apuramento para o Mundial de 2010.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Até que enfim


Depois de cinco edições umas piores que as outras, a Playboy portuguesa lá conseguiu, na sua sexta edição, fazer o que lhe compete: publicar umas fotos de gajas boas e despidas. Depois de pagarem a santinhas cor-de-rosa cheias de frio e de vergonha, a anãs que têm a mania que são boas, a pimbalhonas tatuadas e de mamas deformadas, e a fulaninhas que levam o namorado atrás delas, agora sim. A capa de Setembro é Liliana Queiroz, um monumento de mulher, a única verdadeira Playmate portuguesa até à data, uma gaja tão boa que até me deixa deprimido. E quem comprar a edição fica também a saber que o grande José Cid é cinquenta vezes melhor na cama que o Julio Iglesias.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O meu dinheiro

Há pessoas que andam sempre por aí a dizer que alguém anda a fazer não sei o quê com o "seu" dinheiro. "Pois, andam a fazer inaugurações com o meu dinheiro", ou "estádios com o meu dinheiro", ou "espectáculos com o meu dinheiro". Só que não é com o dinheiro "deles", é com o dinheiro pago por eles e pelos restantes contribuintes, o dinheiro que os cidadãos têm que entregar ao Estado para financiar a organização em sistema da área geográfica que habitam, aquelas coisas que normalmente têm o nome de país. Pagar impostos é uma chatice, mas sempre é melhor do que viver na selva. E aos que aspiram a que o "seu" dinheiro sirva só para fazer coisas em "seu" proveito, dá-me vontade de lhes perguntar se a maternidade onde nasceram também foi paga com o "seu" dinheiro, ou se as escolas onde estudaram também foram pagas com o "seu" dinheiro. Se cada um só pudesse tirar proveito exclusivamente daquilo que é ou foi pago com o "seu" dinheiro, ninguém iria ter direito a grande coisa.

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Última hora

Ainda não é conhecido o(a) mandatário(a) para a juventude do PSD para as próximas legislativas. O Filosofia de Curral sabe, porém, que a direcção nacional do partido impôs a condição de o(a) escolhido(a) ter uma empregada capaz de lhe retirar as grainhas dos figos, de modo a poder assim destacar-se em toda a linha da sua adversária directa, a mandatária para a juventude do PS.

sábado, 29 de Agosto de 2009

Breve ensaio dos pratos gigantes respingados de molho

Quem, nos dias que correm, entrar num restaurante com a esperança de que lhe seja colocada na mesa uma travessa fumegante a transbordar de comidinha quentinha e deliciosa corre o risco de ser apontado a dedo como um australopiteco que saiu da caverna para ir à civilização satisfazer a sua necessidade primitiva de encher o bandulho. A relação entre almoçar ou jantar fora e matar a fome tem sido vítima dos mais sanguinários ataques. Comer bem e conviver descontraidamente com familiares ou amigos é quase proibido. A ideia é falar baixinho, manter a pose, as costas direitas, e tentar em segredo descobrir para que é que serve cada um dos cinco copos e as dezenas de talheres milimetricamente alinhados na mesa para cada pessoa. E terrível o sacrilégio dos infiéis que pedem uma chanfana, uma carne de porco à alentejana ou um modesto mas saciante bitoque com ovo a cavalo. A nova ordem culinária determina que o que é fino é sacar da carteira couro e cabelo para passar fome. E se, no infeliz acontecimento de o chef ser um daqueles que aparecem na televisão a cozinhar, a entrevistar pessoas ou a dizer aonde vão passar as férias, mais vale passar no banco antes e garantir um empréstimo para o caso de alguém se lembrar de pedir sobremesa e um digestivo. As travessas são objectos do passado, e a comida é servida em doses individuais, como se fossem rações de combate para civis, inibindo assim à partida o abuso de quem deseje provar "mais um bocadinho" ou a total grosseria de quem gostaria até de "repetir". A quantidade de comida tem que ser inversamente proporcional ao tamanho do prato. O ideal é que este seja quase do tamanho da mesa e que o tornedó com legumes ou medalhão de abrótea com ervilhas ocupem apenas dez a quinze por cento do seu espaço útil, deixando assim campo aberto para uma folha de hortelã e um generoso e esteticamente interessante salpicado de diversos molhos, residindo nestes últimos o verdadeiro valor nutricional de tão reconfortante refeição.

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

O velho

Enquanto fazia alguns exercícios depois de uma corrida, num parque público, um homem aproximou-se de mim. A mesa posta e as cadeiras testemunhavam um piquenique com outras pessoas que, momentaneamente, se tinham ausentado. Era velho, amparava-se com uma bengala e uma muleta, e demorou alguns minutos a percorrer três ou quatro metros. No breve instante em que os nossos olhares se cruzaram, vi-lhe o desejo de poder voltar atrás no tempo e recuperar a juventude e a mobilidade perdida. Manteve-se a um ou dois metros de mim durante alguns minutos, e afastou-se um pouco. Depois começou a observar o chão, as árvores, os raios solares nas folhas, as outras pessoas que passavam, como alguém que pressente que está próximo o momento em que todo esse espectáculo acaba. Eu não consegui dizer nada, ele também nada disse. Mas ambos percebemos. As pessoas envelhecem e morrem e as coisas não deviam ser assim.

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Os caciques

O ex-Presidente da Câmara de Marco de Canaveses, Avelino Ferreira Torres, o senhor que se pode ver aos pontapés neste vídeo, embora não a jogar à bola, num jogo de futebol num estádio com o nome dele, é novamente candidato à Câmara do Marco. Este senhor já não é Presidente porque, quando o era em Marco de Canaveses, decidiu subir a parada e candidatar-se à Câmara de Amarante. Perdeu, e agora volta com o rabinho entre as pernas para ver se os eleitores que abandonou em 2005 no Marco lhe voltam a oferecer o lugar em 2009. O que merecia agora era que o mandassem pregar para Amarante, mas no país onde são eleitos candidatos como Isaltino Morais, Fátima Felgueiras ou Valentim Loureiro, tudo é possível.

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

"Who's dead?"

Há lunáticos que acreditam em tudo. Há também lunáticos que gostam de fazer outros lunáticos como eles acreditar em tudo. E, por norma, a comunicação social serve de intermediária entre os lunáticos A e os lunáticos B. Os primeiros inventam as mais mirabolantes teorias da conspiração, e os segundos papam-nas como torradinhas ao pequeno-almoço. De passagem, vendem-se jornais e cria-se tráfego para sites. Já o Jackson, coitadito, está morto e bem morto, até porque quando estava vivo já era assim tipo morto-vivo. O jornal i dá voz à histeria com uma notícia sobre um vídeo que um chico-esperto qualquer pôs a circular na internet para suportar uma teoria de que afinal Michael Jackson está vivo. Repare-se na alta definição, no grande plano da cara de Jackson, no ambiente iluminado, nas dezenas de pessoas presentes. E como se não bastasse, há ainda a garantia de que é "de fonte segura". Há quem afirme também, "de fonte segura", que Elvis e Hitler também estão vivinhos da silva. Porra, começa-me a faltar a paciência para tanta notícia de merda…

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

O sintoma


Algures em 2008, o barril de petróleo alcançou um preço recorde de cerca de 150 dólares. Hoje li no jornal que o mesmo barril de petróleo vale cerca de 75 dólares, ou seja, metade. O petróleo é o mesmo, as jazidas são as mesmas, a indústria, a mesma, e a procura (ou dependência), a mesma. Estamos entregues aos agiotas, os de gravatinha, e os de turbante. Tanto uns como outros estão preocupados apenas com os seus bolsos. Alguém devia ter retirado lições sobre os perigos do capitalismo desenfreado e suicida com o que aconteceu nos últimos meses, mas pelos visto a máquina retomou o seu imparável andamento.

Michael Moore pode ter um estilo brejeiro e uma visão tendenciosa, pois quer ser um justiceiro dos tempos da multimédia. Ainda assim, vale a pena ouvir o que ele tem para dizer. O trailer do seu próximo filme-documentário, Capitalism: a love story, já está disponível.

E o anúncio de TV mais idiota do Verão de 2009 é…

Este, obviamente.

sábado, 22 de Agosto de 2009

O país mesquinho

Hoje morreram cinco pessoas numa praia do Algarve, devido à derrocada de uma falésia. Na caixa de comentários da notícia na página do Público, há de tudo: críticas ao Presidente da República e ao Primeiro-ministro por se terem deslocado ao local (se não tivessem ido seriam criticados também), pedidos de cabeças dos dirigentes das instituições locais, "bem-feitas" de regozijo com a morte de pessoas só porque não respeitaram uma placa improvisada, bocas engraçadinhas de politiqueiros de tasca, trocas de galhardetes com alusões futebolísticas e até discussões sobre gramática e ortografia. Em suma, um quase total desrespeito pelas pobres pessoas que morreram. Contam-se pelos dedos de uma ou duas mãos as mensagens simples de pesar pela tragédia e de condolências aos familiares e amigos das vítimas. Há por aí muita gentalha bem reles.

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

O filho da puta: a sequência

João Constâncio, filho de Victor Constâncio (Governador do Banco de Portugal), escreveu um texto sobre o PIB e Manuela Ferreira Leite, no SIMplex, um blog de apoio ao Partido Socialista.

João Gonçalves, blogger do Jamais, um blog de apoio ao Partido Social Democrata, escreveu um texto sobre o ensaio de João Constâncio, desancando nele e no seu pai, dizendo que estavam bem um para o outro.

João Galamba, terceiro candidato à Assembleia da República pelo PS em Santarém, escreveu um texto a apelar a "um pingo de decência" por parte dos outros bloggers do Jamais, que deveriam repudiar o texto de João Gonçalves.

E logo a seguir, o mesmo João Galamba, ilustre candidato a deputado, subiu a parada e, com litros de decência, escreveu um texto a chamar João Gonçalves de filho da puta, com todas as letrinhas.

As próximas eleições vão ser um belo circo.

Parabéns, Nelson!


Nelson Évora alcançou a Medalha de Prata do Triplo Salto nos Campeonatos do Mundo de Atletismo de Berlim. Nelson Évora é um grande campeão e merece todos os louvores por mais esta grande conquista para o desporto nacional.

Foto: Max Rossi - Reuters.

O puto do BMW

Há cerca de dois anos, dois rapazes perderam a vida num brutal acidente que se deu, de madrugada, na VICEG, a variante à cidade da Guarda. A estrada tem duas vias em ambos os sentidos. Parece uma auto-estrada, mas não é. Convida a andar depressa, mas o limite de velocidade é, logicamente, 80 quilómetros por hora. Esse acidente deu-se ao fim de uma descida de cerca de dois quilómetros, junto a uma das saídas para um bairro, numa curva que exige alguma precaução, pois o declive de compensação é quase nulo, e um carro a alta velocidade facilmente poderá descontrolar-se. Conta-se que o choque se deu a 200 quilómetros por hora, velocidade a que bloqueou o velocímetro após o embate do automóvel contra um dos postes de iluminação do separador central. Eu não sei se isso é verdade, mas sei que o embate foi tão violento que o carro arrancou completamente do chão o poste no qual embateu, e para que o peso de um só automóvel consiga fazer isso, a sua velocidade tem que ser elevadíssima. O que deve ter acontecido é simples: ao cortar a curva a alta velocidade, algo correu mal, o carro descontrolou-se, e provavelmente o condutor nem teve hipótese para a mínima reacção, pois os pontos fixos de possível embate, os postes, sucedem-se de 40 em 40 metros.

Há uns dias passei no mesmo sítio a pé, pois costumo correr na VICEG. Sei que não é permitido fazê-lo, mas ainda assim, dada a generosa berma, sinto-me mais seguro ao fazê-lo ali do que em outros locais até no centro da cidade. A polícia também já me viu lá, a mim e a outros, e nunca chateou ninguém. Ao passar no local, um carro fez a curva a uma velocidade extrema, com os pneus a chiar, e em ultrapassagem a outro automóvel que seguia em velocidade perfeitamente moderada. O carro era um BMW, conduzido por um fedelho estúpido que não tem mais de 20 anos, mas que deve ter mais de 20 quilos de merda na cabeça em vez de massa cinzenta. O carro ia, claramente, a mais de duzentos quilómetros por hora.

Enquanto não for possível um maior controlo destes potenciais suicidas/assassinos das estradas, ninguém está seguro.

"O novo Marlon Brando"

Atenção, cinéfilos saudosos de O Padrinho, O último tango em Paris e Há lodo no cais: segundo o jornal 24 Horas, foi encontrado o novo Marlon Brando.

Ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah [Dor abdominal insuportável, lágrimas a jorros e quase total falta de ar de tanto rir] ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah…

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

A expedição


Ontem, Sábado, à porta do Clube de Montanhismo da Guarda, de partida para mais uma expedição de BTT à Serra da Estrela. Da esquerda para a direita: Tiago, Vicente, João Luís, Mané, Gabriel, Coelho, Currais, Nelson e Zé. E hoje, Domingo, já sem bike mas com sapatilhas, subidinha de 9 Km até ao topo do Monte Colcurinho, na Serra do Açor, a 1200 M de altitude, numa prova do Circuito Nacional de Corrida de Montanha, com a chegada do rapaz e respectivo crime ambiental registados em vídeo. Nota: a garrafa foi recolhida pela organização, juntamente com muitas outras, e os invólucros de gel energético que iam no bolso dos calções foram devidamente depositados no contentor do lixo…