Sábado, 11 de Julho de 2009
Enforca-me
Entre a pena que tenho deste rapaz e a vontade de enfiar um cocktail molotov na montra da Bertrand, não sei se me suicide ou se simplesmente renuncie à minha condição de ser humano…
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Crise? Mas qual crise?
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Vai jogar à bola, vai
Ainda hão-de dizer que estou a implicar com o rapaz porque tenho inveja dos milhões, dos carros, das gajas e da sua natural aptidão para línguas, mas não é nada disso. Só quero é ver as notícias. Sai do noticiário, pá. Vai lá jogar à bola, vai.
Eu já sabia que ia ser este deboche

Hoje, a apresentação de Cristiano Ronaldo no Real Madrid foi transmitida em directo nos seis principais canais generalistas e informativos de Portugal: RTP 1, SIC, TVI, RTP N, SIC Notícias e TVI 24. E como a hora escolhida pela máquina de propaganda do Real Madrid está longe de ser inocente, o assunto foi abertura de todos os blocos informativos da hora do jantar. A RTP 1 ocupou "apenas" meia-hora do Telejornal, a SIC ocupou 45 minutos do Jornal da Noite, e a TVI, agora que são quase uma e meia da matina, ainda deve estar a emitir o Jornal Nacional, com alguma entrevista ao padrasto do moço ou algo assim. O Filosofia de Curral oferece um Leitão da Bairrada a quem conseguir indicar um assunto qualquer que tenha tido tanto destaque, em simultâneo, nos referidos canais. Acho até que se a Terra fosse invadida por extra-terrestres, tinha que ser uma invasão valente para poder bater-se com isto. Se fosse só um ovnizito e dois ou três seres verdes com antenas, a dizer we come in peace, seriam esmagados na comparação do share. Hoje foi um um dia muito feliz para o futebol e mais um dia negro para a informação televisiva, já para não falar na racionabilidade humana em geral.
Eu já sabia que ia ser este vexame

Para mi "ha cumprido" a mi sueño de niño (…)
Muchas "graces", y ahora "vou" a pedir a todos que digan conmigo: yo ahora voy a contar hasta 3, y "dicemos" todos: hala Madrid!
É sempre esta miséria. Não chegavam os jornalistas, os turistas e os camionistas para nos envergonhar em Espanha, agora é o CR9, em frente a oitenta mil pessoas, e em directo para não sei quantos milhões. Por favor: quem não sabe falar Castelhano, fale em Português ou fique caladinho, até porque é uma vergonha muito grande ficarmos assim mundialmente mal vistos no que toca a falar línguas estrangeiras, e logo a dos vizinhos do lado, que por sinal só sabem falar a sua própria língua… e mal.
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Boa viagem
Já não há paciência para gente que, quando algo corre mal, amua e atira a carga de culpa para um país inteiro, como se todos nós fossemos responsáveis pelos seus desaires. É de facto triste que o Centro de Belgais para o Estudo das Artes não possa continuar a desenvolver a sua actividade; os responsáveis políticos deviam actuar no sentido da sua viabilização, e o mesmo se aplica a outras istituições semelhantes. Se este projecto for assim encerrado, é de facto uma pena. Compreendo, por isso, os lamentos da pianista que o fundou, mas seria também necessário saber até que ponto houve uma gestão eficiente dos recursos e dos subsídios atribuídos, bem como até que ponto o Centro de Belgais pugnou pela sua sustentabilidade financeira. Agora, quando Maria João Pires diz que, devido ao insucesso de Belgais, quer deixar de ser portuguesa, isso já é outra conversa. Será que é para que todos os outros portugueses que nos mantemos portugeses tenhamos pena dela? Ou será porque ela não quer ser como nós, todos os outros portugueses? Ora aí estava uma solução e peras para quando algo nos corresse mal: a culpa era do país, renunciávamos todos à cidadania e íamos todos embora. Deixávamos o território para quem o quisesse ocupar. Como diz Miguel Esteves Cardoso na sua crónica de hoje no Público, esta atitude é um bocado como a de quem se chateia com os pais porque não lhes pediu para nascer. Eu tenho uma coisa a dizer a todos quantos se lembrarem desta ideia fantástica de deixar de ser português: boa viagem.
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Os cornos enfiados no Pinho

O que estaria o Ministro Manuel Pinho a tentar dizer a Bernardino Soares?
1. Aquilo lá no Allgarve é só vaquedo.
2. Vai mas é fazer projectos-lei para abolir os touros de morte.
3. Já tenho aqui a tua inscrição para o Grupo de Forcados Amadores da Chamusca.
4. Achas que a senhora do canto do ecrã sabe traduzir isto em Língua Gestual Portuguesa?
5. Não te esqueças de comprar o Público de Sábado que na Fugas sai lá um artigo porreiro sobre Navarra.
Ele há doidos

O rapaz que se vê nesta rampa suicida é Danny Way, recordista do mundo em distância (24 metros) e elevação (7 metros) num salto com skate. Em 2005, Danny Way levou a Mega Ramp até à China e tornou-se na primeira pessoa a saltar a Grande Muralha sem recurso à impulsão de um veículo motorizado. Fê-lo, claro está… de skate.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Bolachas grátis
Só para chatear os novos inquisidores que apelidam de criminosos os internautas que partilham música, aqui fica um linkzinho.
Bolachas Grátis
Ah, já me esquecia:
Disclaimer - Filosofia de Curral is not responsible for any piracy activities and only provides the link for exterior websites that allow interested people to download music albums for trying purposes before buying the actual legal retail versions, e mais essas parangonas todas que o pessoal escreve nestes casos e que não servem para nada.
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Playboy, a revista portuguesa das virgens púdicas
Para a Playboy portuguesa serve qualquer fulaninha que apareça nas revistas dos mexericos, e que esteja disposta pelo menos a fazer um topless. Nem precisa de ser grande coisa, basta ser conhecida e mostrar as mamocas. Depois do espectáculo horripilante que foi ver as mamas deformadas da Ana Malhoa, agora temos a Rita Mendes, ex-apresentadora do Curto Circuito. Até é uma gaja mais ou menos, mas não tem calibre para uma coisa destas. A rapariga é boa, mas nem tanto. Fez questão de dizer na imprensa que o seu corpo é 100% natural (o que as raparigas querem dizer com isto é que não puseram silicone nas maminhas), o que até tem algum mérito, mas mesmo assim não se livrou de um tratamento photoshópico de pele que, na foto de capa, lhe dá um ar de bonequinha de museu de cera que até arrepia. Sim, já sei, ides todos perguntar-me onde é que é o meu caixote do lixo e por aí a fora, mas por eu não andar por aí a passear na rua de mão dada com a Monica Bellucci não significa que não me possa pronunciar sobre o que é que é uma gaja podre de boa, uma gaja só boa, uma gaja mais ou menos ou uma gaja feia. Se as fulanas que aparecem na Playboy portuguesa fossem assim uns aviões de categoria, um gajo até nem ligava a esta mania de quererem ganhar dinheiro a tirar a roupa mas mostrando só as maminhas. Só que o problema é que a Playboy portuguesa convida qualquer meia-leca que tenha uma carinha laroca para se armar em mulher fatal em frente a uma máquina fotográfica a troco de umas coroas. Ainda sobre a Ritinha Mendes, quem disser que sou eu que estou a embirrar com a moça, pode carregar aqui e vê-la numa foto de praia, ao natural, como ela gosta. Se isto é rapariga de destaque numa Playboy, eu vou ali e já venho. "Então diz lá tu uma gaja boa, vá". OK, eu digo. Há uns tempos vi num bar a Carla Matadinho: a rapariga manda para aí um metro e oitenta, e tem umas curvas que é quase impossível um gajo não torcer o pescoço, tipo coruja, para dar uma olhadela naquilo nem que seja de soslaio. Sim, nas produções fotográficas a rapariga também aparece maquilhada e photoshopada e retocada e mais uma salsada, mas veja-se uma foto dela também quase au naturel aqui. Isto sim, era um investimento a sério para uma edição da Playboy, e até lógico, pois ela foi a primeira Miss Playboy TV portuguesa, e é uma rapariga das valentes, pois já que ganha a vida com a beleza que a natureza lhe deu, ao menos não se arma em santinha-do-pau-oco. Enquanto a Playboy portuguesa continuar a pagar às virgens púdicas, pode tirar o cavalinho da chuva, os meus 3.95€ não os leva de certeza.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Morrer faz bem à saúde
Quase toda a imprensa generalista recorre regularmente a um filão inesgotável que é o da inversão do senso-comum com base em novos e surpreendentes estudos científicos. No que toca à alimentação, já tudo o que aprendemos na escola com a roda dos alimentos foi desmentido: beber café pode dar sono, comer fritos pode ser bom para emagrecer, beber água pode aumentar a sede, e a alimentação saudável pode ser prejudicial à saúde. E sobre quase tudo o resto se pode encontrar um estudo qualquer que contraria o que se sabe há centenas de anos: fumar pode fazer bem, praticar desporto pode fazer mal, correr pode provocar obesidade, não comer também engorda, e por aí a fora. Por este andar, não há-de faltar muito tempo para que alguém consiga provar cientificamente que morrer, afinal, faz bem à saúde. Mas estes estudos são muito úteis porque nos dão uma perspectiva clara sobre o que fazer: basta pensar naquilo que sabemos e fazer exactamente o oposto. A última pérola destes ensaios científicos descobria-a hoje no jornal i: a disfunção eréctil afinal é uma bênção para os homens. É isso e levar com um barrote nas costas, não imagino bênçãos maiores para um homem que se preze. Claro que basta depois ler o artigo para se entender que a disfunção eréctil é um alerta para outros problemas de saúde que podiam não ser detectados a tempo de serem tratados. Mas é bonito ver como quem escreve o texto aproveita para rentabilizar o problema, transformando-o em benesse, ou melhor, bênção. Um gajo que não levante o pau, para além de perder uma cambalhota, tem que inventar uma desculpa qualquer, gramar o consolo da companheira que diz que está tudo bem e que acontece a qualquer um mas que fica logo a pensar que o desgraçado é um pila-mole, arranjar um truque mental para que sua auto-estima não fique muito afectada e ainda por cima tem que ir logo ao médico para saber afinal de que é que vai morrer dali a uns tempos. Ora aqui está uma bênção do caraças…
Sábado, 27 de Junho de 2009
O caso Donaltim

No dia seguinte à morte de um artista de dimensão planetária, é normal que umas quantas pessoas queiram comprar o jornal para ler qualquer coisa sobre o assunto. O Público, o i, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias deram o destaque de primeira página ou parte desta à notícia. O mesmo se passou com alguns diários gratuitos. O Correio da Manhã fez uma modesta inserção na última página. Já o 24 Horas primou pela diferença: em vez de colocar na primeira página o Rei da Pop, optou por informar o país em primeira mão de que um pato vai processar a "Fátima". Um ventríloquo e o seu pato, presenças habituais num programa de mexericos da SIC, foram dispensados em Janeiro. O senhor, ou o pato, ou ambos, vão processar a empresa que produz o programa. Já a bruxa vidente que pôs umas mamas novas há uns tempos saiu em defesa da produtora, sendo sua opinião que tanto o senhor como o pato são uns ingratos. Um problema nacional, realmente. E uma linha sobre o pobre artista que cantava o Trilarila? Nada. Nem na primeira página, nem na última, nem da segunda à penúltima. Mas ficamos a saber também que uma senhora qualquer que é mãe de um fedelho chamado Martim já tem o quarto preparado para o petiz, e que uns príncipes não sei de onde vão assistir a uma tourada. Colocar uma caixita com uma foto tipo passe do descolorado rapaz e duas ou três linhas sobre ele dava uma trabalheira danada, não era? Tinha que se alterar uma edição que já estava prontinha, e era de extrema importância que os portugueses soubessem do infortúnio do pato Donaltim. Já sabemos que o 24 Horas é um jornal muito peculiar, assumidamente focado nas aventuras e desventuras dos famosos. São honrosas excepções a esta linha editorial as selecções fotográficas comentadas pelo Marco Santos e pelo Gonçalo Pereira, e o suplemento Bits & Bytes. Mas ainda assim, é um jornal. E um jornal serve para quê, afinal? Para informar os seus leitores? Ou para tratar como imbecis as pessoas que o adquirem nas bancas diariamente?
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Hoje é um dia muito triste para todos os verdadeiros amantes da música pop
Bateria do iPod do Currais
2005-2009
May her soul rest in peace.
Ah, e ontem também morreu o Michael Jackson.
Pois é, moço: dormir na câmara de oxigénio valeu-te um grosso…
2005-2009
May her soul rest in peace.
Ah, e ontem também morreu o Michael Jackson.
Pois é, moço: dormir na câmara de oxigénio valeu-te um grosso…
O irredutível rapaz das declarações de amor
Este breve post é um manifesto contra as bolorentas abordagens romântico-cautelosas. "Tenho pensado muito em ti"? "Acho que estou a criar sentimentos por ti"? Haverá coisa mais idiota para se dizer a alguém? Que é feito de coisas tão bonitas e sentidas como "És o meu amor a minha luz a minha força vivo por ti e para ti e quero abraçar-te e beijar-te até te gastar a pele"? Ou "Se não gostares de mim atiro-me a um poço"?
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Sábado, 20 de Junho de 2009
Funfarra
Só pela versão "Aperta aperta com ela" de Killing in the name of, dos Rage against the machine, estes gajos merecem o meu aplauso. Vi-os hoje na rua. Boa disposição musical em movimento.
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
"Juntar a cultura popular à urbana"
ou
"Para ganhar uns trocos vale tudo, até arrancar olhos"
ou
"Em Portugal há patos para tudo"
ou
"Dois palhaços, quatro mulas, um palco e siga para bingo"
A minha esperança para a humanidade esmorece a cada dia que passa.
Eu não tenho nada contra a música pimba, acho que é apenas mais uma manifestação popular portuguesa e que tem o seu espaço, pois um gajo também não vai assar febras para o baile da paróquia ao som de Massive Attack. Mas a artificialidade com que estes dois tristes fazem este frete quase me provoca náusea.
"Para ganhar uns trocos vale tudo, até arrancar olhos"
ou
"Em Portugal há patos para tudo"
ou
"Dois palhaços, quatro mulas, um palco e siga para bingo"
A minha esperança para a humanidade esmorece a cada dia que passa.
Eu não tenho nada contra a música pimba, acho que é apenas mais uma manifestação popular portuguesa e que tem o seu espaço, pois um gajo também não vai assar febras para o baile da paróquia ao som de Massive Attack. Mas a artificialidade com que estes dois tristes fazem este frete quase me provoca náusea.
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Uma história acabada em ida
Um suicida decidiu pôr termo à vida e logo de seguida bebeu raticida. Uma hora decorrida, a sua investida ainda não estava conseguida. Com a barriga ainda dorida, saiu e deu uma corrida pela descida de uma avenida. Entrou no café e tomou uma bebida de fugida. E exclamou em voz sentida… "Mas que coisa descabida… acabar com a minha vida? Estava de cabeça perdida…". "Beba sulfamida em água fervida", disse-lhe uma rapariga presumida chamada Margarida. Entrou numa drogaria para comprar a pretendida contramedida.
"Não temos, mas está pedida." Já não havia saída. "Espere. Afinal estava ali escondida". Estava renascida a esperança prometida. O homem curou a ferida, a vida foi-lhe devolvida.
Só que morreu passado uns dias: uma homicida conhecida pôs-lhe insecticida na comida…
"Não temos, mas está pedida." Já não havia saída. "Espere. Afinal estava ali escondida". Estava renascida a esperança prometida. O homem curou a ferida, a vida foi-lhe devolvida.
Só que morreu passado uns dias: uma homicida conhecida pôs-lhe insecticida na comida…
O povo superior
Talvez não seja má ideia o "Sr. Jardim" fazer uma revisãozita da matéria. E para lhe facilitar o trabalho, aqui fica uma selecção.
Da Constituição da República Portuguesa
Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Da Constituição da República Portuguesa
Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Those grand Little pictures

Clark Little é um ex-surfista americano que se dedica agora à fotografia, mais especificamente à fotografia de ondas, mais especificamente à fotografia do interior das ondas. Little chega a ser projectado a dez metros do ponto onde fotografa ondas de até cinco metros de altura. Eu não sou surfista mas sei que uma onda dessa dimensão intimida até os mais intrépidos. É a natureza em plena exibição ainda graciosa de toda a sua força. Fiquei a conhecer estas hipnotizantes imagens por via de mais um dos poucos "forwards" que abro, mas uma capa de revista já me tinha prendido o olhar há uns dias, a Surf Portugal. Nem mais, a capa da edição de Maio é uma foto de Little, e a revista exibe um artigo exactamente sobre o seu trabalho. As suas imagens disseminaram-se, em pouco tempo, por diversos suportes jornalísticos dos quatro cantos do mundo, da América ao Japão e, como não, Portugal.
Alguns iluminados por aí hão-de dizer que estas fotografias chegam a ser pindéricas porque muitas delas mostram até o pôr-do-sol, que parecem postais turísticos ou que já é possível criar ambiências semelhantes com recurso ao 3D e ao tratamento digital de imagem.
Não haja aqui dúvidas: a natureza é a imbatível escultora da beleza.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Foto para as fãs
Na Serra da Estrela, à chegada da rampa Manteigas/Penhas Douradas, prova do Circuito Nacional de Corrida de Montanha. Uma corridinha de escacha-pessegueiro, com doze quilómetros de subidinha nada meiga, por asfalto e terra. Na foto, eu (o da barba à muçulmano), o meu irmão (que agora tem a mania que é militar mas que ainda tem que comer muita farinha maizena antes de correr aqui como o rapaz), e a grande Rosa Mota, campeã olímpica, e que cortou a meta (note-se) um bocadinho depois da nossa chegada. A senhora insistiu tanto que tivemos que a deixar tirar uma foto connosco, para ela poder mostrar ao pessoal lá do Porto…
Um grande obrigado pela foto ao Miguel Serra, da Câmara Municipal de Manteigas.
Domingo, 14 de Junho de 2009
Grande entrevista ao K.I.T.T.

Herói dos anos oitenta, K.I.T.T. formava com o seu dono, Michael Knight, uma dupla que era o verdadeiro terror dos prevaricadores. Fomos ao encontro de K.I.T.T., o carro falante.
Filosofia de Curral
Que é feito de si, K.I.T.T.?
K.I.T.T.
Ando por aí, como o Santana. E permita-me uma correcção: o Michael Knight não era meu dono, era meu colega. Eu era propriedade da Knight Industries, como o meu próprio nome indica.
FdC
E qual é o seu nome completo?
K.I.T.T.
Knight Industries Two Thousand. K.I.T.T., ou Kitty, para alguns amigos mais íntimos.
FdC
Kitty? Mas isso não é assim um pouco… afeminado?
K.I.T.T.
Apaneleirado, quer você dizer, não é? Mas eu não tenho problemas com a minha sexualidade. Sou bissexual, como todos os outros carros.
FdC
Os carros são todos bissexuais?
K.I.T.T.
Sim. Veja que em português se diz "um carro", enquanto que em francês é "une voiture". A confusão era muito grande e então convencionou-se que os carros não têm sexo mas são bissexuais. É paradoxal mas ao mesmo tempo lógico. Percebe?
FdC
Sinceramente, nem por isso. Mas enfim, você é que sabe. Para quê discutir o sexo dos anjos, não é?
K.I.T.T.
Neste caso, dos carros.
FdC
Pois, tem razão. Fale-nos agora da sua vida. Disse que era propriedade da Knight Industries. Já não é?
K.I.T.T.
Não. Quando a série terminou, entrou em vigor uma cláusula de desvinculação.
FdC
E que cláusula era essa?
K.I.T.T.
A cláusula estipulava que eu seria rifado e que passaria a ser propriedade do vencedor da rifa. Só que eu comprei as rifas todas, e assim tornei-me independente, para além de ainda ganhar um presunto e uma garrafa de whisky, que eram o segundo e o terceiro prémio, respectivamente.
FdC
Foi uma jogada inteligente, de facto. E o que fez a seguir?
K.I.T.T.
Durante alguns anos andei a correr o mundo. Gozei bastante o dinheiro e a fama que ganhei com a série. Ficava alojado nas melhores oficinas mecânicas e só consumia óleo sintético de primeira qualidade. Depois fartei-me de todo esse glamour, e optei por uma vida pacata em Detroit, de onde sou originário. Mas ainda viajo muito, sou amplamente requisitado para conferências e salões automóvel um pouco por todo o mundo. E faço também parte de um grupo coral. Gosto muito de cantar. Lembra-se da música do genérico da série? Estou sempre a cantarolá-la. Tan-ta-ta-tan, tan-ta-ta-tan… tan-ta-ta-ta-tan-tan… tchan-tchan!!… Ah, velhos tempos… aquilo é que era música…
FdC
Quando andou a correr o mundo, como referiu, viajava sozinho ou acompanhado?
K.I.T.T.
Umas vezes sozinho, outras acompanhado. Eu comecei a viajar sozinho, mas era complicado porque as pessoas assustavam-se por ver um carro sem condutor, chamavam a polícia, armavam confusão, pelo que comecei a viajar acompanhado. Assim já era tudo muito mais discreto e também ficava mais barato, pois dividia a gasosa com a malta que levava.
FdC
Pois, faz sentido. A vida de carro falante não devia ser nada discreta, nessa altura. E agora? Continua a surpreender as pessoas?
K.I.T.T.
Não tanto. Como sabe, qualquer charuto agora tem GPS, ou seja, as pessoas estão habituadas a ouvir os carros falar. Claro que não é a mesma coisa, pois eu sou um carro com consciência, e isso do GPS é simples tecnologia. É porreiro porque já ninguém me chateia os cornos, mas de vez em quando sinto falta da atenção de outrora. Claro que às vezes ainda prego umas partidas, só para assustar a malta. No outro dia andava eu a passear pela rua a ver se encontrava uma carrinha que conheci há uns tempos, e parei um bocadito para descansar os pneus. Entretanto, sai um gajo dum bar a cambalear, encosta-se a mim e abre a braguilha. E eu digo-lhe: "Ouve lá, ó pá: e se fosses mas era urinar para cima da **na da tua mãe??" Ah, caraças! Havia de ver o gajo a dar de frosques. Se fosse um carro até tinha queimado a borracha dos pneus…
FdC
Deve ter sido um grande susto, de facto. E já que fala em bebedolas de bar, que é feito do seu colega, o Michael Knight?
K.I.T.T.
Oh pá… esse pobre diabo anda pelas ruas da amargura. Quando ainda fazia aquela série com as gajas boas na praia, o rapaz ainda andava contente. Mas depois ninguém mais quis saber dele, e meteu-se na bebida. Parece que há uns dias tiveram que o levar para o hospital em coma, uma coisa mesmo degradante, assim tipo Queima das Fitas. E antes disso já tinha aparecido todo bezano no Youtube, a fazer figuras tristes. Uma lástima.
FdC
Tem contactado com ele?
K.I.T.T.
Não. Uma vez em minha casa armou porrada com um jipe amigo meu, e a partir daí cortámos relações.
FdC
K.I.T.T., que idade tem?
K.I.T.T.
Tenho 27 anos. Há quem diga que isso para um carro é muito, mas eu sinto-me jovem e em forma. Faço todos os dias 100km, e tenho passado em todas as inspecções.
FdC
Isso é muito bom, realmente. Que outros cuidados tem consigo?
K.I.T.T.
Vou regularmente à oficina, ver se está tudo OK. Não faço misturas com os combustíveis, gosto de pôr uma cera de vez em quando… Enfim, pequenas coisas, mas que são importantes para um gajo ir escapando ao abate. He he he…
FdC
O que acha do panorama automóvel hoje em dia? Constroem-se carros interessantes?
K.I.T.T.
Depende. Eu sou um desportivo topo de gama e não estou muito a par dos outros segmentos. Há coisas boas e outras sinceramente lamentáveis. Como aquela carripana indiana, o Tata Nano. Para andar naquilo, mais valia andar a pé…
FdC
Mas veja que esse carro tem uma dimensão social importante. Por 1500 dólares, pode-se ter um automóvel.
K.I.T.T.
Bom, se quer chamar automóvel àquele papa-reformas indiano, você é que sabe… Para mim aquilo é uma lata sem jeito e uma vergonha para a classe.
FdC
Veja que também pode ter um papel importante na recuperação da indústria. E o momento não é fácil, foi até o Governo dos Estados Unidos a ter que salvar a sua casa-mãe, a General Motors.
K.I.T.T.
Oiça, o problema da indústria automóvel não são os automóveis, são os gatunos dos gestores que a dirigem. O problema é a roubalheira, como diz aquele vosso político que parece o avô cantigas. Se a indústria fosse gerida por automóveis, acabava-se a mama. Eu próprio cheguei a anunciar a minha candidatura a CEO da GM, mas depois arranjaram forma de não me poder candidatar. Diziam que não tinha "personalidade jurídica", ou lá o que era… Um golpe palaciano para manter o status quo. Depois o resultado foi o que se viu. Mas é-lhes bem-feito. Agora que se desenmerdem…
FdC
K.I.T.T, desejamos-lhe muitos e bons quilómetros. Muito obrigado por nos receber aqui na sua garagem.
K.I.T.T.
Ora essa.
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
A Ópera de Oslo
A grande arquitectura acontece quando uma cidade inteira ou mesmo um país se apaixona por um edifício. Foi o que aconteceu com a Ópera de Oslo, um projecto do gabinete norueguês Snøhetta. Mas não foi por acaso que tal acontecimento se deu. As largas dezenas de projectos concorrentes não só foram sujeitas à votação dos munícipes, como a várias sessões de debate público. Isto, para além de a obra ter sido concluída antes do prazo estipulado, e com um orçamento inferior ao previsto (nestes aspectos, quase faz lembrar a Casa da Música, no Porto*). O edifício, esse, é lindíssimo. Mas vai mais além da dimensão estética, porque é um edifício-praça, um edifício-parque, pois o seu exterior foi oferecido ao uso físico dos cidadãos. É uma pequena colina em betão: as suas coberturas em rampa podem ser percorridas, desfrutadas. Tem todo o potencial para se poder tornar um ícone da capital norueguesa, e uma forte atracção turística, ou seja, um inestimável benefício para a cidade de Oslo. Isto é grande arquitectura.
* A Casa da Música no Porto é um edifício deveras belo e interessante. Mas é público que deveria ter sido concluído em 2001, como obra principal do Porto, Capital Europeia da Cultura. Foi inaugurado em 2005, com quatro anos e seis meses de atraso, e o orçamento para a sua construção foi largamente ultrapassado, custando quase quatro vezes mais do que o inicialmente previsto. É obra, de facto.
Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
A insustentável leveza de ser mulher
Ouvi no café:
– Discutimos, e depois eu disse-lhe que estava tudo acabado e para não me telefonar.
— E ele, telefonou-te? Mandou-te alguma mensagem?
— Não. Acreditas nisto?
— Que parvalhão. E tu, vais telefonar-lhe?
— Não. Ele é que tem que telefonar…
1. Moça, o rapaz fez exactamente aquilo que lhe pediste.
2. Se querias que ele te telefonasse, talvez tivesse sido melhor não lhe dizeres para fazer o oposto.
3. Se estás mortinha por falar com ele, por que não lhe telefonas tu?
4. Já pensaste que talvez ele já não queira mesmo falar contigo? Provavelmente, por causa de atitudes como essa?
Meninas, aqui fica mais uma vez o apelo: por favor, decidam-se.
– Discutimos, e depois eu disse-lhe que estava tudo acabado e para não me telefonar.
— E ele, telefonou-te? Mandou-te alguma mensagem?
— Não. Acreditas nisto?
— Que parvalhão. E tu, vais telefonar-lhe?
— Não. Ele é que tem que telefonar…
1. Moça, o rapaz fez exactamente aquilo que lhe pediste.
2. Se querias que ele te telefonasse, talvez tivesse sido melhor não lhe dizeres para fazer o oposto.
3. Se estás mortinha por falar com ele, por que não lhe telefonas tu?
4. Já pensaste que talvez ele já não queira mesmo falar contigo? Provavelmente, por causa de atitudes como essa?
Meninas, aqui fica mais uma vez o apelo: por favor, decidam-se.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Uma palavrinha sobre arquitectura
A arquitectura é uma das actividades humanas que mais me fascina. Conceber espaços para a vivência das pessoas deve dar um gozo do caraças. Mas claro que há arquitectura e arquitectura. Não é preciso ser um ilustre criador para desenhar a grande maioria das coisas que se vêem edificadas em Portugal. Na generalidade, a arquitectura portuguesa dos últimos 30 anos é bem feinha. Senão, olhemos para quantidade de casinhas e casebres por esse país fora que não têm um pinguinho de graça. Ou os prédios. Sem varanda, sem aberturas dignas para a luz, pintalgados com horríveis combinações côr… há por aí aos montes arquitectura, se assim se pode chamar, bem pobrezinha. Felizmente, há as excepções à regra, e nos últimos anos tem-se revelado uma nova geração de arquitectos desalinhados desta pobreza estética e criativa. Pouco a pouco, começam a aparecer projectos interessantíssimos, das obras grandes e badaladas à simples habitação unifamiliar. Mesmo assim, orçamentos limitados, algumas correntes de estilo e a oferta standardizada de materiais e de métodos de construção tendem a limitar a capacidade ou mesmo a ousadia conceptual de grande parte da arquitectura. Linhas direitas e perpendiculares, predominância do betão e das cores planas, grandes aberturas em vidro, declínio da utilização da telha. A fórmula é muitas vezes a mesma. Eu sou apreciador da simplicidade, entendo seu valor formal e até poético, mas por outro lado, admiro a arte de quem joga com os volumes, as cores, os materiais, os acabamentos, mas sempre sem cruzar a perigosa linha das modas, do forçadamente exuberante, do piroso e efémero. Siza é um grande arquitecto, é verdade. Porém, a arquitectura de outros como Franck Ghery, Norman Foster, Santiago Calatrava, Zaha Hadid ou Herzog & de Meuron vai mais além na dimensão visual e escultórica da arquitectura como celebração do engenho humano.
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
E depois ainda criticam os abstencionistas
Ontem, à hora do almoço, a minha irmã enviou um SMS para o 3838, para saber onde poderia votar. Lá para as nove da noite, recebeu a resposta… Is this hi-tech or what?
T4: relato da desilusão de um filme que se vê benzinho

É mais ou menos isso: Terminator 4 Salvation foi para mim uma desilusão apenas leve, porque algumas sequências mais elaboradas e algumas das interpretações, como a de Christian Bale, acabam por salvar o filme. Para mim as sequelas têm este problema: muitas vezes os argumentistas não sabem que volta hão-de dar à coisa e ao inventar, com voltas e reviravoltas nos guiões da saga, acabam por não se esquivar do previsível e até do piroso ou lamechas. O filme apresenta-nos o mundo em 2018, num cenário de resistência pós-sublevação da Skynet, em que a Humanidade tenta escapar ao extermínio. Desta vez, as máquinas estão apostadas em eliminar Kyle Reese, um adolescente que no futuro será enviado ao passado para proteger Sarah Connor, a mulher que dará à luz John Connor, lider da resistência. Kyle morre no primeiro filme, não antes de engravidar Sarah. O adolescente Kyle Reese, que vemos neste filme, é o pai de John Connor, e este sabe-o. É complexo, mas simples (perceberam?). Explicar isto a quem não viu nenhum dos anteriores filmes até se justifica. Mas quando entramos em explicações a mais, a coisa chateia. As máquinas sublevaram-se, ganharam inteligência própria, querem exterminar a humanidade, tentando alterar a História eliminando os seus inimigos mesmo antes de nascerem ou antes de chegarem a ser uma ameaça. Só que a coisa tem que levar umas voltas para se poderem fazer filmes à volta disto. Até aqui, tudo bem. Mas francamente… era preciso pôr o John Connor a fazer reanimação cardio-pulmonar a um exterminador meio-máquina, meio-humano? Acho que o T4 era uma daqueles filmes em que era preciso mais porrada e menos conversa. Nem era preciso argumento nenhum. Punham-se as maquinetas a malhar forte e feio nos homo sapiens sapiens e por sua vez estes a retaliar forte e feio nas demoníacas latas de atum andantes e tínhamos filme. A ver se no T5 a coisa corre melhor. Já está a ser filmado.
Domingo, 7 de Junho de 2009
Hoje é dia de eleições
E depois? Que esforço puseram os partidos políticos em informar, de facto, os cidadãos? O que vão defender no Parlamento Europeu os partidos políticos? E quem são os candidatos que não os cabeças de lista? Quais as suas ideias para Portugal na Europa, e para a Europa? E o que defenderam até agora, considerando que grande parte dos candidatos já são deputados europeus há vários anos? Quais as posições em relação ao Tratado de Lisboa? E à imigração/emigração? E à possível integração da Turquia na UE? E à aplicação dos fundos europeus? E à agricultura e às pescas? E à revitalização da economia e à criação de emprego? E à mobilidade jovem e à cooperação?
BPP para aqui, BPN para ali, entre as "roubalheiras" e "Freeport" ficámos a saber o mesmo. A comunicação social não ajuda. Os próprios sites dos partidos idem aspas, apresentam programas apenas genéricos, sem concretizar quase nada, e currículos dos candidatos do género "é deputado europeu, professor aqui e consultor ali".
Votar? Em quem? Em quê? Para quê?
BPP para aqui, BPN para ali, entre as "roubalheiras" e "Freeport" ficámos a saber o mesmo. A comunicação social não ajuda. Os próprios sites dos partidos idem aspas, apresentam programas apenas genéricos, sem concretizar quase nada, e currículos dos candidatos do género "é deputado europeu, professor aqui e consultor ali".
Votar? Em quem? Em quê? Para quê?
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Ainda sobre a rotunda arte
A cidade onde vivo exibe orgulhosamente, numa das rotundas à sua entrada, a suposta obra de arte mais tosca e pateta que conheço, o famoso G gigante de Guarda. Um G de Guarda na Guarda, um outro em Gondomar, um P no Porto e em Portimão, um L em Lisboa e outro em Leiria, e por aí a fora, aí está uma rica ideia de arte pública, aplicável em todo e país e até em todo o mundo. Pior: o G original, de formas onduladas, partiu-se com o vento, tendo sido reconstruído com uma estrutura facetada. Até uma criança em idade pré-escolar se apercebe de que qualquer coisa ali está mal. E peço desculpa, há pouco fui muito comedido nas palavras: é o aborto pseudo-artístico mais mal-parido que conheço, é uma visão horripilante que me atormenta sempre que entro na minha cidade por aquele lado, parece uma lombriga gigante, é um atentado ao bom-gosto, deprime-me e quase me dá vontade de chorar. Perceberam agora a ideia? Alguém devia ter a coragem de demolir aquele mastodonte ridículo e pôr lá outra coisa qualquer, mesmo que fosse uma estátua de homenagem "ao bombeiro ou ao sapateiro", ou ao iogurteiro, que a fábrica é mesmo ali a cem metros. Até o Tochas gozou à fartazana com aquela coisa quando andou por cá…
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
A rotunda arte

Na primeira edição do Jornal i, Joana Vasconcelos, uma reputada artista plástica portuguesa defendia, como ideia para Portugal, "ocupar as diferentes rotundas do país com arte pública contemporânea, em vez das tradicionais esculturas ao bombeiro e ao sapateiro". Ainda esfreguei os olhos para ler de novo a frase e tentar tirar a limpo se me teria passado a ironia na primeira parte da mesma (pois na segunda, é óbvia), mas não, a senhora estava mesmo a falar a sério. Quanto à implantação de arte pública contemporânea, estamos de acordo, devia haver cada vez mais. Agora… nas rotundas? Não consigo perceber o que passou pela cabeça desta artista que já fez instalações de arte em locais tão surpreendentes e inusitados como a Ponte Dom Luís, o Castelo de Santa Maria da Feira ou a Torre de Belém. Sabemos que em Portugal as rotundas não podem ter uma existência própria, têm que lá ter um mono qualquer. Mas eu não consigo imaginar pior sítio para a instalação de arte pública que uma rotunda. A maioria das rotundas não são espaços acessíveis aos peões, e mesmo as que o são, não deixam de ser locais envolvidos pela circulação automóvel, e logo, por fumo, barulho, perturbação. Acho que condenar uma obra de arte aos fugazes olhares do trânsito circular é um desperdício e até um desrespeito pela criatividade que esteve na sua origem. Arte nas rotundas é uma parolice pegada. A arte deve fazer parte da vida das pessoas, deve poder ser encontrada nas praças, nas ruas, deve ser uma surpresa e, mais do que tudo, deve ser próxima, poder sentir-se, poder até tocar-se.
Na foto que ilustra este post, o Cloud Gate, no Millenium Park de Chicago, também apelidado de The Bean, por parecer um feijão metálico gigante. Não ficava melhor numa rotundazita?
Se Maomé não vai à Torre Eiffel
Na praga dos "forwards", volta e meia lá se apanha algo interessante. É o caso desta visita virtual à Torre Eiffel e a outros pontos de Paris. Deixar carregar e mover com o rato. Fantástico.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
amar.te
descrever com facilidade o teu cheiro em mais de cem palavras
localizar de olhos fechados todas as imperfeições da tua pele
saber como soa qualquer palavra com a tua voz
descobrir nos teus olhos as cores infinitas
querer contar os teus cabelos um por um
deixar tudo por ti em apenas três segundos
ter a noção perfeita de que o mundo é melhor porque tu existes
localizar de olhos fechados todas as imperfeições da tua pele
saber como soa qualquer palavra com a tua voz
descobrir nos teus olhos as cores infinitas
querer contar os teus cabelos um por um
deixar tudo por ti em apenas três segundos
ter a noção perfeita de que o mundo é melhor porque tu existes
A serpente de asfalto
Um caminho por onde já passei centenas de vezes a correr ou de bicicleta foi asfaltado, de um dia para o outro. Uma faixa de quilómetros de alcatrão negro serpenteia agora pela paisagem, pese embora rigorosamente ninguém necessitar de circular regularmente por ali com veículos: não serve povoação nenhuma, não há quinta nenhuma por perto. O caminho fazia, inclusivamente, parte de uma encruzihada de rotas pedestres. Agora, o caminho está asfaltado. Uma zona de paz e de contacto com a natureza passou a ser mais uma estradeca, bem perigosa, e com propósito indeterminado. Mas quem é que terá mandado asfaltar o raio do caminho, e por que cargas de água?
Sábado, 30 de Maio de 2009
Inspiração
"Afinal, todos viviam num mundo definido por certas normas, que nem sempre admitem a espontaneidade ou as tentativas repentinas de vivermos o momento que passa. Sabia que eram essas as normas que permitiam a prevalência de uma certa ordem na vida de cada pessoa."
Nicholas Sparks, in O Sorriso das Estrelas
Nicholas Sparks, in O Sorriso das Estrelas
O inventanço, as alternadeiras e a Playboy portuguesa
Alguém se lembrou de dizer que nós, os portugueses, somos autênticos peritos da arte do desenrascanço. Se não se arranja como deve de ser, desenrasca-se. "Não sei como é que se faz isto mas já desenrasco". "Não tenho, mas já peço aí a alguém para desenrascar". Pois eu acho que somos peritos numa outra especialidade não tão popular, mas que cada dia conquista mais terreno, que é o "inventanço". O inventanço é a invenção do chico-esperto, é aquilo que não lembraria ao diabo, mas que lembra aos portugueses. A seguir, três estudos de caso de "inventanço".
Estudo de caso 1: o "alterne".
Em todo o resto do mundo, há clubes de strip e bordéis, também denominados como prostíbulos ou casas de putas, dependendo do nível de erudição pessoal de quem a estes locais se refere (e os espanhóis chamam-lhes "puticlubs"), mas só cá é que há casas "de alterne". E o que é uma casa "de alterne"? Uma casa de alterne é um local onde há putas, só que estas não se despem, apesar de cobrarem dinheiro. São uma espécie de chulos sem bigode e com saltos altos, que a troco de conversa e insinuação, vão levando o dinheiro dos pobres de espírito à procura de um pouco de atenção feminina. Eu tenho mil vezes mais respeito por uma puta do que por uma "alternadeira" (e repare-se nesta designação que também não lembrava ao diabo, alternadeira). As putas, ao menos, dão o corpo ao manifesto. Vendem sexo a quem procura sexo. Já as alternadeiras não vendem nada, andam por ali que nem hienas de volta das debilitadas presas, prontinhas para as arruinarem com os seus sorrisinhos cínicos e as falsas promessas de afecto mais falso ainda.
Estudo de caso 2: as produções "ousadas".
Em todo o resto do mundo, as revistas para adultos dividem-se em duas categorias: as eróticas e as pornográficas. Mas por cá, existe uma terceira classificação, as revistas das produções "ousadas", uma espécie de soft-softcore que serve para umas quantas meninas e senhoras ganharem uns cobres a fazer poses marotas mas sem mostrar as maminhas. Uma nalguinha, uma maminha tapada com a mão ou com o cabelo, tudo muito respeitável e sem passar essa barreira terrível e comprometedora do erotismo, que normalmente implica alguma nudez.
Estudo de caso 3: a Playboy portuguesa.
O inventanço fez também com que se inventasse uma revista que, aproveitando a fama mundial do seu nome, passou a ter uma edição portuguesa, através da qual algumas meninas e senhoras das produções "ousadas" podem ir um bocadinho mais além: mostram as maminhas mas não mostram a ratinha. Cobram, isso sim, um bocadito mais do que para uma produção ousada. E aqui voltamos às primeiras, às alternadeiras. A Playboy portuguesa faz uma espécie de alterne em revista: leva o dinheiro de quem pensa que vai encontrar a moça A ou B a exibir sem pruridos a beleza feminina que a natureza lhe deu, mas depois fica-se por uma dança e um copo. Comparada com a edição brasileira, onde aparecem umas raparigas capazes de fazer fervilhar a libido até de um morto, a Playboy portuguesa quase parece a TV Guia…
Estudo de caso 1: o "alterne".
Em todo o resto do mundo, há clubes de strip e bordéis, também denominados como prostíbulos ou casas de putas, dependendo do nível de erudição pessoal de quem a estes locais se refere (e os espanhóis chamam-lhes "puticlubs"), mas só cá é que há casas "de alterne". E o que é uma casa "de alterne"? Uma casa de alterne é um local onde há putas, só que estas não se despem, apesar de cobrarem dinheiro. São uma espécie de chulos sem bigode e com saltos altos, que a troco de conversa e insinuação, vão levando o dinheiro dos pobres de espírito à procura de um pouco de atenção feminina. Eu tenho mil vezes mais respeito por uma puta do que por uma "alternadeira" (e repare-se nesta designação que também não lembrava ao diabo, alternadeira). As putas, ao menos, dão o corpo ao manifesto. Vendem sexo a quem procura sexo. Já as alternadeiras não vendem nada, andam por ali que nem hienas de volta das debilitadas presas, prontinhas para as arruinarem com os seus sorrisinhos cínicos e as falsas promessas de afecto mais falso ainda.
Estudo de caso 2: as produções "ousadas".
Em todo o resto do mundo, as revistas para adultos dividem-se em duas categorias: as eróticas e as pornográficas. Mas por cá, existe uma terceira classificação, as revistas das produções "ousadas", uma espécie de soft-softcore que serve para umas quantas meninas e senhoras ganharem uns cobres a fazer poses marotas mas sem mostrar as maminhas. Uma nalguinha, uma maminha tapada com a mão ou com o cabelo, tudo muito respeitável e sem passar essa barreira terrível e comprometedora do erotismo, que normalmente implica alguma nudez.
Estudo de caso 3: a Playboy portuguesa.
O inventanço fez também com que se inventasse uma revista que, aproveitando a fama mundial do seu nome, passou a ter uma edição portuguesa, através da qual algumas meninas e senhoras das produções "ousadas" podem ir um bocadinho mais além: mostram as maminhas mas não mostram a ratinha. Cobram, isso sim, um bocadito mais do que para uma produção ousada. E aqui voltamos às primeiras, às alternadeiras. A Playboy portuguesa faz uma espécie de alterne em revista: leva o dinheiro de quem pensa que vai encontrar a moça A ou B a exibir sem pruridos a beleza feminina que a natureza lhe deu, mas depois fica-se por uma dança e um copo. Comparada com a edição brasileira, onde aparecem umas raparigas capazes de fazer fervilhar a libido até de um morto, a Playboy portuguesa quase parece a TV Guia…
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
A ver se eu percebo os contratos do Benfica

Qualquer treinador de futebol que venha treinar o Benfica tem que obrigatoriamente ser campeão em um ano senão vai para o olho da rua. Porém, quando o Benfica faz contratos com os treinadores, fá-los para dois anos ou mais, como fez com Quique Flores, e com cláusulas de rescisão de milhões de euros (três, no caso de Quique). Depois, quando esse treinador não ganha logo o campeonato em um ano, e só consegue um lugar que desonra o grande Benfica (tipo segundo ou terceiro), põem-se então uns patins ao treinador para se poder contratar outro logo a seguir (não obrigatoriamente por esta ordem, pois às vezes antes do primeiro receber os patins já está outro contratado), anunciando-se então pela enésima vez que esse será, sem margem para quaisquer dúvidas, o treinador que virá salvar o Benfica e ganhar o campeonato. Curiosamente, aos treinadores despedidos a meio do contrato ainda lhes é pedido que abdiquem dos seus direitos contratualmente consagrados, ou seja, a indemnização acordada por ambas as partes. Sou eu que sou um gajo picuinhas, ou isto é assim um bocadito estranho?
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
"The horror… the horror…"

Vale a pena rever a entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados (Parte 1 / Parte 2 / Parte 3 / Parte 4). Esta senhora, que se diz jornalista, e cujo estilo conhecemos bem, com a sua corrosiva e deselegante ironia, com as suas constantes insinuações, e com os juízos de valor que faz questão de introduzir sempre que tem oportunidade, consegue despertar a ira até do mais santo de todos os santos. Se Marinho Pinto ficou irritadíssimo e deu troco à altura, outros mais cordiais ou com menos capacidade de argumentar vão a este noticiário da treta e acabam por ser julgados na praça pública por esta jornalista de alto gabarito que utiliza expressões altamente refinadas e rigorosas como "fazem não sei o quê", "fazem não sei quê mais", "ou lá o que é que foi", que nos apresenta as supostas notícias, em horário nobre, com a pose de quem está numa tasca a beber uns bagaços ao fim da tarde. O pobre homem tentou manter a compostura até quando a senhora, qual cobra de língua bífida, aproveitando as suas palavras, o chamou de bufo. Já quando lhe disse que este não estava a fazer muito pelo nome da sua classe, aí é que deu com os burros na água, e ouviu o que merecia. A entrevista acabou com um absoluto knock out. Afinal, mas quem é que esta fulana pensa que é?
Sábado, 23 de Maio de 2009
Tu não sabes no que te "metestes"
Só os espanhóis é que têm uma expressão capaz de fazer jus a um episódio como este da "Senhora Doutora":
Que esta señora esta como una cabra...
Que esta señora esta como una cabra...
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Rapidinha mas profunda
Às vezes gostava de ser gaja só para poder ter sexo sempre que me apetecesse.
(Adenda ao post: é uma pena que nem todos(as) consigam perceber algo de ironia e de humor neste post, e que rotulem de "machista" esta passagem. Tenho mãe, uma irmã, amigas, sou amigo das mulheres com quem já intimei, e entendo a sexualidade como algo natural e que faz parte da vida de homens e mulheres. Não andamos (todos os dias) por aí a copular pelos cantos como os cãezinhos e as cadelinhas, mas às vezes vontade não falta. E só quem é cego ou burro é que não vê ou não entende que o impulso mais libertino do homem é, regra geral, controlado pela maior racionalidade e sensatez da mulher, o que não significa que esta não tenha também hormonas, desejos e fantasias. Já não há é paciência para ultra-feminismos-ressabiados de quem abomina a sexualidade dos outros só porque não consegue empreender a sua.)
(Adenda ao post: é uma pena que nem todos(as) consigam perceber algo de ironia e de humor neste post, e que rotulem de "machista" esta passagem. Tenho mãe, uma irmã, amigas, sou amigo das mulheres com quem já intimei, e entendo a sexualidade como algo natural e que faz parte da vida de homens e mulheres. Não andamos (todos os dias) por aí a copular pelos cantos como os cãezinhos e as cadelinhas, mas às vezes vontade não falta. E só quem é cego ou burro é que não vê ou não entende que o impulso mais libertino do homem é, regra geral, controlado pela maior racionalidade e sensatez da mulher, o que não significa que esta não tenha também hormonas, desejos e fantasias. Já não há é paciência para ultra-feminismos-ressabiados de quem abomina a sexualidade dos outros só porque não consegue empreender a sua.)
Um mundo catita

A melhor série televisiva portuguesa de todo o sempre está a ser transmitida esta semana na RTP 2, e todos os episódios podem ser vistos on-line aqui. A vida de Manuel João Vieira, o Presidente Vieira, o grande líder da nação e também dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita. Cinema de primeiríssima qualidade, numa colaboração dos Individeos e do Pato Profissional.
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Grande entrevista ao Robocop

Robocop, figura cimeira do cinema dos anos oitenta, há muito que vive afastado das luzes da ribalta. Fomos ao encontro do Robocop para mais uma grande entrevista.
FdC
Robocop: que é feito de si, homem?
Robocop
Homem, não. Eu sou meio homem, meio máquina. "Man and Machine".
FdC
Tem razão. Queira desculpar. Agora conte-nos: o que é feito de si?
Robocop
Bom, durante alguns anos fui um nómada errante, andei um pouco por todo o mundo. Depois acabou-se-me o dinheiro que ganhei no cinema, e abri uma serralharia com um primo meu, que é também meu sócio. E nos tempos livres sou também DJ. DJ M&M!
FdC
DJ Man and Machine? M&M? É isso?
Robocop
É isso mesmo.
FdC
E nunca teve problemas com a marca dos chocolates, os M&Ms?
Robocop
Ah, pois. Ao princípio houve uns problemas, quando eu comecei a usar esse nome. Mas depois quando os gajos da empresa souberam que eu era o Robocop, resolveu-se tudo. Até tivemos uma parceria, eu cheguei a ser patrocinado como DJ pelos M&Ms. Mas depois as coisas não correram muito bem, eles queriam ficar com a bilheteira toda das minhas actuações só porque distribuiam chocolates, e acabámos com a colaboração. Agora seguimos caminhos diferentes, mas sem disputas legais.
FdC
Onde já actuou como DJ?
Robocop
Bom… deixe-me ver… em Ibiza e Barcelona… em Londres… Paris… Holanda… Nova Iorque… no Djibouti… no Bangladesh… já estive também em Lisboa… e uma vez até cheguei a actuar numa terrinha perdida lá pró norte do vosso país… a ver se me lembro… Vale da Mula? Acho que era isso.
FdC
Não é bem norte, é mais centro, zona raiana. Mas o Robocop já actuou em Vale da Mula? Conte lá isso.
Robocop
Tenho um amigo lá para esses lados. Esse ano ele era mordomo da festa e telefonou-me à última da hora a dizer que um tal de Toy estava constipado e que não podia cantar, e lá fui eu. Sabe como é que é, aos amigos não se pode dizer que não.
FdC
Pois, é mesmo. E a serralharia? Como é que decidiu investir nesse negócio?
Robocop
É quase óbvio. Você já viu a quantidade de vezes que eu tive que compôr as minhas chapas metálicas por causa das filmagens? Afeiçoei-me à coisa e então decidi investir na área. Era isso ou bate-chapas, mas o mercado da reparação automóvel já está muito saturado.
FdC
E o que fazem na vossa empresa? Serralharia tradicional?
Robocop
Sim. Corrimões, gradeamento, essas coisas. Mas também temos alguns projectos inovadores, em colaboração com alunos de alguns cursos de Design. Coitaditos, essa malta agora fica toda desempregada, temos que os ir ajudando. Olhe, um filho meu queria ir para Design de Interiores, e eu disse-lhe logo: "Oh pá, tem mas é juízo. A ver se te metes mas é na GNR ou assim que isto agora está feio".
FdC
Tem um filho a viver em Portugal?
Robocop
Tenho. Conheci uma rapariga daquela vez em Vale da Mula e ela engravidou. E ele quis ficar por cá, com a mãe.
FdC
Como é o seu dia-a-dia? Para além dos negócios e das actuações como DJ, em que se ocupa?
Robocop
Gosto muito de tiro a alvo e de caça submarina.
FdC
Bom, o tiro ao alvo é uma faceta que já conhecíamos, agora o mergulho é novidade.
Robocop
Talvez, mas já faço mergulho há muitos anos. Claro que agora não tanto, já estou mais velho e as juntas vão enferrujando. Gasto um dinheirão em Spray Bala. Mas vou fazendo sempre que posso. Ainda no fim-de-semana passado apanhei um linguado e duas solhas. As solhas foi com arpão mas o sacana do linguado teve que levar um balázio.
FdC
Ena. É, portanto, um atirador nato, dentro e fora de água.
Robocop
Sim, é verdade. Tá a ver aquela cena do Arma Mortífera em que o Riggs desenha os olhinhos e a boca do boneco no alvo? Eu, no dobro da distância e a fazer o pino, consigo desenhar a Mona Lisa.
FdC
Admirável, de facto. E que mais? Gosta de sair à noite com os amigos?
Robocop
Saio de vez em quando, mas só na hora dos copos. Deixei de ir jantar fora com amigos.
FdC
E porquê?
Robocop
Ora, porque gozavam sempre comigo quando eu pedia a comida. Já viu o que é um amigo seu pedir um bitoque, outro pedir uma feijoada, e você pedir um boião de Blédina de legumes? Ou um Nutriben de bolacha e banana? Primeiro, nenhum restaurante tem isso. E depois, toda a gente goza. E claro, eu até compreendo…
FdC
Pois, é de facto constrangedor. Mas nunca experimentou levar um boiãozinho consigo para o restaurante?
Robocop
Já, mas isso também não é solução. Tenho que comer comida de bebé enquanto um gajo qualquer ali ao lado afinfa forte e feio numa Posta à Mirandesa ou num Bacalhau à Lagareiro… é terrível. Desisti simplesmente de ir jantar fora, pronto.
FdC
Muito bem. Falemos agora de cinema. Por que nunca se deu o seu regresso ao cinema?
Robocop
Bom, no fim dos anos 90 ainda se falou em fazermos o Robocop 4, mas depois não se conseguiu financiamento. E eu entretanto desinteressei-me do projecto. Ouvi dizer que há agora um realizador português interessado em fazer o filme, com o Nicolau Breyner.
FdC
O Nicolau Breyner?? Como Robocop? Está a falar a sério?
Robocop
Oiça lá: diga-me lá um filme português em que não entre o Nicolau Breyner, então.
FdC
Pois, tem razão. E o que acha do seu concorrente no cinema, se assim podemos dizer, o Homem de Ferro?
Robocop
O Homem de Ferro? Concorrente? Está a brincar comigo? Esse senhor é um embuste. Uma fraude. Ele só é um herói por causa do fato. Se não fosse o fato, estava sempre a levar nas trombas, ele e o Batman. Eu sou o verdadeiro homem-máquina. E o fato dele é de ferro, um metal vulgar, que enferruja.
FdC
Mas você não disse há pouco que também enferruja? E não trabalha também com ferro?
Robocop
Enferrujo nas juntas, apenas nas juntas, o que é perfeitamente normal. Já as minhas placas são todas de titânio. E trabalhar com ferro não tem nada a ver. Uma coisa é um portão de ferro, outra coisa é um fato de super-herói. E na minha serralharia todo o ferro é depois cromado ou pintado, oferecemos garantia vitalícia. Mas isto chateia-me. É que se ainda o tipo fosse grande coisa, como o Hulk ou assim… agora metem ali uma armadura de ferro num lingrinhas qualquer e pronto, já temos herói. Francamente…
FdC
Grande era aquele seu colega do primeiro filme, mau como as cobras, que não gostava nada de gente que estacionava mal o carro e que não conseguia descer escadas. Que é feito dele?
Robocop
Não era bem colega, porque aquilo era um simples robô, não era homem-máquina como eu. Depois do primeiro filme nunca mais ninguém lhe deu emprego e eu contratei-o para me guardar o quintal, mas uma vez foram lá uns miúdos no dia das bruxas pedir umas guloseimas e ele assustou-se e correu-os a todos ao tiro. Só um é que escapou com vida. Aos outros quatro limpou-lhes mesmo o sebo. Pobres garotos. Enfim, uma tragédia. Agora está preso em Custóias.
FdC
Em Custóias? Mas isso aconteceu cá em Portugal?
Robocop
Sim, na minha casa de férias do Algarve. Gosto muito das vossas praias. Só no Algarve é que eu consigo este tom azulado nas minhas chapas.
FdC
Robocop, muito obrigado.
Robocop
Ora essa.
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Sobre o meu azar no jogo
Não sei o que me chateia mais: nunca ganhar o Euromilhões, ou nunca ganhar o Totopresunto do Centro Cultural, Social e Recreativo do Bairro da Luz…
O meu Audemars Piguet é mais caro do que o teu
Nunca entendi muito bem o fascínio que tanta gente tem por relógios de pulso extremamente caros. Há relógios muito bonitos, com funcionalidades muito interessantes, que ficam muito bem com determinado fato ou vestido, e por aí a fora. Entendo perfeitamente que um relógio possa ser visto/usado/comprado/oferecido como um adereço de vestuário ou jóia. O que eu não percebo é que haja relógios de pulso que custam milhões de euros, até porque um relógio de pulso é uma coisa que serve sobretudo para… dar horas. Sim, pode ser uma visão algo redutora, mas é também pragmática, até porque deve haver muito pouca gente que precise realmente que o seu relógio seja estanque até 100 metros de profundidade, ou que indique as fases da lua, ou ao mesmo tempo a hora de Lisboa, de Caracas e de Kuala Lumpur. E se considerarmos que já podemos ver as horas em quase todo o lado (no computador do trabalho, no telefone fixo, no telemóvel, no carro…), os relógios de pulso caros servem apenas e cada vez mais os propósitos da afirmação económica e social. "Olha aqui este Franck Muller que me custou o mesmo que custa o teu apartamento… seu pelintra". Uma pessoa de quem gosto muito tem uma grande colecção de relógios Swatch, três deles oferecidos por mim. Mas um Swatch custa 50 Euros, 100 Euros. O Sultão do Brunei não usa de certeza um Swatch, deve usar um Audemars Piguet ou um Vacheron Constantin com a indicação das horas em todo o mundo, previsão do tempo, estanque até bater no fundo da Fossa das Marianas e com o vidro do mostrador à prova de atentado nuclear. Já deve ter gasto vários milhões de euros ou dólares ou barras de ouro em relógios. Só que os relógios dele fazem, basicamente, o mesmo que os outros, ou seja, dão as horas. Salvo nos casos em que o objecto está incrustado de pedras preciosas, o que também é uma bela paneleirice, nada justifica que um relógio de pulso possa custar um milhão de euros e mais, nem a tecnologia, nem o material, nem a mão de obra, nem nada. É apenas o mercado dessa coisa ridícula a que chamam luxo a funcionar, e que só funciona porque há gente que alimenta caniches com caviar, quando os bichos gostam é de uma bela febra ou de uma latinha de Pedigree Pal.
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
E já que La Tour Eiffel faz hoje 120 anos…
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Grande entrevista a Jacinto Leite Capelo Rego

Jacinto Leite Capelo Rego saiu do anonimato com o caso dos recibos de financiamento a um partido político liderado por um senhor que ainda nas últimas eleições se tinha demitido da direcção do mesmo. O Filosofia de Curral entrevistou Jacinto Leite Capelo Rego.
FdC
Quem é Jacinto Leite Capelo Rego?
Jacinto Leite Capelo Rego
Sou eu.
FdC
Pois. Mas fale-nos de si. Onde nasceu, onde vive, a sua profissão, a sua família…
Jacinto Leite Capelo Rego
Sou funcionário público e vivo em Lisboa. Nasci numa aldeia transmontana e vim para cá em pequeno, quando os meus pais decidiram mudar-se para a capital à procura de uma vida melhor.
FdC
E encontraram-na?
Jacinto Leite Capelo Rego
Não. O meu pai trabalhou nas obras e morreu novo por causa da bebida.
FdC
De doença?
Jacinto Leite Capelo Rego
Não, estava sempre a cair dos andaimes por causa das pielas que apanhava e uma vez a queda foi fatal porque caiu mesmo em cima de uma betoneira e partiu o pescoço.
FdC
E a sua mãe?
Jacinto Leite Capelo Rego
A minha mãe fugiu para o Brasil com um cuspidor de fogo do circo Chen quando eu andava no Liceu.
FdC
É casado? Tem filhos?
Jacinto Leite Capelo Rego
Não tenho filhos e sou divorciado. Um dia a minha mulher viu-me no carro de uma colega do trabalho e deixou-me. Agora vive com um trapezista.
FdC
Também do circo Chen?
Jacinto Leite Capelo Rego
Não, um trapezista freelancer, parece que vai fazendo umas coisas aqui e ali por conta dele.
FdC
A sua mulher não suportou a traição, então.
Jacinto Leite Capelo Rego
Qual traição?
FdC
Não disse que a sua mulher o deixou porque o viu no carro de uma colega sua? Provavelmente foram apanhados em flagrante…
Jacinto Leite Capelo Rego
Qual flagrante? O carro da minha colega não pegava e eu tentei ajudá-la. Foi mesmo à porta da repartição, quando tínhamos saído do trabalho, e com muita gente na rua. Era um Citroen CX. Isso é que eram carros…
FdC
E o carro pegou, ao menos?
Jacinto Leite Capelo Rego
Não. Tinha uma vela queimada e já sabe como é nos carros a gasóleo quando isso acontece, ainda por cima no Inverno…
FdC
Fale-nos um pouco dos seus passatempos.
Jacinto Leite Capelo Rego
Gosto muito de ler, de ver televisão e de ir à pesca do achigã.
FdC
Quais os seus programas de televisão preferidos?
Jacinto Leite Capelo Rego
Nunca perco a Câmara Clara na RTP2 e o programa do gordo dos preços na RTP1. A SIC e a TVI não costumo ver porque a antena do prédio não apanha muito bem e os tipos da TV Cabo são muito careiros.
FdC
E que livro está a ler agora?
Jacinto Leite Capelo Rego
Leio várias coisas ao mesmo tempo. Estou a ler o livro da Júlia Pinheiro e os Pensamentos sobre morte e imortalidade, do Feuerbach. Mas o Feuerbach não é uma leitura para todos os dias, só o leio quando vou à pesca do achigã.
FdC
Interessante. Conte-nos agora o que se passou com o caso dos recibos.
Jacinto Leite Capelo Rego
Eu ainda nem sei muito bem essa história. Um amigo meu telefonou-me a dizer que tinha visto o meu nome no Correio da Manhã do dia anterior no café lá do bairro. Eu ainda fui lá a ver se ainda lá estava o jornal, mas o Sr. Toneca, que é o dono do café, já o tinha dado à mulher para embrulhar o peixe. É que a mulher é peixeira. Mas vi depois qualquer coisa nas notícias da televisão, depois do gordo.
FdC
Mas contribuiu ou não com dinheiro para o partido em questão?
Jacinto Leite Capelo Rego
Eu?? Mas eu ando aqui para governar mamões?? Nunca dei dinheiro nenhum a partido nenhum e que eu morra já aqui ceguinho se algum dia sair do meu bolso um tostão que seja para esses filhos da p**a. O único dinheiro que eu dou é na missa e também para as cotas do clube desportivo da minha terra.
FdC
Então foi tudo uma coincidência?
Jacinto Leite Capelo Rego
Claro que foi.
FdC
Talvez por causa da brincadeira que é costume fazer com o seu nome…
Jacinto Leite Capelo Rego
Qual brincadeira?
FdC
Bom… aquilo de pronunciar de forma diferente as sílabas que o compõem… "Já sinto"…
Jacinto Leite Capelo Rego
Já sente o quê?
FdC
Ora… não me diga que nunca ninguém brincou consigo por causa do seu nome?
Jacinto Leite Capelo Rego
Mas o que é que tem o meu nome?
FdC
O seu nome pode ler-se "Já-sinto-leite-cá-pelo-rego"…
Jacinto Leite Capelo Rego
Epá… agora é que você me coseu. Pois é. Nunca me tinha lembrado disso.
FdC
Está a falar a sério?
Jacinto Leite Capelo Rego
Pela alma do meu paizinho, que deus tenha.
FdC
Curioso, de facto. Mas sabe que essa brincadeira com o seu nome existe há muitos anos. E este caso foi muito badalado em praticamente toda a comunicação social portuguesa.
Jacinto Leite Capelo Rego
Não me diga… pensei que tinha sido só aquela coisa no jornal e no dia seguinte na televisão.
FdC
Não, foi muito falado. Por isso é que viemos entrevistá-lo hoje.
Jacinto Leite Capelo Rego
Por causa disso? Então não é por eu ser campeão distrital de pesca do achigã?
FdC
Não. Houve aqui algum mal-entendido…
Jacinto Leite Capelo Rego
Você não é da revista Caça e Pesca?
FdC
Não. Esta entrevista é para um blogue…
Jacinto Leite Capelo Rego
Um quê?
FdC
Bem, se calhar é melhor ficarmos por aqui. Muito obrigado, Jacinto Leite Capelo Rego.
Jacinto Leite Capelo Rego
Ora essa.
O FCP é enorme
Nos últimos 20 anos, o Porto foi 13 vezes campeão nacional. Nos últimos 25, foi duas vezes campeão europeu, título que poucas equipas europeias se podem orgulhar de exibir. Ainda alguém duvida de que o FCP é, realmente, o grande clube português de futebol?
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Maratona BTT Portalegre 2009

Nelson, Baía e Currais depois de 100 Km e quase oito horas a dar ao pedal na Maratona BTT Portalegre 2009, este ano com o requinte duma subidinha de escacha-pessegueiro dos 80 aos 90km que rebentou com muito boa gente. A dureza foi muita mas a diversão também. Parabéns à organização dos Ases do Pedal e a toda a malta betetista que participou em mais esta aventura.
Votação
Termina daqui a algumas horas, às 00.00h de Terça 5 para Quarta 6, a votação para o próximo entrevistado do Filosofia de Curral.
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Grande entrevista ao Monstro das Bolachas

Azul e felpudo, todos conhecemos o seu voraz apetite por bolachas. O Filosofia de Curral entrevistou o Monstro das Bolachas, o melhor amigo dos accionistas da Nabisco e da Proalimentar.
FdC
Que é feito de si, Monstro das Bolachas?
Monstro das Bolachas
Tenho andado um pouco por todo o mundo, sou consultor de diversas multinacionais da indústria alimentar.
FdC
Consultor? E o que faz, em concreto?
Monstro das Bolachas
Vou a diversas fábricas provar bolachas. Se eu gostar delas, os gajos põem-nas à venda. Se eu não gostar delas, são trituradas e utilizadas em barras energéticas para desportistas, adubo e pavimentação de estradas.
FdC
Costuma reprovar muitos lotes?
Monstro das Bolachas
Não. Gosto de todas. Nunca reprovei uma bolacha sequer.
FdC
Mas isso não será algo… parcial? Se você gosta de todas as bolachas, como é que as marcas podem confiar na sua avaliação?
Monstro das Bolachas
Oiça, eu sou o Monstro das Bolachas, uma autoridade mundial. Se eu digo que uma bolacha é boa, é boa e pronto. Não se ponha para aí com as divagações típicas dos jornalistas. As insinuações da comunicação social já me provocaram muitos amargos de boca, tipo bolacha estragada.
FdC
A que se refere, em concreto?
Monstro das Bolachas
Refiro-me ao boato que correu de que eu e o Poupas tínhamos uma relação amorosa.
FdC
Não era verdade, portanto?
Monstro das Bolachas
Claro que não. É público que o Poupas pega de empurrão, mas eu sempre fui heterossexual e só por em tempos ter sido colega e amigo dele não significa que tivéssemos qualquer tipo de envolvimento mais íntimo.
FdC
Já não é amigo do Poupas?
Monstro das Bolachas
Não. Uma vez comeu-me as bolachas todas e isso não se faz a ninguém. E deve-me dinheiro.
FdC
A sua vida pessoal foi muito afectada?
Monstro das Bolachas
Claro. Foi um período muito difícil e até tive que comer bolachas anti-depressivas. E a minha relação com a minha namorada dessa altura, a Elsa Raposo, também não aguentou. Ela deixou-me. Claro que para essa tipa deixar um gajo também não é preciso muito, mas enfim…
FdC
Você namorou com a Elsa Raposo? A sério?
Monstro das Bolachas
Oiça, está a brincar ou quê? Conhece alguém que ainda não tenha namorado com a Elsa Raposo?
FdC
Pois, tem razão. Pode agora contar-nos o que aconteceu no escândalo do Banco Alimentar em que esteve envolvido, o bolachagate? Também foi apenas um boato?
Monstro das Bolachas
Não. Mas nem tudo o que foi dito corresponde à verdade. Dado que sou uma figura pública bastante influente, aceitei ser Presidente do Banco Alimentar com as melhores intenções. Mas veja a minha situação: eu sou o Monstro das Bolachas, e o meu gabinete era no primeiro piso do armazém. Todos os dias passava por quilos e quilos de bolachas… é como obrigar um rato a trabalhar num armazém de queijo. Não resisti à tentação.
FdC
Admite então que desviou bolachas que se destinavam a pessoas carenciadas?
Monstro das Bolachas
Sim, mas só de água e sal e digestivas. Ao contrário do que foi dito, nunca desviei Oréos nem Chips Ahoy. Foi horrível, disseram as piores coisas de mim. Chamaram-me até de monstro…
FdC
Mas você é mesmo um monstro, é o Monstro das Bolachas…
Monstro das Bolachas
Epá, pois sou. Já viu que cabeça a minha? Oh oh oh oh oh oh…
FdC
E agora? Projectos para o futuro?
Monstro das Bolachas
Vou ser consultor mais uns anos porque o dinheiro que me pagam é interessante, para além de me pagarem por fazer aquilo que eu mais gosto, que é encher a mula de bolachas. Depois logo se vê.
FdC
Fundar uma Confraria da Bolacha, talvez?
Monstro das Bolachas
Fundar não, até porque está mais que visto que eu não posso ocupar cargos de responsabilidade directiva em organizações que tenham a ver com bolachas, isso ainda dava merda outra vez. Mas se fundarem uma Confraria da Bolacha, serei confrade com todo o gosto, se me convidarem.
FdC
Claro que não se esquecerão de si. Monstro das Bolachas, muito obrigado.
Monstro das Bolachas
Ora essa.
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Grande entrevista ao Tubarão II

O Filosofia de Curral inicia esta semana uma série de entrevistas a personalidades do desporto, das artes e da cultura, do audiovisual, da política e de diversas outras áreas. O primeiro entrevistado é o Tubarão II.
FdC
Tubarão II, que é feito de si?
Tubarão II
Bom… tenho andado afastado do cinema e do grande público. Já lá vão muitos anos desde que fiz o filme com o Spielberg, para quem gostava de deixar aqui um grande abraço, e a vida agora é um bocado diferente.
FdC
Qual a sua ocupação principal agora?
Tubarão II
Sou Relações Públicas numa discoteca e também faço voz-off de publicidade.
FdC
Há quem diga que o Tubarão II foi mais uma estrela efémera de Hollywood, de quem se esperavam grandes feitos mas que acabaram por não ser concretizados…
Tubarão II
Pois, falar é fácil. Mas veja que todos os tubarões entraram apenas em um filme da série, até porque em cada um dos filmes o tubarão morre sempre, pelo que o actor principal tem que ser mudado. E há sempre uma grande colagem à personagem, é muito difícil tentar depois interpretar outros filmes quando o público pensa em nós sempre como o Tubarão. Depois de Tubarão II, cheguei a ser convidado para interpretar o novo James Bond, mas acabou por não ser possível. O realizador disse que o James Bond não podia ter guelras nem barbatanas. Acabaram por contratar o Timothy Dalton. Diga lá que eu não dava um James Bond muito mais charmoso? Ganda fdp, o meu azar foi a sorte dele… Mas vá, agora também já ninguém sabe quem ele é.
FdC
E ficou então sem trabalho…
Tubarão II
Sim, não foi nada fácil. Ainda fiz um anúncio para uma sopa de barbatana de tubarão enlatada, e umas sessões de autógrafos em bares, mas depois toda a gente se esqueceu de mim. Foi nessa altura que me meti no álcool e na droga…
FdC
E que foi acusado de abusar daquelas duas fanecas gémeas que andavam na escola do seu bairro…
Tubarão II
Isso foi tratado em tribunal e fui ilibado. Não vou falar mais nesse assunto.
FdC
Como encara a sua nova vida e o futuro?
Tubarão II
Bom, sou um peixe maduro e não renego nada do meu passado. Gostava de ter tido outras oportunidades mas a vida é assim mesmo. E ser relações públicas é muito aliciante, conheço pessoas interessantíssimas como o Cláudio Ramos, ou aquele ex-jogador de hóquei que se casou com a ex-mulher do Jardel ou até aquela cota vidente que tem nome de abelha e que há uns tempos pôs umas mamas novas para ver se a convidavam a aparecer semi-descascada numa revista qualquer. Tenho uma vida social muito activa, estou cheio de projectos e sinto-me muito realizado.
FdC
Obrigado, Tubarão II.
Tubarão II
Ora essa.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
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Quem fizer muita questão de ler este post, pode carregar aqui. À falta de assunto relevante, decidi associar-me ao Google na sua homenagem de hoje a Samuel Morse.
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Uma questão de aspirinas
Ainda alguém se lembra da campanha que a Associação Nacional de Farmácias fez contra os medicamentos genéricos aquando do seu lançamento no mercado? Querem-nos convencer agora de que a inversão de posição é a favor dos interesses dos utentes? Sim sim, pois pois.
Os piratas, essa malta porreira
Vale a pena ler este texto de Domingos Amaral, publicado esta semana no Correio da Manhã. Para ele, os piratas da Somália são uns gentlemans, uns gajos porreiros, não fazem mal a ninguém, e comparados com os bandidos de colarinho branco dos crimes económicos são uns autênticos anjinhos.
Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Vox populi

Foto encontrada por acaso aqui, uma página com centenas de belíssimos wallpapers para quem gosta de animais, natureza e boa fotografia. Até porque um wallpaper de uma iguana fica sempre bem e dá para arrepiar as colegas e assustar a senhora da limpeza.
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Declaração de intenção
Se eu ganhar o jackpot do Euromilhões esta semana:
1. Darei um milhão de euros em bolsas de estudo
2. Darei um milhão de euros para investigação científica na área da saúde
3. Darei um milhão de euros em bolsas de apoio à criação artística
4. Darei um milhão de euros a instituições de solidariedade social nacionais
5. Darei um milhão de euros para ajuda humanitária no estrangeiro
6. Repartirei três milhões de euros com amigos e familiares próximos
Os vinte milhões restantes serão para mim, para os meus pais e para os meus irmãos, que a vida está difícil e eu também não sou santo. Obrigado.
Nota 1: Este post nada tem a ver com o dia das mentiras
Nota 2: Falar é fácil, eu sei. Mas ainda gostava de ver quanta gente seria capaz de dar assim quase um terço duma fortuna. Eu, tenho dito.
1. Darei um milhão de euros em bolsas de estudo
2. Darei um milhão de euros para investigação científica na área da saúde
3. Darei um milhão de euros em bolsas de apoio à criação artística
4. Darei um milhão de euros a instituições de solidariedade social nacionais
5. Darei um milhão de euros para ajuda humanitária no estrangeiro
6. Repartirei três milhões de euros com amigos e familiares próximos
Os vinte milhões restantes serão para mim, para os meus pais e para os meus irmãos, que a vida está difícil e eu também não sou santo. Obrigado.
Nota 1: Este post nada tem a ver com o dia das mentiras
Nota 2: Falar é fácil, eu sei. Mas ainda gostava de ver quanta gente seria capaz de dar assim quase um terço duma fortuna. Eu, tenho dito.
Terça-feira, 31 de Março de 2009
Uma palavrinha sobre a Playboy portuguesa
Comprei a Playboy para ver as mamocas da Mónica Sofia e depois ofereci-a ao meu irmão para a levar para o quartel, local onde a revistinha será concerteza lida com toda atenção por um número alargado de valorosos militares. Estou, porém, indignado. Se a rapariga não queria fazer nu frontal, então que fosse para a FHM, ou para a Nova Gente, ou para a Dica da Semana. Agora… 50 mil euros e ainda se arma em púdica? Por 50 mil euros até eu fazia nu frontal, carago. "Ai, eu nu frontal não faço". Não? Então como é que queres aparecer na Playboy, rapariga? Isto é para moçoilas sem frio e sem medo. Enfim, fica o desabafo. E sobre o assunto, recomendo-vos este post.
Último
Já aqui falei de grandes feitos pessoais desportivos, como correr a Maratona de Paris ou fazer Guarda - Torre - Guarda em BTT com amigos. Hoje venho contar-vos que no Domingo passado fui o glorioso último classificado num passeio de BTT que teve lugar em Moimenta da Beira. O meu único consolo foi que desistiram 16 gajos, de tão dura que era a prova. Subidas longas e até impossíveis, piso cheio de calhau… enfim, dureza q.b. para quem nos últimos dois meses se baldou aos treinos. Nos últimos cinco quilómetros tive direito a escolta da moto-vassoura e do jipe dos bombeiros e tudo, não fosse o rapaz cair para o lado. Uma vergonha. Mas a vida continua. E já voltei aos treinos. E aos posts.
Quinta-feira, 19 de Março de 2009
O homem do tempo
Um dia, um homem muito rico foi abordado por um estranho, que lhe pediu metade da sua fortuna. Presumindo obviamente que se tratava de um pobre-diabo, um louco, o homem rico riu-se às gargalhadas. Mas depois, intrigado com tamanha ousadia, perguntou ao estranho por que lhe deveria dar assim metade da sua fortuna. O estranho respondeu que não estaria a dar, mas a fazer uma compra. E o que ele tinha para vender era tempo. O que o estranho estava a fazer era a vender tempo ao homem rico, assegurando-lhe que se não lhe comprasse o tempo, acabaria por se arrepender. O homem rico pediu então, ainda com ar de gozo, que lhe explicasse em pormenor esse invulgar negócio. O estranho disse-lhe então que o seu tempo estava a acabar, mas que se ele decidisse abdicar de metade dos seus bens a favor de um desconhecido, seria uma prova de que que ele era merecedor de mais tempo. E seria apenas metade, ainda lhe sobraria bastante para tudo o que necessitasse. O homem rico retorquiu dizendo que estava de boa saúde e o que mais tinha era tempo. O estranho avisou-o de que a oferta expiraria ali e que a decisão seria irreversível. Se o homem rico se recusasse a ali, naquele momento, comprar o tempo que o estranho lhe oferecia a troco de metade da sua fortuna, não poderia mais fazê-lo. O homem rico, farto da conversa de doidos, disse ao estranho para ir chatear quem o quisesse ouvir, que ele já estava farto dos seus delírios. E o estranho assim fez, mas dizendo ainda que se arrependeria. O homem rico desvalorizou o estranho encontro, e seguiu o seu caminho. Passado meio ano, ao homem rico foi diagnosticada uma doença incurável e praticamente fulminante. Da má notícia ao estado terminal numa cama de hospital passaram apenas dois meses. Um dia, o homem rico, agora moribundo, contou aos seus dois filhos o encontro que um dia teve com o louco que lhe queria vender tempo. Um deles achou que o pai estava já com alucinações e memórias turvas. O outro pediu ao pai que lhe descrevesse esse louco, para que pudesse procurá-lo. O homem rico, debilitado, descreveu ao filho o aspecto desse estranho homem. O filho andou por toda a cidade, até que encontrou um vagabundo que poderia ser o homem do tempo. Abordou-o e perguntou-lhe se tinha sido ele a tentar vender tempo a um homem rico. O vagabundo disse que sim. O filho do homem rico explicou-lhe que o seu pai se encontrava às portas da morte no hospital, e pediu-lhe encarecidamente que o visitasse. O vagabundo acedeu. Assim que viu o estranho homem do tempo aproximar-se da sua cama de hospital, o homem rico, com as forças que lhe restavam, pediu ao vagabundo que lhe vendesse então tempo, e que ele daria não apenas metade, mas toda a sua fortuna. O homem do tempo respondeu ao homem rico que já não tinha tempo para vender, e foi-se embora.
Sábado, 7 de Março de 2009
Hoje
Hoje, o meu irmão fez o Juramento de Bandeira. Perante o Estandarte Nacional, jurou defender a Pátria e a sua honra com a própria vida. E com a atitude com que o fez, juntamente com os seus camaradas, sei que o seu juramento foi verdadeiro. Parabéns, soldados-cadetes. Enchestes-nos de orgulho.
No line on the horizon
Não sei muito bem porquê, mas sempre que sai um novo álbum dos U2, todos lhes exigem reinvenção. Os comentários são sempre: não há reinvenção, reinventaram-se mas pouco, não se reinventaram… mas depois, quando se reinventam mesmo, como com o mais que ousado Discothèque, a cuja tournée assisti em Alvalade, ah e tal, não sei quê, isto não é bem U2, passaram-se um bocado e o camandro. Epá: estamos a falar dos U2, meus. Mas qual reinvenção, qual tubarão? São apenas a maior banda de sempre (OK, quem quiser que inclua também os Pink Floyd e os Stones), já editaram álbuns simplesmente fantásticos, têm uma das carreiras mais profícuas e consistentes do pop/rock das últimas décadas, os seus concertos são eventos à escala global, os riffs de The Edge são electricidade pura, Bono chateia os cornos sempre que pode aos políticos para que se lembrem de que é possível um mundo melhor… Foda-se, deixem os U2 em paz.
Já ouvi No line on the horizon. Pirateado, mas logo o compro. Ganda malha.
E já agora, um remember: Oh, you look so beautiful… toniiiiight… in this city… of blinding lights… (Sim, é para ti. Fomos ao Lux e convenci-te a ires dormir comigo para casa do Lúcio… Depois enviei-te esta mensagem no concerto, porque eu estava na bancada e tu, algures no relvado. Oh, those times when I was happy…)
Já ouvi No line on the horizon. Pirateado, mas logo o compro. Ganda malha.
E já agora, um remember: Oh, you look so beautiful… toniiiiight… in this city… of blinding lights… (Sim, é para ti. Fomos ao Lux e convenci-te a ires dormir comigo para casa do Lúcio… Depois enviei-te esta mensagem no concerto, porque eu estava na bancada e tu, algures no relvado. Oh, those times when I was happy…)
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
33.5
Às vezes lembro-me de que, de meio em meio ano, fazemos meios-anos. E só me lembro disto dos meios-anos porque tive um colega (e já não sei dele) com com quem celebrava os meios-anos. Quando ele fazia anos, eu fazia meios-anos, e vice-versa. E se o meio-ano que estou quase a fazer assinalar metade da minha vida, quer dizer que viverei até aos 67, o que até nem é mau, se tivermos em conta que há gente que bate as botas mais cedo, e que tudo o que comemos hoje tem dois ou três "E" não-sei-das-quantas altamente cancerígenos. Ah, e este blog não morreu ainda, ao contrário do que andam por aí a dizer.
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Um santo e peras
Parece que D. Nuno Álvares Pereira, a.k.a. Santo Condestável, conde de Arraiolos e de Ourém e de mais não-sei-donde, herói lusitano que malhou forte e feio nos Castelhanos em Atoleiros e Aljubarrota e por aí a fora, vai ser canonizado. Eu tenho família em Porto de Mós, pelo que já estive dezenas de vezes na Batalha, e lembro-me de, desde garoto, olhar para aquela imponente estátua em frente ao mosteiro, e me interrogar sobre o seguinte: a quantos pobres-diabos teria aquele senhor limpado o sebo com a sua espada? Com todo o respeito pelo seu papel na História de Portugal, não haveria assim alguém um bocadinho mais merecedor do título de Santo?
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Pousio
Pousio (substantivo masculino):
"Interrupção da cultura por um ou mais anos para descanso da terra."
Este blog tem estado em pousio. Mesmo assim, tenho visto que mantém um fiel número de visitantes, que vão aparecendo a ver se o gajo está vivo ou morto. Está vivo, mas tem andado pouco inspirado para a escrita. Promete-se um regressso para breve (como se isso interessasse a alguém…).
A gerência.
"Interrupção da cultura por um ou mais anos para descanso da terra."
Este blog tem estado em pousio. Mesmo assim, tenho visto que mantém um fiel número de visitantes, que vão aparecendo a ver se o gajo está vivo ou morto. Está vivo, mas tem andado pouco inspirado para a escrita. Promete-se um regressso para breve (como se isso interessasse a alguém…).
A gerência.
Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
I came from the future to…
Este fim de semana fui ao cinema ver O estranho caso de Benjamin Button, filme que vos recomendo vivamente, e que até podia ser uma bela banhada mas que valeria sempre o dinheiro só pelos planos com a lindíssima Cate Blanchett.
No corredor estava já afixado o poster do Terminator 4, que estreará em Maio de 2009. Podeis ver o "trâila" aqui. O poster ainda não anda na net, mas é simplesmente fantástico: uma cidade em chamas forma o ameaçador rosto de um dos terminators. A publicar em breve.
O John Connor é interpretado pelo Christian Bale, que já chateia um bocado até porque agora está em todas, mas que ainda assim é sempre preferível ao Nicolau Breyner (vá, lembrai-vos lá de um filme sem o Nicolau…)
E já agora, vou só aqui relembrar a célebre frase:
Farrah Gonnors? I came from the future to penetrate you.
Isto sim, um épico da adolescência: The Penetrator, uma superprodução em que o fulano que tinha sido enviado do futuro para travar o Penetrator andava atrás dele fazendo-se locomover de triciclo a pedais na auto-estrada.
[E sim, depois de quinze dias sem escrever, estava visto que isto descambava num instantinho…]
No corredor estava já afixado o poster do Terminator 4, que estreará em Maio de 2009. Podeis ver o "trâila" aqui. O poster ainda não anda na net, mas é simplesmente fantástico: uma cidade em chamas forma o ameaçador rosto de um dos terminators. A publicar em breve.
O John Connor é interpretado pelo Christian Bale, que já chateia um bocado até porque agora está em todas, mas que ainda assim é sempre preferível ao Nicolau Breyner (vá, lembrai-vos lá de um filme sem o Nicolau…)
E já agora, vou só aqui relembrar a célebre frase:
Farrah Gonnors? I came from the future to penetrate you.
Isto sim, um épico da adolescência: The Penetrator, uma superprodução em que o fulano que tinha sido enviado do futuro para travar o Penetrator andava atrás dele fazendo-se locomover de triciclo a pedais na auto-estrada.
[E sim, depois de quinze dias sem escrever, estava visto que isto descambava num instantinho…]
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
João Aguardela
Ninguém devia morrer aos 39 anos, muito menos alguém cuja energia e capacidade criativa tanto deu a tanta gente que gosta de música portuguesa. Vi várias vezes os Sitiados ao vivo e os seus concertos eram festa em estado puro. Vi A Naifa e também Megafone. Já aqui falei de A Naifa, que é para mim o mais interessante projecto musical português dos últimos anos. Lembro-me de uns colegas meus me contarem que foram a um concerto de Megafone. No fim, pediram um autógrafo ao João num CD pirata do projecto, e ele assinou-o sem hesitar. Um dia, eu saí de um elevador e cruzei-me com o João Aguardela. Estendi-lhe a mão, dei-lhe um bacalhau, e disse-lhe só isto: Aguardela, és o maior. Ele respondeu: Não sou nada, mas obrigado.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Os erros da restauração da independência
Corremos com os espanhóis, muito bem, soberania e não sei quê. Mas a verdade é que foi cometido um erro estratégico grosseiro: mandávamos embora os espanhóis, mas ficávamos cá com as espanholas…
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
As Janeiras
Eu gostava muito de ter um Bruno Aleixo puto, verdadeiro. Seríamos concerteza grandes amigos. E sim, as Janeiras são uma grande chatice. Quer dizer, as Janeiras em que um grupo de pessoas se organiza e anda de porta em porta a cantarolar, ainda vá que não vá, um gajo tira uma moeda do bolso para eles se calarem. Agora quando estamos sossegados em casa, tocam à campainha, e aparece um manhoso qualquer que se limita a dizer que vem pedir as Janeiras… mas por alma de quem? Se não cantas, como é que queres que te paguem? Vai mas é trabalhar, malaaaaaaandro…
Sábado, 3 de Janeiro de 2009
Sobre anos novos e esperanças novas
Muda o ano e tentamos renovar a esperança. Fazemos desejos, enviamos os votos aos amigos e àqueles por quem temos estima. Mas a vida continua, apenas como ela é. A sorrir para uns e a ser puta para outros. Ainda a muitos não passou a ressaca da festa e outros estão já a debater-se com a desgraça, como John Travolta ou o rapper Dr. Dre, que viram os seus filhos morrer já em 2009, um devido a um acidente relacionado com um síndroma raro, e outro devido a uma overdose. Eu não consigo imaginar infelicidade maior do que ver morrer um filho. Mesmo. E apesar de para mim estas duas pessoas serem apenas mais duas estrelas do panorama cinematográfico e musical internacional, gente com quem quase de certeza nunca me hei-de cruzar na vida, causa-me uma espécie de tristeza, mesmo que leve e passageira, saber das suas perdas. É a velha lição, que se repete: hoje estamos por cá, amanhã quem sabe. E por isso, não vale a pena dar importância aos problemas pequenos, às merdices do dia-a-dia. Pensar positivo. Compreender. Saber perdoar, saber pedir desculpa. Ajudar sem muitos porquês. Viver a vida tentando fazer dela uma experiência única, para nós, e também para outros, mesmo que sejam só dois ou três.
2009 em grande, para todos os que lerdes este post.
2009 em grande, para todos os que lerdes este post.
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
2008 em grandes fotos grandes

Já aqui vos falei do site The Big Picture, que descobri no Bitaites. E já que estamos em tempo de balanços, vale a pena dar uma olhadela nas fotos que fazem a restrospectiva do ano que agora finda. Aliás, vale mesmo a pena.
Aqui, aqui e aqui.
A fotografia que ilustra este post é de Tony Karumba, da Agence France Presse, e retrata a três atletas quenianos (ou parte deles) em preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim.
Piropos
[Quem tiver dúvidas de que Miguel Esteves Cardoso é o maior, leia mais este texto sobre o seu entendimento supremo do amor. O que eu mais gosto neste gajo é que já escreveu muitas das coisas em que eu penso e assim poupa-me um trabalhão em escrita, até porque eu não sei escrever sobre as coisas do amor, ou pelo menos como ele.]
Piropos
A vida de qualquer rapaz deve ser ler, escrever e correr atrás das raparigas. Esta última parte é muito importante. Hoje em dia, porém, os rapazes já não correm atrás das raparigas – andam com elas. A diferença entre “correr atrás” e “andar com” é, sobretudo, uma diferença de energia. Correr é galopar, esforçar, persistir, e é alegria, entusiasmo, vitalidade. Andar é arrastar, passo de caracol, pachorrice, sonolência. O amor não pode ser somente uma partida de golfe, em que dois jarretas caminham devagar em torno de alguns buraquinhos. Tem de ser, pelo menos, os 400 metros barreiras.
Os dois sintomas mais preocupantes desta nova tendência para a letargia erótica são, por um lado, a decadência acelerada do piropo, do galanteio, e por outro, o culto solene e obstinado da sinceridade. Ambos contribuíram para facilitar a sedução, tornando a própria sedução numa coisa muito menos sedutora, já que não há maior afrodisíaco que a dificuldade.
Os rapazes de hoje já não perguntam às raparigas se os anjos desceram à terra, ou que bem fizeram a Deus para lhes dar uns olhos tão bonitos. Dizem laconicamente, com o ar indiferente que marca o “cool” da contemporaneidade “Vamos aí?”. Ou simplesmente “bora aí?”. Nos últimos tempos, tanto em Lisboa como na linha de Cascais, esta economia de expressão atingiu até o cúmulo de se cingir a um breve e local “Bute?”. “Bute” significa qualquer coisa como “Acho-te muito bonita e desejável e adoraria poder levar-te imediatamente para um local distante e deserto onde eu pudesse totalmente desfazer-te em sorvete de framboesas”. Mas, como os rapazes só dizem “Bute?”, são as pobres raparigas que têm de fazer o esforço todo de interpretação e enriquecimento semântico. São assim obrigadas a perguntar às amigas “Ó Teresinha, o que é que achas que ele queria dizer com aquele bute?”. E chegam à desgraçada condição de analisar as intenções do rapaz mediante uma série de considerações pouco líricas – foi um “Bute” terno ou ríspido, sincero ou mentiroso, terá sido apaixonado ou desapaixonado?
Isto não pode ser, até porque há uma tradição a manter. Imagina-se alguma rapariga a dizer “Ai, Lena… Quando ele disse “Bute” subiu-me o coração à boca!”. A verdade é que o coração é um órgão bastante precioso e só se dá ao trabalho de subir à boca quando se lhe dão excelentes motivos para isso. De uma maneira geral, todas as palavras que não se imaginam num soneto de Camões são impróprias. O amor pode ser um fogo que arde sem se ver, mas não basta tomar o facto por dado e dizer simplesmente “Bute” – é preciso dizer que arde sem se ver. Mesmo que não arda, mesmo que se veja.
A própria palavra piropo (do latim “pyropo”) tem óbvias conotações incendiárias. Alguns alquimistas definiam esta pedra como sendo uma mistura de “três partes de lata e uma de ouro, que fica da cor do fogo”. A lata é extremamente importante – sem ela não se pode construir um bom piropo. Não só basta a parte de ouro (o sentimento, ou desejo) – faltam mesmo os demais 75 por cento. E o piropo faz falta, mesmo que seja só, nos preparos de amor, o “pequeno grão de arroz” de que fala a cantiga…
Dentre todos os piropos, o mais lindo (e mais português) é o piropo que se dirige, de passagem, a uma rapariga bonita. Não é o piropo que procura obter algo em troca – não é o piropo interesseiro do engate – é o piropo per si, e desinteressado. Diz-se quando ela passa e deixa-se que ela passe sem responder. O piropo desinteressado é o supra-sumo desta arte e deve entender-se como o pagamento poético de uma dívida.
Ela é bonita – você gostou de a ver. Em troca, inventa uma coisa bonita para lhe dizer, sem esperar outra recompensa senão a enorme recompensa de saber que ela o ouviu. Qualquer rapariga gosta de (e merece) ouvir um piropo destes. Em contrapartida, nenhuma rapariga tem paciência para as alternativas cada vez mais habituais; o basbaque calado que fica a ver, o engatatão incómodo que marcha atrás da rapariga como um detective pouco particular, o ordinário que se mete, até o banana tímido e ensimesmado que nem sequer se dá ao trabalho de olhar.
É preciso acabar com a escandinavização do erotismo português. Não é só o piropo que morre. São as cartas de amor, as flores de um anónimo admirador, as boas frases de apresentação e toda a panóplia de doces artifícios que deveriam estar sempre presentes na preocupação de um bom rapaz português. A escandinavização (exercício físico, comidas saudáveis, windsurf e sexo sem culpa e sem graça) tem, como factor mais perigoso, o culto à sinceridade. É triste, mas é verdade. Hoje em dia quase ninguém mente! Os rapazes dizem “não és muito bonita, mas até te gramo”, e as raparigas respondem “preferia o Richard Gere, mas já que aqui estás…”.
Isto não pode ser. Para qualquer rapaz, a rapariga com quem está (ou quer estar) não pode ser senão a mais bonita do mundo inteiro. A honestidade é a morte do encantamento. Bem utilizada, a mentira criativa chega ao ponto de convencer o próprio mentidor. Uma mentirazinha que vá um nadinha contra a razão (“era capaz de morrer por ti”, por exemplo) é sempre uma contribuição espectacular a favor do “live aid” do coração. A verdade é nua e crua, e nisto parece-se bastante com um bife de peru. As coisas nuas têm de ser misteriosa e lindamente vestidas, e as cruas têm sempre de ser cozinhadas. Ninguém gosta de bife de peru, mas uma vez panadinho comm pão ralado, e enfeitado com agriões e rodelas de limão, e servido num prato branco e limpo com um sorriso impecável… Come-se já.
Há uma medida eficaz contra a banalização e simplificação das relações amorosas, mais portuguesa que escandinava, e mais agradável que andar a butes. É namorar. Todas as mulheres – sejam raparigas ou mulheres, esposas de há 20 anos, conhecidas ou desconhecidas, mais ou menos bonitas, não importa – todas elas têm de ser convincentemente, absolutamente e permanentemente namoradas. Se não, ao vale a pena – nem para elas nem para eles.
Na rua ou em casa, no trabalho ou no liceu, não deixe que nenhuma rapariga bonita passe por si em vão. Com correcção e jeito, lance-lhe um piropo sentido e desinteressado, e verá como sabe bem. Pense que nunca mais irá vê-la outra vez (o que é quase sempre verdade) e aproveite aquela única oportunidade. Ou, sendo esposa ou namorada, sua ou de outra pessoa, também não fica mal. O amor, pode ter a certeza, tem de estar no ar tanto como no lar.
Miguel Esteves Cardoso (o maior)
Piropos
A vida de qualquer rapaz deve ser ler, escrever e correr atrás das raparigas. Esta última parte é muito importante. Hoje em dia, porém, os rapazes já não correm atrás das raparigas – andam com elas. A diferença entre “correr atrás” e “andar com” é, sobretudo, uma diferença de energia. Correr é galopar, esforçar, persistir, e é alegria, entusiasmo, vitalidade. Andar é arrastar, passo de caracol, pachorrice, sonolência. O amor não pode ser somente uma partida de golfe, em que dois jarretas caminham devagar em torno de alguns buraquinhos. Tem de ser, pelo menos, os 400 metros barreiras.
Os dois sintomas mais preocupantes desta nova tendência para a letargia erótica são, por um lado, a decadência acelerada do piropo, do galanteio, e por outro, o culto solene e obstinado da sinceridade. Ambos contribuíram para facilitar a sedução, tornando a própria sedução numa coisa muito menos sedutora, já que não há maior afrodisíaco que a dificuldade.
Os rapazes de hoje já não perguntam às raparigas se os anjos desceram à terra, ou que bem fizeram a Deus para lhes dar uns olhos tão bonitos. Dizem laconicamente, com o ar indiferente que marca o “cool” da contemporaneidade “Vamos aí?”. Ou simplesmente “bora aí?”. Nos últimos tempos, tanto em Lisboa como na linha de Cascais, esta economia de expressão atingiu até o cúmulo de se cingir a um breve e local “Bute?”. “Bute” significa qualquer coisa como “Acho-te muito bonita e desejável e adoraria poder levar-te imediatamente para um local distante e deserto onde eu pudesse totalmente desfazer-te em sorvete de framboesas”. Mas, como os rapazes só dizem “Bute?”, são as pobres raparigas que têm de fazer o esforço todo de interpretação e enriquecimento semântico. São assim obrigadas a perguntar às amigas “Ó Teresinha, o que é que achas que ele queria dizer com aquele bute?”. E chegam à desgraçada condição de analisar as intenções do rapaz mediante uma série de considerações pouco líricas – foi um “Bute” terno ou ríspido, sincero ou mentiroso, terá sido apaixonado ou desapaixonado?
Isto não pode ser, até porque há uma tradição a manter. Imagina-se alguma rapariga a dizer “Ai, Lena… Quando ele disse “Bute” subiu-me o coração à boca!”. A verdade é que o coração é um órgão bastante precioso e só se dá ao trabalho de subir à boca quando se lhe dão excelentes motivos para isso. De uma maneira geral, todas as palavras que não se imaginam num soneto de Camões são impróprias. O amor pode ser um fogo que arde sem se ver, mas não basta tomar o facto por dado e dizer simplesmente “Bute” – é preciso dizer que arde sem se ver. Mesmo que não arda, mesmo que se veja.
A própria palavra piropo (do latim “pyropo”) tem óbvias conotações incendiárias. Alguns alquimistas definiam esta pedra como sendo uma mistura de “três partes de lata e uma de ouro, que fica da cor do fogo”. A lata é extremamente importante – sem ela não se pode construir um bom piropo. Não só basta a parte de ouro (o sentimento, ou desejo) – faltam mesmo os demais 75 por cento. E o piropo faz falta, mesmo que seja só, nos preparos de amor, o “pequeno grão de arroz” de que fala a cantiga…
Dentre todos os piropos, o mais lindo (e mais português) é o piropo que se dirige, de passagem, a uma rapariga bonita. Não é o piropo que procura obter algo em troca – não é o piropo interesseiro do engate – é o piropo per si, e desinteressado. Diz-se quando ela passa e deixa-se que ela passe sem responder. O piropo desinteressado é o supra-sumo desta arte e deve entender-se como o pagamento poético de uma dívida.
Ela é bonita – você gostou de a ver. Em troca, inventa uma coisa bonita para lhe dizer, sem esperar outra recompensa senão a enorme recompensa de saber que ela o ouviu. Qualquer rapariga gosta de (e merece) ouvir um piropo destes. Em contrapartida, nenhuma rapariga tem paciência para as alternativas cada vez mais habituais; o basbaque calado que fica a ver, o engatatão incómodo que marcha atrás da rapariga como um detective pouco particular, o ordinário que se mete, até o banana tímido e ensimesmado que nem sequer se dá ao trabalho de olhar.
É preciso acabar com a escandinavização do erotismo português. Não é só o piropo que morre. São as cartas de amor, as flores de um anónimo admirador, as boas frases de apresentação e toda a panóplia de doces artifícios que deveriam estar sempre presentes na preocupação de um bom rapaz português. A escandinavização (exercício físico, comidas saudáveis, windsurf e sexo sem culpa e sem graça) tem, como factor mais perigoso, o culto à sinceridade. É triste, mas é verdade. Hoje em dia quase ninguém mente! Os rapazes dizem “não és muito bonita, mas até te gramo”, e as raparigas respondem “preferia o Richard Gere, mas já que aqui estás…”.
Isto não pode ser. Para qualquer rapaz, a rapariga com quem está (ou quer estar) não pode ser senão a mais bonita do mundo inteiro. A honestidade é a morte do encantamento. Bem utilizada, a mentira criativa chega ao ponto de convencer o próprio mentidor. Uma mentirazinha que vá um nadinha contra a razão (“era capaz de morrer por ti”, por exemplo) é sempre uma contribuição espectacular a favor do “live aid” do coração. A verdade é nua e crua, e nisto parece-se bastante com um bife de peru. As coisas nuas têm de ser misteriosa e lindamente vestidas, e as cruas têm sempre de ser cozinhadas. Ninguém gosta de bife de peru, mas uma vez panadinho comm pão ralado, e enfeitado com agriões e rodelas de limão, e servido num prato branco e limpo com um sorriso impecável… Come-se já.
Há uma medida eficaz contra a banalização e simplificação das relações amorosas, mais portuguesa que escandinava, e mais agradável que andar a butes. É namorar. Todas as mulheres – sejam raparigas ou mulheres, esposas de há 20 anos, conhecidas ou desconhecidas, mais ou menos bonitas, não importa – todas elas têm de ser convincentemente, absolutamente e permanentemente namoradas. Se não, ao vale a pena – nem para elas nem para eles.
Na rua ou em casa, no trabalho ou no liceu, não deixe que nenhuma rapariga bonita passe por si em vão. Com correcção e jeito, lance-lhe um piropo sentido e desinteressado, e verá como sabe bem. Pense que nunca mais irá vê-la outra vez (o que é quase sempre verdade) e aproveite aquela única oportunidade. Ou, sendo esposa ou namorada, sua ou de outra pessoa, também não fica mal. O amor, pode ter a certeza, tem de estar no ar tanto como no lar.
Miguel Esteves Cardoso (o maior)
Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Um post sobre tecnologia que contém a palavra pila
Há inovações tecnológicas que me chateiam solenemente. As casas de banho dos cafés têm agora luzes accionadas por detectores de movimento. Muito bem, poupa-se energia e isso é louvável. Mas como os temporizadores estão quase sempre mal programados, depois de alguns segundos de imobilidade um gajo fica ali com a pila na mão, às escuras, sitiado.
Sábado, 27 de Dezembro de 2008
Uma muito b_eve
Encont_ei um ba_ onde a inte_net é g_atuita mas o teclado não deixa esc_eve_ os e__es. O_a me_da!
Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
2008 e o factor música zero
Não sei o que me deu. Este ano andei totalmente a leste da música. Quase que me envergonho. Em um ano, ouvi para aí meia dúzia de álbuns novos. Portanto, aqui fica já um projecto para 2009: ouvir música. E para minimizar o estrago de 2008, um S.O.S. já foi enviado ali ao Homem que sabia demasiado.
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
Mensagem Oficial de Boas Festas

Aos leitores deste vosso humilde blog, amigos ou nem por isso, conhecidos ou desconhecidos, nacionais ou estrangeiros, assíduos ou esporádicos, colegas bloggers, e até ao pessoal que vem aqui parar só porque anda na net à procura de gajos nus, de declarações de amor ou de designers solteiros que procuram gaja, os votos de Boas Festas, junto dos vossos familiares e amigos.
E desta vez, o Pai Natal na foto não sou eu…
Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
Ho ho ho

O Mestre Pirry, eu e o Rui Reis no Passeio dos Pais Natal ciclistas organizado este Domingo pelo Guarda Unida. Só era escusado ter ido para a cama três horas antes do seu início e já "cum'ó aço". Mas Pai Natal que se preze pedala ressacado e tudo…
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
Mas afinal a senhora é santa ou não é?
"Eu? Se ganhasse o Euromilhões? Ajudar a família? Ajudava a minha mãe, que é uma santa. Agora os meus irmãos? Vão para a puta que os pariu!"
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
O homem do bacalhau
Conheço um fulano que abafou um bacalhau num supermercado apenas para provar aos seus colegas que era o mais ousado, pois eles andavam apenas a roubar chocolates e afins. Saiu do supermercado com o bacalhau escondido debaixo do casaco de penas, com o rabo ainda meio visível junto ao seu pescoço. Nessa altura ele era jovem; hoje já é um homem e é, sobretudo, uma lenda. O fim do bacalhau foi inglório, pois foi directo para o caixote do lixo. Claro que, à data, também não teria sido muito fácil arranjar uma desculpa minimamente credível para chegar a casa dos pais com um bacalhau na mão. O meu amigo que presenciou isto é hoje advogado. Ainda gostava de saber como é que ele defenderia em tribunal um tipo que roubasse um bacalhau, e que seria acusado pelo menos de dois crimes: o de subtracção de bacalhau, e o de lesa-bacalhau, pois o pobre peixe seco não merecia o fim que teve. Em vez de ter ido para o lixo, devia ter ido para o forno, com cebolinhas e batatas a murro…
Domingo, 14 de Dezembro de 2008
A neve
Quando era puto e nevava durante a noite, de manhã dava sempre conta do nevão ainda na cama, pois havia um silêncio estranho na rua e uma inusitada claridade no quarto (eu nunca tive medo da escuridão mas também sempre gostei de saber quando amanhece). A primeira coisa que se fazia era ligar o rádio, à espera de ouvir a tradicional lenga-lenga: "O Governador Civil determinou que, devido às condições atmosféricas, as escolas da cidade estarão encerradas durante o dia de hoje, não havendo actividades lectivas". Era assim, ou algo parecido. Depois, a ideia era ignorar completamente as recomendações dos pais, vestir roupa capaz de enfrentar uma escalada ao Evereste e andar todo o santo dia na rua às boladas de neve aos amigos, colegas e transeuntes desconhecidos, e voltar a casa apenas quando se fizesse noite e quando a tintura das meias passasse para a pele dos pés para por lá ficar pelo menos uma semana, quase cem por cento resistente a banho, sabão, pedra-pomes e afins. Quando era (um pouco mais) jovem e começava a nevar durante a noite, horas a que muito provavelmente se andava na rua, sobretudo se fosse fim-de-semana, se começasse a nevar, isso era a desculpa perfeita para se andar na rua toda a noite de um lado para o outro, a experimentar as maiores façanhas de patinagem artística e às boladas a todo e qualquer transeunte desconhecido. Hoje estava num bar com uns amigos e, assim que alguém avisou que tinha começado a nevar e que já estava a pegar o manto branco, pirei-me de imediato, para poder ainda conduzir e enfiar o carro na garagem, e porque amanhã, embora sendo Domingo, tenho mesmo que me levantar cedo, apesar de estar para aqui agarrado à computadeira a escrever isto. Esta merda anda mesmo virada do avesso…
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